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Thanks, Mr Allen

25 mar

Depois da estréia de “Meia noite em Paris”, de Woody Allen, muita gente boa se viu no direito de ter o seu sonho nostálgico e relatá-lo.

Pois eu, que também sou filho de Deus, tive o meu e, vejam lá, nem era meia noite, nem a cidade era Paris.

Era João Pessoa mesmo, entre tarde e noite, só que em alguma data indefinida na década de cinqüenta, e, como o personagem de “Morangos silvestres”, eu não sabia se, nessa dimensão mágica do passado, estava velho ou se ainda era criança.

Quem me tomou pela mão e me guiou por esse tempo antigo não sei se foi o Virgílio de Dante, ou os três espíritos de Charles Dickens, ou o anjo Clarence de Frank Capra.

Só sei que, de repente, lá estava eu às portas do Cinema Astória, ali no comecinho da Rua da República, quase vizinho à extinta Fábrica Sanhauá, não muito longe da ponte do mesmo nome, aquela que liga João Pessoa a Bayeux. O filme que estava em cartaz era “Beau Geste”, mas nem comprei ingresso.

Certificado de que eu contemplara a fachada do velho Astória, o meu guia, fosse quem fosse, me fez subir a rua em direção à Praça da Pedra, e lá, dobrou comigo para o lado direito, e seguimos por aquela rua estreita e curva, a São Miguel, até o Cinema São Pedro, que estava exibindo – vi logo – o “Fantasia” de Walt Disney.

Olhamos o cartaz, cubamos o movimento da garotada trocando gibis na calçada do cinema, e nos mandamos, não em direção ao cemitério – graças a Deus – mas, de volta à Praça da Pedra, de onde continuamos subindo a Rua da República, até o seu final. No encontro desta rua com a General Osório, lá estava o que eu já sabia que ia encontrar – a fachada do Cine Filipéia, cheia de cartazes vistosos, dos quais o maior era o de “Paixão dos fortes”, o filme do dia.

Pensam que ficamos para a matinée com Henry Fonda? Que nada, o meu guia me arrastou Beaurepaire Rouhen abaixo, até a esquina dos antigos Correios, onde dobramos e fomos subindo a calçada da Guedes Pereira até o Cine Brasil.

Fiquei louco para ver o filme do dia, o hitchcockiano “A sombra de uma dúvida”, mas, de novo, o meu guia não permitiu. Demos alguns passos subindo a rua e dobramos à esquerda, General Osório acima. Na primeira esquina, o guia nem precisou sinalizar: tomamos a Peregrino de Carvalho e logo estávamos na frente do belo e grandioso Cine Rex que, com algum alarde, exibia naquele dia “Sansão e Dalila”.

Mal deu tempo de me embevecer com, no cartaz, o rosto perfeito de Hedy Lamarr e os peitos estufados de Victor Mature, descemos a rua Duque de Caxias, viramos à esquerda no Ponto de Cem Réis, e eis-nos diante do não menos belo e grandioso Cine Plaza, onde uma fila enorme se estendia até a calçada do vizinho Pronto Socorro, esperando para ver nada menos que “Gilda”.

Com certa impaciência perante o meu demorado deslumbramento com a pose audaciosa de Rita Hayworth, o meu guia me puxou pelo braço e seguimos pela Praça 1817. Antes disso, eu supusera que prosseguiríamos pela Visconte de Pelotas, na direção do Cine Municipal, mas lembrei-me que, de fato, nesse tempo, esse cinema ainda não existia.

Cruzamos em diagonal a Praça João Pessoa, tomamos a rua das Trincheiras e fizemos uma longa caminhada, até encontrarmos a rua Capitão José Pessoa, já no bairro de Jaguaribe; aí dobramos e formos ter com o Cine Jaguaribe, que entre um seriado e outro, exibia “As minas do rei Salomão”, Deborah Kerr e Stuart Granger no cartaz.

Daí seguimos a Capitão José Pessoa e na próxima esquina, à esquerda, Rua Floriano Peixoto, dobramos e nos dirigimos – precisa dizer? – ao Cine São José, onde o filme do dia era “O manto sagrado”. Tratava-se, como se sabe, do primeiro cinemascope e muita gente esperava para ver a novidade.

