Liz, câmera, ação

24 mar

Para os fãs saudosos de Elizabeth Taylor (1932-2011), rememoro aqui alguns momentos de sua atuação no cinema: certamente, não apenas lembranças minhas, mas de espectadores do mundo todo que, ao longo do século, acompanharam a carreira de uma atriz, a qual, como poucas, uniu beleza e talento.

Para tanto, consultei a filmografia da atriz, porém, o percurso que sigo, embora cronológico, é pessoal.

Acho que minha primeira recordação de Liz Taylor é como uma das jovens irmãs em “Quatro destinos” (“Little women”, 1945), essa estória penosa de solidão feminina no tempo de guerra, quando os homens estão fora, no caso na Guerra de Secessão. Antes disso, ela tinha estado na série de “Lassie”, mas, nunca fui ligado à cachorrinha.

Depois, para mim, ela vira a mocinha que vai casar e o pai (Spencer Tracy) é um paranóico que pensa que a organização da festa de casamento pode destruir sua vida. A comédia em preto e branco de Vincente Minnelli é de 1950. No mesmo ano e com o mesmo elenco, mas sem a mesma graça, Minnelli filmaria a continuação, em “O netinho do papai”.

De mocinha casadoira, ela vira a figura trágica no filme de George Stevens “Um lugar ao sol” (1951), praticamente o seu primeiro grande papel dramático. Aqui recordo a cena na sala de bilhar: sozinho e sem conhecidos na festa, esse Eastman pobre (Montgomery Clift) ensaia umas tacadas, quando entra na sala a moça mais cobiçada da cidade, Ângela Vickers (Taylor) – o diálogo é periférico, mas logo a atração mútua toma forma, levando o casal – lamentavelmente – à tragédia.

No ano seguinte Liz seria, ao lado de Robert Taylor, a Rebecca romântica de “Ivanhoe, o vingador do rei”, de que lembro mal.

Vivendo no mundo suiço da música, dividida entre dois pretendentes de igual peso,  John Erickon e Vittorio Gassman, ela não sabe quem escolher em “Rapsódia” (1954) e o pai (Joseph Calhourn) não ajuda muito.

Em “No caminho dos elefantes” (1954), ela é a mocinha inglesa que casa com um plantador de trigo (Peter Finch) e vai viver em pleno Ceilão, à beira de um adultério (Dana Andrews) e de um ataque de… elefantes. O filme é chato e os desempenhos, um desperdício.

Ainda no mesmo ano, ela faz Helen Ellswirth, a personagem do livro inacabado de Scott Fitzgerald, “Babylon revisited”, adaptação cinematográfica mais que livre, que ganhou novo título na tela: “Last time I saw Paris” / “A última vez que vi Paris”. O melhor é música homônima de Jerome Kern.

1956 foi o ano do sucesso estrondoso de “Giant”, adaptação do best-seller de Edna Ferber (no Brasil: “Assim caminha a humanidade), onde atuou com a dupla Rock Hudson e James Dean. Desse filme sobre os conflitos entre Sul e Norte americanos é tanta coisa a lembrar que desisto, e deixo o leitor à vontade. Talvez a cena a lembrar seja Liz cavalgando um garanhão selvagem…

Dois anos depois, vem a filmagem da peça de Tennessee Williams, “Gata em teto de zinco quente” (1958), onde ela faz essa esposa insatisfeita ao lado de um marido aparentemente impotente (Paul Newman) e um sogro mandão (Burl Ives).

No ano seguinte, de novo Tennessee Williams, na adaptação de Joseph Mankiewicz de “De repente no último verão” (1959), estória mórbida sobre lobotomia e derivados, com os grandes Katherine Hepburn e Montgomery Clift.

De “Disque Butterfield 8” (1960) lembro pouco, salvo aquele primeiro longo plano onde uma Liz detonada se mira num espelho por horas a fio, ou assim parece ao espectador impaciente. Foi o seu primeiro Oscar, mas o filme não chegou a convencer.

E chegamos ao seu papel mais célebre, a rainha egípsia de “Cleópatra” (1963), papel de um milhão de dólares, numa superprodução que levou a Fox à falência. Rex Harrison faz um César meio britânico, mas, Richard Burton (como Marco Antônio) e Liz compensam.

 

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