Meus dez

4 abr

Não tem jeito: cinéfilo que se preza adora fazer a sua listinha de filmes preferidos, e o número padrão é dez.

No mundo literário pode ser diferente, mas, no território do cinema, o hábito é tão generalizado que até os profissionais da crítica se entregam a ele, aproveitando para, no cruzamento dos escolhidos por muitos, elegerem os melhores filmes do mundo. A mais prestigiada dessas listas internacionais é a da Revista inglesa “Sight & Sound” que, a cada dez anos, desde 1952, apresenta os dez filmes mais perfeitos já feitos em todos os tempos e espaços, e isto em ordem qualitativa.

Mas, no caso dos espectadores comuns, digo, não-profissionais, ninguém quer saber de perfeição, e as escolhas recaem mesmo sobre o gosto pessoal… e pronto!

Todos, ou quase todos, os meus amigos cinéfilos têm a sua listinha e eu não fujo à regra. A depender do cinéfilo e de suas idiossincrasias, a lista pode ser fixa, imutável, ou pode ser mais ou menos flexível, móvel. No meu caso, acho que fico numa espécie de meio termo: entre os meus dez preferidos, uma parte é fixa e outra vem se modificando com o passar do tempo e do meu processo constante de revisitação fílmica.

Por coincidência, há poucos dias, me caiu nas mãos um número da Revista “A Tela Demoníaca”, onde, no ano do centenário do cinema, 1995, dei entrevista à jornalista Thamara Duarte, e lá ela me cobrava a minha dezena preferida. Pois, cotejando a lista que divulguei à Thamara na época – portanto, dezoito anos atrás – com a atual, a que tenho na cabeça agora, constato o que já disse acima: seis filmes permanecem os mesmos nas duas listas e quatro, saíram para dar lugar a outros. Os que saíram, não porque os ame menos, mas porque outros se impuseram ao meu afeto com maior força, são: “Luzes da cidade”, “Crepúscuplo dos deuses”, “Morangos silvestres” e “Jules et Jim”.

Em ordem cronológica (e não hierárquica), e seguidos de alguns dados da ficha técnica, eis, portanto, a quem interessar possa, a lista atual dos meus dez filmes mais amados.

Casablanca (Idem, 1942), de Michael Curtiz, com Ingrid Bergman e Humprhey Bogart.

1 Casablanca

Desencanto (Brief encounter, 1945), de David Lean, com Celia Johnson e Trevor Howard.

2 brief encounter

A felicidade não se compra (It´s a wonderful life, 1946), de Frank Capra, com Donna Reed e James Stewart.

3 its a wonderful life

Um lugar ao sol (A place in the Sun, 1951) de George Stevens, com Elizabeth Taylor e Montgomery Clift.

4 a place in the sun

Matar ou morrer (High Noon, 1952) de Fred Zinnemann, com Grace Kelly e Gary Cooper.

5 high noon

Janela indiscreta (Rear window, 1954) de Alfred Hitchcock, com Grace Kelly e James Stewart.

6 rear window

Vidas amargas (East of Eden, 1955) de Elia Kazan, com James Dean e Raymond Massey.

7 east of eden

Noites de Cabíria (Le notti di Cabíria, 1957) de Federico Fellini, com Giulietta Masina.

8 le notti di cabiria

Se meu apartamento falasse (The apartment, 1960) de Billy Wilder, com Shirley MacLaine e Jack Lemmon.

9 the apartment

O homem que matou o facínora (The man who shot Liberty Valence, 1962) de John Ford, com Vera Miles e James Stewart.

10 the man...

Como se percebe, não são os filmes mais destacados na história do cinema, e não foram escolhidos pela importância, e sim, por motivos subjetivos. Que motivos são estes, nem eu mesmo sei, e acho que até meu analista – se eu tivesse um – teria dificuldade em dizer. Em uma coisa ao menos creio que todos concordam: a nenhum deles falta qualidade artística. O que deve chamar a atenção do leitor desta matéria são as datas. De fato são filmes antigos, quase todos da primeira metade do Século XX. Nisso sou, sim, um assumido “classicista” que encontra certa dificuldade em empolgar-se com a produção contemporânea.

Uma angústia de quem elabora sua lista é, pressionado pela restrição numérica, ter que deixar de fora tantos filmes maravilhosos. Como pude retirar, da lista anterior, “Crepúsculo dos deuses”? Meu pretexto é que o substituí por outro do mesmo autor, “Se meu apartamento falasse”. Como manter fora filmes como “Aurora”, “O anjo azul”, “Os incompreendidos”, “A balada do soldado” “Rocco e seus irmãos”, “Vidas secas”? Em outras palavras, não dá para escapar do efeito “escolha de Sofia”.

Enfim, os meus dez escolhidos são estes, com tendência – confesso – a tornar-se esta lista imutável a partir de agora.

E você, caro leitor, quais são os dez filmes que você mais ama? Comente esta matéria, apresentando a sua lista. Que tal?

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5 Respostas to “Meus dez”

  1. André Ricardo Aguiar abril 4, 2014 às 4:15 pm #

    João, maravilhosa lista! Aqui vão os meus dez

    Desencanto (Brief enconter, 1945) de David Lean
    A felicidade não se compra (It’s a wonderful life, 1946), de Frank Capra
    Contos da lua vaga (Ugetsu monogatari, 1953) de Kenji Mizoguchi
    Um lugar ao sol (A place in the sun, 1951) de George Stevens
    Noites de Cabíria (Le notti di Cabiria, 1957) de Federico Fellini
    Noites brancas (Le notti bianchi, 1957) de Luchino Visconti
    A canção da estrada (Pather panthali, 1955) de Sayajit Ray
    Se meu apartamento falasse (The apartment, 1960) de Billy Wilder
    A princesa e o plebeu (Roman Holiday, 1953) de William Wyler
    A vida de Brian (Life of Brian, 1979) de Terry Jones.

    Abraços!

  2. Ulisses abril 4, 2014 às 7:39 pm #

    Oi João, vim correndo pra ver se tinha na lista A Mulher de Areia. Você me falou deste filme com tanta paixão. Finalmente consegui ver, bem como outras obras incríveis de Teshigahara. Listas tem de ser feitas a exaustão, ainda mais por quem já viu tantos filmes. Abraço. Ulisses

  3. Jotahah Assunção Fbk abril 4, 2014 às 9:35 pm #

    Caro João Batista, traquinagem sua eleger a ordem cronológia como (des)critério da lista. De modo geral, salvo uma que outra exceção, assino o decálogo. Mas “Luzes da Cidade” pra mim é hors concours. Na minha cegueira crítica, esplende totêmico. Abraço, [Joseh Antonio Assunção]

  4. Helder Pinh eiro abril 5, 2014 às 2:34 am #

    Meu caro João: é sempre bom ler suas reflexões sobre cinema, poesia, etc. Não sou cinéfilo, gosto mais é de teatro. Mas alguns que vc indicou conheço e vou tentar ver os outros. Abraço e saudade,
    Hélder

  5. Wellington Modesto abril 12, 2014 às 9:17 pm #

    Na minha lista não deixariam de figurar Relíquia Macabra, de John Huston; Amnésia, de Christopher Nolan; Caráter, produção holandesa cujo diretor eu não lembro; Matar ou Morrer, de Fred Zinneman; Match-Point, de Woody Allen; O Idiota, de Akira KurosawaCoppola; Lavoura Arcaica, de Luís Fernando Carvalho; Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson; Coração Satânico, de Allan Parker e A Lista Branca, de Michael Haneke. É claro que essa lista está sujeita a alterações.

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