Mas nós, não. Retornamos pela mesma Floriano Peixoto, e, sempre em linha reta, cruzamos várias esquinas do bairro de Jaguaribe, até chegar à Av. Primeiro de Maio, onde tomamos a direita e, ladeando o muro alto do imenso e imponente Clube Cabo Branco, atravessamos o calçamento da Vasco da Gama, e nos detivemos no pátio frontal do Cine Teatro Sto Antônio. Tive ânsias de me livrar do meu guia e entrar para ver Gene Kelly e Debbie Reynolds “Cantando na chuva”, mas não foi possível. Pela resistência que ofereceu, estava visível em seu rosto impaciente que ainda havia outros cinemas a visitar. Sim, eu saiba que havia pelo menos mais quatro, em Cruz das Armas, o Glória e o Bela Vista, e na Torre, o Metrópole e o Cine Torre.

Por que ver tantos cinemas sem entrar para o que interessava? Devo ter me oposto com certa veemência ao incompreensível propósito do guia, e, por certo, foi essa oposição que desfez o sonho.

Acordei nostálgico, me dando conta de que, havia décadas e décadas, nenhum desses cinemas existia mais. Nostálgico e um pouco perplexo, sem ter decifrado a mensagem do meu vago e misterioso guia.

 O poeta Dante, Scrooge, o velho sovina de Dickens, e George Bailey, o honesto pai de família de Capra, entenderam os seus respectivos guias e lucraram com isso: eu não.

De todo jeito, como os sonhos do personagem de “Meia noite em Paris” têm “continuações”, estou aguardando sonhar de novo. Se sonhar, prometo que relatarei. Enquanto isso, agradeço a Woody Allen pela motivação.

Tudo sobre os gringos

11 fev

Quem são os americanos, afinal de contas? Gente materialista e obtusa que só pensa em dinheiro e poder? Um povo laborioso e empreendedor que construiu a primeira democracia do planeta e a maior potência econômica do mundo? Uma nação ambiciosa e autoritária que vive de intervir nos destinos alheios? Uma civilização liberal que acolhe pensadores de toda parte do mundo? Um país etnocêntrico e racista que não tem visão para a alteridade? Uma raça de gênios que já abocanhou 320 prêmios Nobel?

Enfim, seriam os Estados Unidos o leito maligno do capitalismo selvagem, ou “o país das oportunidades”?

Quem nos convida a refletir sobre esse assunto instigante é o historiador brasileiro Antônio Pedro Tota, no seu livro “Os americanos” (2009), na verdade, um item na série “Povos e Civilizações” que, mui oportunamente, a Editora Contexto vem publicando.

Nada mais complicado – e também arriscado – do que definir uma civilização, o que, aparentemente, só poderia ser feito através de estratégias conceituais. Se assim é, a de Tota foi recontar a história dos Estados Unidos, do começo até hoje, mas isto, driblando a historiografia tradicional e atacando a questão com um enfoque novo e interessante.

Assumindo o recurso criativo do ensaio, Tota privilegia uma abordagem que se equilibra entre o pessoal e o imparcial, e que torna a leitura, não apenas instrutiva, mas também saborosa, às vezes divertida.  Havendo residido nos Estados Unidos, não hesita em incluir experiências particulares, que são eventualmente contrapostas a experiências alheias, retiradas de trechos obscuros da bibliografia consultada.

No geral, o seu enfoque é predominante comparativo, e Tota não se incomoda de quebrar a cronologia da narração para confrontar fenômenos equivalentes ou tematicamente relacionados, embora distantes no tempo (exemplo: a escravidão negra e a eleição de Obama); do mesmo modo que desmonta o espaço (no caso, o território americano) para cotejar fatos ou atitudes americanas com – por exemplo – fatos ou atitudes brasileiras.

Um dos cotejos que opera com certa graça é o da realidade com a ficção. Com freqüência, marcas de produtos comerciais, quadrinhos, pinturas, letras de música, desenhos animados, propagandas e slogans são evocados como textos que iluminam problemas sociais, econômicos e/ou políticos de modo esclarecedor.

