Ingrid à beça

11 maio

Não é em toda locadora que você os encontra, mas, que os grandes e – e também os pequenos – filmes clássicos do passado estão sendo selados em DVD, estão.

Para dar exemplo, tomemos a filmografia de uma grande atriz do passado, famosa pelo talento e pela beleza: Ingrid Bergman (1915-1982).

Contados na ponta do lápis (e eu fiz isso) vinte e quatro filmes dessa atriz magistral estão em DVD, disponíveis em locadoras de João Pessoa. O currículo cinematográfico completo de Ingrid compreende 47 películas, é verdade, porém, testemunhar 24 de seus desempenhos, na “tela” de sua televisão já é – convenhamos – um privilégio considerável.

Que se saiba, não há, selado, nenhum dos seus filmes suecos, de início de carreira, aliás, pouco conhecidos, mesmo de quem lida com crítica e historiografia do cinema. Foram apenas seis, mas consta que suficientes para garantir sua fama em seu país, fama que terminou por arrastá-la a Hollywood.

Em compensação, estão disponíveis quase todas as películas de sua primeira fase americana, que vai de 1939 a 1949, e que você pode locar ou comprar para o seu acervo pessoal: “Intermezzo” (1939), “Os quatro filhos de Adão” (1941), “Casablanca” (1942), “Por quem os sinos dobram” (1943), “Á meia luz” (1944), “Os sinos de Sta Maria” (1945), “Mulher exótica” (1945), “Quando fala o coração” (1945), “Interlúdio” (1946), “O arco do triunfo” (1948), “Joana Darc” (1948), “Sob o signo de capricórnio” (1949).

Em 1949 Ingrid corajosamente abandona Hollywood, o marido e a filha para ir viver na Itália com o cineasta neo-realista Roberto Rosselini, que também era casado. O escândalo é grande e sua imagem nos Estados Unidos declina. Desta fase italiana, estão selados seis filmes, a saber: “Stromboli” (1949), “Europa 51” (1951), “Viagem pela Itália” (1953), “Nós, as mulheres” (1953), “Joana Darc de Rosselini” (1954) e “O medo” (1955), todos dirigidos por Rosselini.

Depois dessa “viagem pela Itália”, Ingrid retorna a Hollywood, decidida a apagar o escândalo causado pela sua aventura romana, reconquistar o público americano, e a ganhar mais um Oscar, e ganha. (O primeiro fora com “À meia luz”). Com Jean Renoir ainda participa de uma produção ítalo-francesa “As estranhas coisas de Paris” (1956), mas o seu retorno à Meca do Cinema é marcado triunfalmente por “Anastácia, a princesa esquecida” (1956) que lhe dá o Oscar de melhor atriz do ano. Seguem-se: “Indiscreta” (1958) e “A morada da sexta felicidade” (1958).

Infelizmente, os filmes selados de Ingrid escasseiam dos anos sessenta em diante. É verdade que a atriz passou a filmar menos, mas também é verdade que nunca chegou a parar. Cronologicamente, o próximo com selo de DVD vai ser “Assassinato no Expresso-Oriente” (1974), que lhe deu um terceiro Oscar, desta vez como coadjuvante, e o último é “Sonata de Outono” (1978), tardio retorno à sua Suécia de origem e seu único trabalho com o compatriota Ingmar Bergman, que, apesar do sobrenome, não era parente.

Se você tiver tido a curiosidade de contar, os filmes mencionados até agora – todos em DVD, como dito – importam em vinte e quatro.

Mas atenção: nem todos são grandes filmes, e alguns são mesmo frustrantes, embora o espectador não possa deixar de apreciar o empenho de Ingrid em salvá-los. Dois que se enquadram neste caso são: “Sob o signo de capricórnio”, com certeza o pior filme que Alfred Hitchcock já rodou, e “Mulher exótica”, do sempre capenga Sam Wood.

Acho que já é tempo de falar dos não–selados, até porque o fluxo de selagem é contínuo e eles podem ser os próximos nas prateleiras das nossas locadoras ou nas lojas do ramo.

Por exemplo, da sua primeira fase americana, não está selado (ou está e eu não sei?) “O médico e o monstro” em que ela atua ao lado de Spencer Tracy e Lana Turner.

Eu pessoalmente adoraria poder rever “A Visita” (“The visit”, 1964), um filme forte e denso em que Ingrid faz o papel de uma velha e rica senhora que retorna a sua cidade natal para propor à população a morte do ex-amante, este desempenhado por Anthony Quinn.

Também seria interessante rever a sua pequena, mas significativa, participação na comédia “O rolls-royce amarelo” (1965). Ou o seu engraçado papel de solteirona que desabrocha sem mais nem menos em “Flor de cacto” (1969), um filme curioso no esforço de tornar a então jovem Goldie Hawn (24 anos), bonita, e a madura Ingrid (54 anos), feia. Coisa impossível, no meu entender.

Enfim, curtamos Ingrid Bergman. Nem todos os filmes em que ela esteve, possuem o nível, a magia e o mito de “Casablanca”, porém, bom, médio ou fraco o filme, a sua presença já paga a locação… ou a aquisição.

 

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