Cinquentões em 2016

8 jan

 

Neste 2016 que começa, que filmes estarão completando idade redonda? Sugiro que retrocedamos meio século e chequemos aqueles que vão ser os cinquentões do ano, ou seja, os estreados em 1966.

São muitos, mas fiquemos com os mais significativos, no caso, os dezesseis que tomei a liberdade de selecionar pela importância que tiveram na década de sessenta. Por falta de melhor critério, listo-os na ordem alfabética de seus diretores.

Assim, começamos com o italiano Michelangelo Antonioni e o seu ainda hoje perturbador “Blow up”, no Brasil chamado de “Depois daquele beijo”. Rodado na Inglaterra, o filme usava o nonsense para desconstruir um gênero, o policial.

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Em seguida, vem o sueco Ingmar Bergman com o seu impactante “Persona”, drama psicológico que marcou e definiu o estilo do diretor. No Brasil, outra reintitulação equivocada: “Quando duas mulheres pecam”.

No modelo ação a todo custo, o americano Richard Brooks roda “Os profissionais”, onde Burt Lancaster, Lee Marvin e Robert Ryan são os durões contratados para resgatar a esposa sequestrada (Claudia Cardinale) de um figurão.

O também americano John Frankenheimer comparece com essa estória sombria sobre uma cirurgia plástica secreta que concederia ao cidadão a chance de mudança de identidade: “O segundo rosto” (“Seconds”). Rock Hudson é o cirurgiado que apaga o passado.

Paul Newman e Julie Andrews em "Cortina rasgada"

Paul Newman e Julie Andrews em “Cortina rasgada”

O filme do ano de Jean-Luc Godard não é dos mais badalados nem dos melhores. Em postura francamente existencialista “Masculino/Feminino” junta um bando de jovens num apartamento, discutindo o sentido, ou a falta de sentido, da vida.

“Cortina rasgada” (“Torn curtain”) é o contributo de Alfred Hitchcock para o dilema do Muro de Berlim. Paul Newman é o cientista americano enviado ao lado oriental da cidade, seguido, sem o saber, pela esposa curiosa, Julie Andrews.

O francês Claude Lelouch ganha o Oscar de filme estrangeiro com o singelo “Um homem, uma mulher” (“Um homme, une femme”), em que, ao meio de referências musicais ao Brasil, Jean-Louis Trintingnat e Anouk Aimée fazem um par de viúvos que se apaixonam.

"Um homem, uma mulher: Trintignant e Aimée.

“Um homem, uma mulher: Trintignant e Aimée.

Sérgio Leone engendra o seu terceiro título no modelo “faroeste espaguete”: “Três homens em conflito” (“Il buono, Il bruto, Il cativo”), com o trio Clint Eastwood, Eli Wallach e Lee Van Cleef, e, naturalmente, a bela música de Ennio Morricone.

Já Joseph Losey surpreende com “Modesty Blaise”, comédia amalucada, do tipo James Bond de saia, em que as estrelas da época, Monica Vitti, Terence Stamp e Dick Bogarde, não têm receio de enfrentar o ridículo.

Promovendo a estreia de Candice Bergen, Sidney Lumet nos dá “O grupo” (“The group”), estória de mulheres que lutam por afirmação profissional, lá pelos anos trinta. Baseado no romance da escritora Mary MacCarthy.

Liz Taylor em "Quem tem medo de Virginia Woolf?" de Mike Nichols.

Liz Taylor em “Quem tem medo de Virginia Woolf?” de Mike Nichols.

“Quem tem medo de Virginia Woolf?” (“Who is afraid of Virginia Woolf?”) é a estreia de um jovem e promissor diretor, Mike Nichols. Baseado na peça de Edward Albee, o filme trata de conflitos conjugais em que se misturam alcoolismo e agressão. O desempenho elogiado de Elizabeth Taylor lhe deu o Oscar de melhor atriz.

Um filme forte sobre linchamento, racismo, adultério, e poder é “Caçada humana” (“The chase”) onde Marlon Brando faz o sherif em uma cidade sulista nada tranquila. Direção segura de Arthur Penn.

Com “A batalha de Argel” (“La Battaglia di Algeri”), Gillo Pentecorvo nos oferece um relato duro e imparcial do que teria sido a luta pela independência na Argélia, contra o domínio francês.

Oskar Werner, o policial lendo, em "Farenheit 451".

Oskar Werner, o policial lendo, em “Farenheit 451”.

Filmando o romance de Ray Bradbury, o diretor francês François Truffaut reporta-se a uma sociedade futura em que os livros são proibidos e devem ser queimados na temperatura de “Farenheit 451”. Oskar Werner é o policial que entra em crise após haver lido alguns dos livros a serem queimados.

Do mestre Billy Wilder vem uma comédia modesta, “Uma loura por um milhão” (“The fortune cookie”), sobre uma farsa para burlar o sistema de indenização por um acidente de trabalho. É a inauguração da dupla Jack Lemmon e Walter Mattheau, que depois deste, tantos filmes fariam juntos.

E por fim, fechamos a lista com “O homem que não vendeu sua alma” (“A man for all seasons”), realização brilhante do grande Fred Zinnemann, que arrebanhou nada menos que cinco Oscars, inclusive os três mais importantes, de melhor filme, melhor diretor, e melhor ator para Paul Scoffield, no papel título de Thomas More, em sua luta insubmissa contra o rei Henrique VIII, na Inglaterra do século XVI.

A cara da década de sessenta: "Persona".

A cara da década de sessenta: “Persona”.

 

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4 Respostas to “Cinquentões em 2016”

  1. joedson janeiro 8, 2016 às 1:48 pm #

    vários grandes filmes, destes fico o 3 homens em conflito que ainda é pouco valorizado, mesmo dentro da obra do leone da qual muitos preferem era uma vez no oeste, mas eu prefiro o bom o mau e o feio, um épico cômico, o melhor faroeste empatado com rastros de ódio. agora faltou o melhor de todos e não só de 66 e sim de sempre: andrei rublev de andrei tarkovski, épico de todas as rússias e lírico de todos os artistas

  2. Fernando Trevas janeiro 8, 2016 às 2:21 pm #

    Que ano!

    Só senti falta do cinema latino-americano. Talvez a sarcástica comédia “A Morte de um Burocrata”, de Tomaz Gutierrez Alea.

    Acho que o gerente do Municipal iria “pirar”. rsrsrs

    Abraço,

    Fernando

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