Às vezes as suas explicações são verdadeiras aulas de semiótica, como quando convida o leitor a considerar a ironia na expressão “Cuba Libre”, a famosa bebida cubana, surgida ao tempo do ditador Batista, e composta, como se sabe, do rum autenticamente cubano com a americana Coca Cola. Tudo isso, para ilustrar o nada discreto intervencionismo dos Estados Unidos na ilha vizinha.

Um cotejo usual é com o cinema, a quem, aliás, Tota dedica um capítulo final. Mas, na verdade, o interessante não é vê-lo tratar do “país do entretenimento”, coisa já sabida do leitor; o mais interessante é quando, ao longo do livro, Tota evoca cenas ou sequências cinematográficas para explicar a formação do país.

Assim, os filmes de Frank Capra lhe servem para ilustrar a fé do povo americano no New Deal de Roosevelt, o pacote governamental que teria tirado o país da depressão de 29. Às películas “Adorável vagabundo” e “A mulher faz o homem” Tota dedica uma discussão da vida americana, como se os personagens fílmicos fossem verídicos. Do mesmo modo, as ficções científicas dos anos cinqüenta (mais o “Doutor Fantástico” de Stanley Kubrick) ajudam o leitor a entender a guerra fria e o marcartismo.

De modo extremamente pertinente, os faroestes de John Ford exemplificam pontos chave, não apenas na conquista do Oeste, mas noutra conquista maior, a dos direitos civis, que mais tarde desaguariam na instituição da democracia, num país que sequer unidade territorial possuía. Citado em várias instâncias, o personagem Ransom Stoddard (James Stewart), o advogado que vem ao Oeste bravio com um livro de direito debaixo do braço, parece ser, para Tota, uma figura tão significativa quanto qualquer líder real da história política americana.

Na mesma linha comparativa, “O poderoso chefão I” de Francis Ford Coppola é citado a propósito da imigração do começo do século XX, e “Touro indomado” de Martin Scosese, a respeito da obsessão americana por entretenimento.

Os paradoxos da vida americana despontam em toda parte e enriquecem a discussão. Um exemplo pequeno, mas bem sintomático: quem diria que o grande pensador, estadista e democrata Abraham Lincoln planejou – assim que a abolição da escravatura estivesse devidamente confirmada – enxotar a população negra do país, (cerca de quatro milhões de ex-escravos!)  para a nossa Amazônia, e só não o fez por causa da reação negativa do governo brasileiro?

Muito bem explicado está por que é que os avançados democratas de hoje eram republicanos, e os retrógrados republicanos do momento, eram democratas no passado. Pois é, antes, durante e mesmo um pouco depois da Guerra de Secessão, os aristocráticos ruralistas do Sul, que defendiam o sistema de escravidão, se auto-denominavam “democratas”, e a população esclarecida do Norte que, antenada com Lincoln, lutou pela abolição, se auto-intitulava “republicanos”. Pode?

Um tópico que não podia faltar é o da opinião alheia sobre os americanos. A esse respeito Tota argumenta que “o antiamericanismo anda de mãos dadas com o americanismo”. E cita o caso do Líbano onde, segundo pesquisa internacional, 60% da população é francamente hostil aos Estados Unidos, e onde, no entanto, o consumo de filmes hollywoodianos é avassalador. E, claro, o leitor sabe que o Líbano é apenas um caso entre muitos, no meio dos quais está o Brasil.

Correndo as páginas de “Os americanos”, em momento algum o leitor sente que está lendo um maçante Livro de História. Tudo nele parece mais um depoimento inteligente, vivaz, diversificado, rico, profundo – um depoimento de quem vivencia na pele as questões tratadas, no caso a pele de um brasileiro, ao mesmo tempo fascinado e intrigado (vários sentidos da palavra ´intrigado´) com esse povo tão antropologicamente diferente de nós.

À guisa de conclusão, Tota levanta algumas palavras que poderiam resumir o perfil antropológico do povo americano: “fé”, “perseverança”, “segurança”, “patriotismo”, “nacionalismo”, “eficiência”, “engenhosidade”, “autoestima”, “excepcionalidade” – explicando cada uma na perspectiva do já exposto ao longo do livro. A impressão que o leitor tem, contudo, é que algumas dessas palavras podem estar no corpo antropológico de outros povos: vejam o caso da última: será que todo povo, se comparado a outros, não se revela excepcional?

