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NAMORADOS CLÁSSICOS

12 jun

Para ver, ou rever, neste 12 de junho, aqui menciono – pelos nomes dos atores – 10 casais de namorados em filmes que marcaram a história do cinema no período clássico. Mas, cuidado, nem todos os namoros tiveram final feliz.

 

Elizabeth Taylor e Montgomery Clift em UM LUGAR AO SOL, 1951

Debbie Reynolds e Gene Kelly em CANTANDO NA CHUVA, 1952

Doris Day e Frank Sinatra em CORAÇÕES ENAMORADOS, 1954

Betsy Blair e Ernest Borgnine em MARTY, 1955

Natalie Wood e James Dean em JUVENTUDE TRANSVIADA, 1955

Kim Novak e William Holden em FÉRIAS DE AMOR, 1956

Shirley Jones e Pat Boone em PRIMAVERA DE AMOR, 1957

Deborah Kerr e Cary Grant em TARDE DEMAIS PARA ESQUECER, 1957

Sandra Dee e Troy Donahue em AMORES CLANDESTINOS, 1959

Natalie Wood e Richard Beymer em AMOR SUBLIME AMOR, 1961

 

Na foto: Sandra Dee e Troy Donahue em “Amores Clandestinos” (“A Summer place”), drama familiar de Delmer Daves que deu o que falar em sua época. Localmente exibido sob rigorosa censura no saudoso Cine Plaza, hoje passaria na Sessão da Tarde.

 

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DIA DA IMPRENSA

1 jun

No DIA DA IMPRENSA, primeiro de junho, dez filmes clássicos sobre profissionais da área: proprietários de jornais, editores, repórteres, jornalistas, colunistas sociais, etc.

 

A PRIMEIRA PÁGINA, de Lewis Milestone, 1931, com Adolphe Menjpu e Pat O´Brien.

ACONTECEU NAQUELA NOITE, de Frank Capra, 1934, com Clark Gable e Claudette Colbert.

JEJUM DE AMOR, de Howard Hawks, 1940, com Cary Grant e Rosalind Russell.

CORRESPONDENTE ESTRANGEIRO, de Alfred Hitchcock, 1940, com Joel McCrea e George Sanders.

ADORÁVEL VAGABUNDO, de Frank Capra, 1941, com Barbara Stanwyck e Gary Cooper.

CIDADÃO KANE, de Orson Welles, 1941, com Orson Welles e Joseph Cotten.

A MONTANHA DOS SETE ABUTRES, de Billy Wilder, 1951, com Kirk Douglas e Jan Sterling.

A HORA DA VINGANÇA, de Richard Brooks, 1952, com Humphrey Bogart e Ethel Barrymore.

A EMBRIAGUEZ DO SUCESSO, de Alexander MacKendrick, 1957, com Burt Lancaster e Tony Curtis.

UM AMOR DE PROFESSORA, de George Seaton, 1958, com Clark Gable e Doris Day.

 

Na foto: Barbara Stanwyck e Gary Cooper no comovente “Adorável vagabundo” (“Meet John Doe”).

Racismo no cinema clássico – dez filmes que o denunciaram

26 mar

21 de março é o dia instituído pela ONU como o Dia Internacional da Luta contra a Discriminação Racial. Nesta data, postamos na nossa página do Facebook matéria sobre o racismo nos Estados Unidos e como ele foi tratado em dez filmes clássicos, matéria que aqui reproduzimos. Seguem portanto, os nomes dos filmes que denunciaram o preconceito racial, com dados de suas fichas técnicas e breve resumo do enredo:

 

O QUE A CARNE HERDA (Elia Kazan, 1949). Moça afro-descendente, de cor clara, se apaixona por médico branco e sofre as consequências. Com Jeanne Crain.

FRONTEIRAS PERDIDAS (Alfred Werker, 1949).  Médico afro-descendente, de cor alva, é nomeado para trabalhar em cidade pequena e racista. Com Mel Ferrer.

ACORRENTADOS (Stanley Kramer, 1958). Algemados um ao outro, dois presidiários escapam da prisão: com o detalhe de que um é negro e o outro branco. Com Tony Curtis.

IMITAÇÃO DA VIDA (Douglas Sirk, 1959). Filha de empregada de cor, criada em família de brancos, quer passar por branca… e não consegue. Com Susan Kohner e Lana Turner.

HOMENS EM FÚRIA (Robert Wise, 1959). Três homens, um dos quais negro, tentam um assalto a banco. Com Harry Belafonte, Robert Ryan e Ed Begley.

AUDAZES E MALDITOS (John Ford, 1960). Sargento de cor é acusado de estupro, porém, o verdadeiro autor do crime não tem sua cor. Com Woody Strode.

O SOL É PARA TODOS (Robert Mulligan, 1962). No Sul dos Estados Unidos, o estupro de uma moça branca lança suspeitas sobre um empregado negro… Com Gregory Peck.

CRISIS (Robert Drew, 1963). Documentário sobre o caso da Universidade do Alabama,  cujo reitor e governador do estado se põem na entrada do campus para impedir o ingresso de dois estudantes negros.

NO CALOR DA NOITE (Norman Jewilson, 1967). Jovem policial nortista é enviado a uma cidade do Sul cujos habitantes não gostam de sua cor. Sidney Poitier.

ADIVINHE QUEM VEM PARA JANTAR (tanley Kramer, 1967). Família classe média americana recebe futuro genro, rapaz de cor…. e o drama está dado. Spencer Tracy, Catherine Hepburn, Sidney Poitier.

 

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Jeanne Crain e Ethel Waters em O QUE A CARNE HERDA, 1949.

 

Sobre este blogue

9 abr

Criado no final de 2011, este blogue já completou seis anos de funcionamento ininterrupto, e até agora, só tem me dado satisfações. E aproveito para agradecer aos seus seguidores, os fiéis e os acidentais, os conhecidos e os anônimos.

Como constatam todos os que o acessam, alimento-o semanalmente com artigos, crônicas, ensaios ou matérias jornalísticas sobre cinema, e eventualmente literatura, textos diversos a que tem acesso um número grande, e cada vez maior, de leitores. Estou a par do número de acessos porque o vasto Quadro de Estatísticas do WordPress generosamente me informa, toda vez que consulto a mais que providencial parte administrativa do blogue.

Mas, se está tudo indo tão bem, qual a necessidade de escrever sobre este blogue? Vaidade? Falta de assunto? Nada disso.

Ocorre que as estatísticas diárias do WordPress – aquelas que me dão os números de acessos ao blogue no Brasil e no mundo – estão, de uns tempos pra cá, me intrigando um bocado. Vou explicar.

De início, digo, três ou quatro anos atrás, achei curioso que um blogue escrito em língua portuguesa (há apenas cinco ou seis postagens em Inglês) fosse acessado por praticamente todos os países do mundo. Só que, compreensivelmente, estes eram acessos em pequeno número, em muitos casos, uma única vez, ou duas ou três vezes.

Imaginei na ocasião que a coisa ocorresse assim: uma pessoa, digamos, na Ucrância, ou na Suécia, ou na Indonésia, caía no meu blogue meio por acaso, passava a vista, não entendia a língua e… desaparecia, para não mais voltar. Ou eventualmente voltava, uma ou duas vezes, se se tratasse de um brasileiro residente nesses países.

Normal era – e é – que o número maior de acessos estrangeiros viesse de países lusófonos, como Portugal, Moçambique, Angola, etc… Também normal sempre me pareceu que um número razoável de acessos – digamos, em torno de 4 a 6 por dia – viesse de países como Inglaterra, França, Itália, Estados Unidos e Canadá, como se sabe, países com um número considerável de residentes de origem brasileira.