De minha parte, senti falta de uma discussão da expressão “o sonho americano”, conceito tão inerente à realidade dos Estados Unidos. Considerem que nunca se ouviu falar do “sonho brasileiro” ou do “sonho francês”, ou do “sonho russo” e, no entanto, o sonho americano é uma expressão-conceito que faz parte da civilização desse povo: está no folclore, na literatura, na música, nas artes em geral, na política e, sobretudo, no imaginário americano, assim como o carnaval, ou o futebol está no nosso imaginário. Acho que, num livro desses, cabia uma retomada da expressão.

Em tempo: com um pouco de ironia, o título desta matéria faz referência ao título do filme americano “All about Eve”, ou seja, ´tudo sobre Eva´. Para ficar mais clara a ironia: no Brasil, a ´Eva´ do filme é “A malvada”.

 

Cinema em 68

27 mai

Se considerarmos que no ano de 1968 estrearam, no mundo todo, cerca de 5.289 filmes, a idéia seria a de que não houve, em termos cinematográficos, nada de especial nessa data. Afinal de contas, esta era a média de filmes por ano no planeta, pelo menos a média da década…

E mesmo em termos qualitativos não parece haver uma distinção a fazer. Cinematograficamente falando, o ano de 68 só se distingue dos outros anos da década por um aspecto de alguma maneira irônico: marcava o fim dos grandes movimentos de cinema, eclodidos entre o final dos anos cinqüenta e o começo dos sessenta.

O mais badalado de todos, a Nouvelle Vague francesa, estava nos seus estertores em 1968. O que se viu nos cinemas parisienses quando os estudantes e os operários tomaram as ruas da cidade eram filmes, se importantes nas carreiras de seus autores, sem grande expressão cultural e com pouca relação com o momento histórico. Para citar apenas os (ex)nouvellevaguistas: de François Truffaut estreava “Beijos roubados” (“Baisers volés”) uma comédia leve sobre um jovem sem vocação para o trabalho e o amor; de Claude Chabrol “As corças” (“Les biches”), um drama homossexual passado em Saint-Tropez; de Resnais “Eu te amo, eu te amo” (“Je t´aime, je t´aime”), um science-fiction sobre regressão temporal. A bem da verdade, dentre os fundadores da Nouvelle Vague, somente Jean-Luc Godard dava – evidentemente, sem o saber – uma resposta à inquietação reinante com o seu “Weekend”, que mostrava um engarrafamento de tráfego quase tão grande quanto a revolução estudantil.

O Free Cinema inglês, outro movimento da década, parecia igualmente diluído em 68. Os seus mentores, como Richard Lester, Tony Richardson (de “A carga da brigada ligeira” em refilmagem) e Karel Reizs (de “Isadora”, sobre a vida de Duncan) tomavam outros rumos estilísticos, e nesse ano, um dos seus participantes, John Schlesinger se mudara para Hollywood onde estava rodando – é verdade – um dos filmes que viriam a definir o perfil da década: “Midnight cowboy” (“Perdidos na noite”). Sobre a revolta radical num colégio inglês, o filme mais próximo do momento histórico foi o “Se…”  (“If…”) de Lindsay Anderson, pela temática análoga, com certeza o mais relevante a ser citado a propósito de 1968.

No Brasil, o Cinema Novo vivia as suas últimas experiências, logo sufocado pelo AI-5 de 13 de dezembro. O enfurecido Glauber Rocha tentava lançar “O dragão da maldade contra o santo guerreiro”; Paulo César Saraceni operava uma adaptação de Machado de Assis em “Capitu”, Roberto Santos filmava “O homem nu”, Gustavo Dahl mostra o seu “Bravo guerreiro, e Rogério Sganzerla, por outro caminho, se saía com o seu “underground” e ainda hoje tão pouco conhecido, “O bandido da luz vermelha”, porém, no mais, era o cinema comercial que o povo consumia, como o sucesso do ano “Roberto Carlos em ritmo de aventura”, de Roberto Farias.