Claro que era do Brasil o maior número de acessos, entre 70 a 90 por dia, fato que sempre me deu muita alegria – a constatação de estar sendo lido, no meu país, por tanta gente de forma tão sistemática.

Eu usei o verbo no passado quando disse que o número de acessos brasileiros “era” o maior de todos; sim, eu disse “era” por que não é mais. E é aí que começa a minha dificuldade em entender o que está acontecendo.

Vejam bem, de uns dois ou três anos para cá, os acessos diários vindos dos Estados Unidos começaram a crescer, chegando a alcançar, em média, um terço dos acessos brasileiros. E não ficou aí. O número de acessos diários a meu blogue vindos dos Estados Unidos, foi crescendo mais e mais, e este ano, desde janeiro, já ultrapassou os acessos diários brasileiros de uma forma, para mim, inexplicável e assombrosa. Aqui forneço alguns dados transcritos do mais que confiável Quadro de Estatísticas do WordPress. Aleatoriamente, tomei o exemplo de três dias deste mês de março em que estamos.

 

Dia 15: acessos brasileiros: 74; acessos americanos: 182.

Dia 27: acessos brasileiros 100; acessos americanos: 151.

Dia 29: acessos brasileiros: 55; acessos americanos: 137.

 

As estatísticas para o mês inteiro de março são as seguintes: 2.978 acessos vindos do Brasil, contra 4.655 acessos vindos dos Estados Unidos. Como se nota, não está muito longe de os acessos americanos duplicarem os brasileiros.

Em suma, por que os americanos estão acessando Imagens Amadas – um blogue, repito, redigido em língua portuguesa – bem mais que os brasileiros? Seriam esses acessos feitos por brasileiros residentes nos Estados Unidos? Ainda que assim fosse, é estranho supor que algumas comunidades brasileiras em território americano, superem, em número de acessos, um país inteiro, o Brasil.

Como as estatísticas do WordPress só informam os países de onde os acessos se originam, e nada mais (não sei, por exemplo, que estados americanos me acessam, e muito menos que cidades…), nada me resta fazer, a não ser o registro de minha curiosidade e admiração, para não dizer perplexidade…

Ficaria, sim, muito grato se, americano ou brasileiro, algum seguidor de Imagens Amadas nos Estados Unidos, ao ler esta matéria, fizesse o obséquio de me contatar, aqui mesmo, neste blogue, informando sua cidade e, se for o caso, a forma como descobriu o meu blogue e por que o segue. Antecipadamente, agradeço.

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Café Alvear

10 ago

Tarde fria de agosto. Vento forte lá fora e eventual neblina. A sesta já feita, na rede como sempre, vontade de ver um filme, ou ler um livro. Qual dos dois? Sem convicção, me levanto e, hesitante, espio em torno de minhas estantes, e o acaso decide por mim.

Bem na minha cara, cobrando leitura havia dias, o “Café Alvear” do mestre Gonzaga Rodrigues, a cujo lançamento compareci e deixei para ler em momento propício. Tarde fria de agosto: há momento mais propício para ler Gonzaga Rodrigues? Volto à rede, abro o livro e não paro mais.

De repente, estou na João Pessoa dos anos cinquenta, no antigo Café do Ponto de Cem Réis, em companhia de figuras que fizeram a vida jornalística, cultural, intelectual e política da Paraíba e/ou do Brasil, figuras que só conheci de nome, ou, alguns, sequer de nome.

Quase sempre (auto)descrito como modesto coadjuvante, Gonzaga está lá, ainda bem. Mas não só como personagem, digo, Gonzaga está lá, com seu estilo original, peculiar, elegante, atraente, saboroso, poético. O estilo, afinal de contas, a que estamos acostumados há tanto tempo, e que continuamos amando, como se ama, a vida inteira, um ente querido.

O cronista maior Gonzaga Rodrigues.

O cronista maior Gonzaga Rodrigues.

Esforço de memorialista, o livro reconstitui uma época, com suas paisagens, seus episódios e seus vultos, tudo verídico e tudo sincero. Esse é um dos prazeres que nos proporciona. O outro é o de só chegarmos lá pelo viés poético do narrador/descritor. Mas não façamos rupturas: o conjunto das duas coisas é o que nos encanta, e o que dá personalidade a um livro de crônicas.

Autônomas, as crônicas podem ser lidas fora de ordem, porém, na organização do índice, chega a haver uma cronologia intencional que o leitor acompanha com interesse. Do governo de Getúlio à Ditadura de 64, do tempo local de José Américo governador da Paraíba à data de sua morte, segue-se um roteiro elástico e móvel que abrange tanto os acontecimentos históricos propriamente ditos, como os estritamente autobiográficos.

Na maior parte das vezes o histórico e o biográfico se fundem de forma inconsútil e tocante. Para dar um só exemplo, um caso assim é o da crônica “Brahms, Brahms, Brahms” em que Gonzaga magistralmente trata do suicídio do presidente Getúlio Vargas e sua repercussão local e bem pessoal, fechando o texto com a frase lapidar: “O sol daquela hora começava a incomodar. Era noite em todos nós.”

Como admitido pelo autor no capítulo inicial que explica o título, o livro foi montado a partir de crônicas que deviam refazer a memória política e cultural do próprio Gonzaga.

Sempre Gonzaga...

Sempre Gonzaga…

E, contudo, é tocante como o espaço concedido ao alheio é enorme – grande lição de alteridade. Com efeito, os muitos personagens da vida pessoense – políticos, empresários, funcionários públicos, militantes, colegas de trabalho, amigos ou meros conhecidos, até desafetos – tomam às vezes conta da diegese e como que “apagam” o nosso Gonzaga, na maior parte dos casos, humildemente posto em posição de mera testemunha. Apagariam, se – para o leitor – o estilo do narrador não o mantivesse em primeiríssimo plano.

Dentre os vultos locais recriados, confesso que o que mais me tocou foi o retrato de Juarez da Gama Batista, “o magro de olhos poderosos” que dirigiu o jornal “A União” ao tempo em que Gonzaga lá começava sua carreira de jornalista. Tocou-me particularmente porque esse eu conheci mais de perto, quando o tive como professor de literatura na UFPB. O que dele diz Gonzaga casa com o que presenciei no eventual convívio que tive com Juarez, não apenas grande professor, mas homem fino e atencioso que trocava figurinhas literárias comigo nos corredores da FAFI, onde falávamos dos autores que amávamos, um deles lembro bem, Aldous Huxley. Eu tinha lido “Time must have a stop” que Juarez, profundo conhecedor de Huxley, por acaso não conhecia e a conversa foi longe e abriu porteiras para outros assuntos.

Mesmo quando é protagonista da crônica, notem que Gonzaga nunca aparece como herói. Seus momentos de glória – que na vida os teve, sim – não aparecem. Nesse aspecto, uma crônica sintomática – aliás, bela crônica – narra o dia do Golpe Militar, que vai encontrar o comunista Gonzaga no Hospital havia quatro meses, acometido de tuberculose. “Da janela do hospital”, ele vê, ou melhor, ouve tudo acontecer, impotente, mas, ao mesmo tempo, protegido pela sua condição de paciente grave. Densa narração cheia de medos e culpas…

No lançamento de "Café Alvear", com o autor e amigos.

No lançamento de “Café Alvear”, com o autor e amigos.

Talvez no espírito do “poema em linha reta” de Fernando Pessoa, quase sempre os papéis a ele reservados por ele mesmo são problemáticos, tensos, sofridos, e mesmo patéticos, como naquele incidente em que, encarregado de, pela primeira vez, entrevistar um figurão em uma mansão da João Machado, ridiculamente vestido com paletó de tamanho maior que seu corpo então franzino, tomba do pufe onde estava sentado e espalha seus papéis pelo piso da sala, entre os sapatos dos visitantes – para quem visualiza seu relato, verdadeiro Carlitos, fazendo comédia sem querer.