Quem mantinha uma certa vitalidade era o cinema italiano, tão vigoroso nos primeiros anos da década, mesmo sem um nome que o definisse como movimento. Michelangelo Antonioni dera o que falar com o seu “Blow up” no ano anterior e, neste ano de 1968, estava preparando o seu “Zabriskie point”. Federico Fellini e Pier Paolo Pasolini estavam ocupadíssimos com os seus respectivos “Satyricon” e “Teorema”, que só estreariam em 69. E a Cinecittà continuava investindo nesse novo gênero, o western spaghetti de Sergio Leone, o qual, neste 68, lançou o elaborado e hoje clássico “Era uma vez no Oeste”.

Abalada pela televisão e, mais ainda, pelas mudanças comportamentais, Hollywood clássica já não era mais clássica havia muito tempo. Os grandes cineastas do passado, como John Ford, Frank Capra, Raoul Walsh, George Cukor, etc, estavam aposentados ou em vias de, e os que ainda atuavam não tinham mais o velho pique. Lançado no ano, “Funny girl” de William Wyler não significava grande coisa. Nem o “Eldorado” de Howard Hawks, nem o “Topázio” de Alfred Hitchcock, aliás, rodado na Inglaterra. “A noite dos generais” de Anatole Litvak era um filme de guerra interessante, mas só isso – aliás, com a curiosidade de que era o título em cartaz nos cinemas brasileiros na noite em que os generais deram o golpe do AI-5. Quem ainda inquietava era esse teimoso John Huston, neste ano com o seu perverso “Reflections in a golden eye”, onde Marlon Brando encarnava um militar que se descobria homossexual, filme que no Brasil teve um título estranhamente comprometedor: “O pecado de todos nós”.

Enquanto isso, fora dos estúdios, um independente John Cassavettes continuava dando o seu recado, neste ano com “Faces” (“Rostos”). Mas, claro, mesmo com todas as vicissitudes, Hollywood não entregava os pontos, e um certo sangue novo surgia no Arthur Penn de “Bonnie e Clyde”; no Mike Nichols de “A primeira noite de um homem”, e nos westerns sanguinários de Sam Peckimpah, que neste ano estava rodando o marcante “Meu ódio será tua herança”, para estrear no ano seguinte. Isto para não falar no acontecimento cinematográfico que foi o longo e delirante “2001 uma odisséia no espaço” de Stanley Kubrick, provavelmente o filme mais importante de 1968.

Se quisermos insistir nos termos qualitativos, penso que a coisa certa a dizer é que o ano de 1968 vai encontrar, no mundo, um cinema de autores isolados, gênios individuais, pensando o século, sim, mas, cada um de acordo com o seu imaginário mais privado. Nesse rol, perfilo os já citados Fellini, Glauber, Kubrick, Antonioni, Godard, e figuras como Bergman (“A hora do lobo” e “Vergonha”, dois filmes em 1968) e Buñuel, que em 67 nos dera “A bela da tarde”, e, em 69 daria “O estranho caminho de São Tiago”. No contexto cinematográfico, são desses cineastas que lembramos quando paramos para pensar no ano em questão, ou nos seus arredores, temporais e/ou espaciais. Nem todos os filmes destes cineastas tiveram a ver, diretamente, com os avassaladores acontecimentos de 1968, mas, em termos históricos, a eles se integraram e, hoje, deles por tabela fazem parte.

Em tempo: como o espaço é pequeno e os filmes são muitos, acrescento uma relação de 10 títulos de 1968 que, por uma razão ou por outra, tiveram considerável repercussão junto ao público:

As sandálias do pescador (Michael Anderson)

Barbarella (Rober Vadim)

Inferno no pacífico (John Boorman)

Meu nome é Coogan (Don Siegel)

O bebê de Rosemary (Roman Polanski)

O planeta dos macacos (Franklin Schaffner)

O submarino amarelo (George Duning)

Primavera para Hitler (Mel Brooks)

Romeu e Julieta (Franco Zeffirelli)

Um convidado bem trapalhão (Blake Edwards)

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