Enfim, ao fechar as páginas de “Café Alvear” a noite tinha chegado e me espojei na rede, ainda saboreando a leitura, feliz de viver numa cidade em que Gonzaga Rodrigues, com seu enorme talento de cronista, escondido por trás de sua folclórica modéstia, pontifica.

O vento passara, mas a chuva persistia. Ergui-me da rede e fui tomar a minha habitual taça de vinho antes da janta… desta vez com um brinde a Gonzaga, claro.

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Dia do beijo

13 abr

 

Hoje, 13 de abril, é o Dia do Beijo.

Um ano atrás, nesta data, postei neste blog matéria sobre o assunto, que se quiser você pode ler, digitando no Buscador acima o seu título, que foi “Beijos, beijos, beijos…”.

Desta vez não há texto. Apenas fotos. Fotos de quinze beijos cinematográficos. Clássicos, naturalmente.

Para não ficar monótono, achei que seria legal fazer uma brincadeira, uma espécie de quiz. Assim, abaixo de cada foto, cito os nomes dos beijantes, e deixo ao leitor a tarefa de identificar os filmes, estes dispostos em ordem cronológica de lançamento, todos sucessos dos anos quarenta, cinquenta e sessenta.

Se quiser participar, você pode responder na seção de COMENTÁRIOS. Para facilitar a forma de responder, as fotos estão numeradas.

QUE FILMES SÃO ESTES?

 

foto 1

Vivien Leigh e Robert Taylor, 1940.

Vivien Leigh e Robert Taylor, 1940.

foto 2

Ingrid Bergman e Humphrey Bogart, 1942.

Ingrid Bergman e Humphrey Bogart, 1942.

foto 3

Barbara Stanywick e Fred MacMurray, 1944.

Barbara Stanywick e Fred MacMurray, 1944.

foto 4

Lauren Bacall e Humphrey Bogart, 1944.

Lauren Bacall e Humphrey Bogart, 1945.

foto 5

Ingrid Bergman e Cary Grant, 1946.

Ingrid Bergman e Cary Grant, 1946.

foto 6

Elizabeth Taylor e Montgomery Clift, 1951.

Elizabeth Taylor e Montgomery Clift, 1951.

foto 7

Audrey Hepburn e Gregory Peck, 1953.

Audrey Hepburn e Gregory Peck, 1953.

foto 8

Deborah Kerr e Burt Lancaster, 1953.

Deborah Kerr e Burt Lancaster, 1953.

foto 9

Audrey Hepburn e Humphrey Bogart, 1954.

Audrey Hepburn e Humphrey Bogart, 1954.

foto 10

Elizabeth Taylor e Van Johnson, 1954.

Elizabeth Taylor e Van Johnson, 1954.

foto 11

Debotah Kerr e Cary Grant, 1957.

Debotah Kerr e Cary Grant, 1957.

foto 12

Kim Novak e James Stewart, 1958.

Kim Novak e James Stewart, 1958.

foto 13

Anita Ekberg e Marcelo Mastroiani, 1960.

Anita Ekberg e Marcelo Mastroiani, 1960.

foto 14

Audrey Hepburn e George Peppard, 1961.

Audrey Hepburn e George Peppard, 1961.

foto 15

Sophia Loren e Marcelo Mastroiani, 1964.

Sophia Loren e Marcelo Mastroiani, 1964.

Lupicínio Rodrigues (1914-1974)

16 set

 

Neste 16 de setembro, terça-feira, comemora-se o centenário de nascimento de um dos maiores compositores da Música Popular Brasileira, Lupicínio Rodrigues (1914-1974).

A data me deixou pensando no quanto o compositor gaúcho faz parte do meu imaginário musical.

Na verdade, a minha curtição de Lupicínio tem três etapas.

Na infância, anos cinquenta, eu ouvia suas músicas e não fazia ideia de quem fosse o cantor ou compositor. Ouvia no rádio caseiro ou nas amplificadoras do bairro… gostava e pronto.

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Dessa época remota a que mais lembro é “Nervos de aço”, cujo nome eu evidentemente desconhecia. De tanto ouvir, fiquei familiarizado com a letra, que começava com uma pergunta que parecia formal, mas não era: “Você sabe o que é ter um amor, meu senhor?” E em seguida vinha a narração da mais triste estória de amor, a qual acabava com “um desejo de morte ou de dor”.

A segunda etapa começou quando, já adulto, tomei conhecimento do nome do autor daquelas canções que ouvia na infância. Como eram, quase todas, canções ambientadas num cenário urbano, envolvendo figuras boêmias e muitas aventuras amorosas, fiquei achando – e, confesso envergonhado, mantive o engano por muito tempo – que Lupicínio Rodrigues fosse carioca. Acho que reforçava meu engano o fato de que intérpretes do Rio de Janeiro gravavam com assiduidade suas composições, a exemplo de Elza Soares, fazendo sucesso com “Se acaso você chegasse”, e tantos outros.

Só bem mais tarde (a terceira etapa) é que fiquei sabendo que o compositor era gaúcho de Porto Alegre, cidade onde residiu a vida inteira. Aí passei a me interessar pela sua pessoa e, com a ajuda da internet, me entreguei a uma pesquisa extensiva sobre sua vida e sua obra.

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Nascido muito pobre, Lupicínio, jovem, negro e feioso, foi bedel na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Serviu o exército mas, claro, preferia cantar a marchar ou atirar. Quando suas composições começaram a ser aceitas pelas gravadoras e fazer sucesso, foi que tornou-se um arremedo de empresário, dono de bares e churrascarias que abriam e fechavam ciclicamente, mas que se coadunavam com o clima de dramas de amor de suas letras.

Uma canção que ilustra bem esse clima é “Vingança”, que já começa assim: “Eu gostei tanto / tanto quando me contaram / que lhe encontraram bebendo e chorando / numa mesa de bar / E que quando os amigos do peito por mim perguntaram / um soluço cortou sua voz / não lhe deixou falar…”

Sim, essas letras – sabe-se hoje – refletiam estórias verídicas, vividas na carne e no osso pelo compositor, cheias de abandonos, traições e sofrimentos, as chamadas “dores de cotovelo”, expressão esta que teria sido – dizem – invenção sua. Se foi ou não, o fato é que as dores de cotovelo de suas canções tinham qualidade musical, o que nem sempre pode ser dito de seus muitos seguidores.

Mas, quem melhor conta a relação entre vida e criação é ele mesmo, em shows que, afortunadamente, ficaram registrados pela mídia.

Num desses shows, ele relata com graça e muita ironia que, no começo de carreira, foi vítima de um golpe baixo de uma amante que o trocou por outro. A dor que sentiu transformou em música, a qual foi gravada e fez um enorme sucesso. Com o dinheiro ganho, comprou um carro. Um segundo golpe baixo de outra mulher lhe possibilitou nova música, com o lucro da qual, comprou um bar. Veio um terceiro golpe, e ele comprou um sítio… e assim, de golpe em golpe, ele foi fazendo fortuna, até ficar rico.

Ao falecer, deixou quase 150 canções gravadas, todas sucessos da MPB. Para não citar todas, seleciono pelo menos sete títulos clássicos que o leitor com certeza, ou conhece muito bem, ou já ouviu em algum lugar:

 

Cadeira vazia

Ela disse-me assim

Esses moços, pobre moços

Foi assim

Nervos de aço

Se acaso você chegasse

Vingança

 

Agora me dou conta: uma coisa que ainda não foi feita foi um filme sobre a vida de Lupicínio Rodrigues. Bem, ainda está em tempo. Que tal, Jorge Furtado?

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