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“Duelo de titãs” no Arte 1

14 ago

Assisti a “Duelo de titãs” (“Last train from Gun Hill, 1959, de John Sturges) pela primeira vez em torno de 1960, no Cine Sto Antonio, e, fã de faroestes, junto com a garotada toda de Jaguaribe, torci feito louco pra Kirk Douglas sair ileso da briga com Anthony Quinn e seus malfeitores.

Hoje, quase sessenta anos depois, o vejo exibido na televisão, com a rubrica “cineclube”, num canal chamado Arte 1, que, como o nome diz, só exibe obras artísticas de alto nível.

O tempora, o mores… Naquela época de sua estreia local, jamais “Duelo de titãs” seria considerado arte. Jamais seria mostrado, por exemplo, no “Cinema de arte” do Cine Municipal, cuja programação era selecionada pela Associação de Críticos Cinematográficos da Paraíba. Afinal, “Duelo” era só um faroeste hollywoodiano, mais um – cinema comercial, feito pra entreter a gurizada.

Hoje no Canal Arte 1, ele é arte, sim, senhor. O reconhecimento demorou sessenta anos, mas valeu.

De minha parte, confesso que me sinto bem em perceber que, nos meus treze anos de idade, eu já intuía que “Duelo de titãs” era tão bom, ou melhor, que alguns dos petardos vanguardistas que nos atingiam, vindos da Europa, e que os críticos locais tanto elogiavam.

Uma experiência maravilhosa, revê-lo agora só confirma o que eu sempre soube. Com um elemento adicional: o filme de Sturges confirma uma tese que defendo – sempre defendi – o de que, ao contrário do que julgam algumas feministas – o gênero faroeste deu um papel mais que destacado às mulheres.

Vejam o papel dessa Linda (a ótima Carolyn Jones) na estória toda. Na pequena Gun Hill, ela é só uma mulher de vida mais ou menos fácil, ex-amante do chefão Craig Belden (Anthony Quinn), mais respeitada pelos marmanjos locais por essa relação que por outra razão. E, no entanto, correndo todos os riscos do mundo, é ela a única no local a ajudar o enrascado Matt Morgan (Kirk Douglas), que veio da cidade vizinha com uma missão impossível: prender o filho do Chefão Belden, de quem era amigo de longas datas.

O imbróglio é o seguinte. Dias atrás, uma mulher fora estuprada e morta numa estrada deserta. Índia de origem, acontece que essa mulher era ninguém menos que a esposa de Matt Morgan, Xerife da cidade. Depois de alguma busca, Morgan descobre que o culpado era filho de Craig Belden, seu amigo do passado, hoje um poderoso dono de terras e gentes na vizinha Gun Hill. O que faz? Toma o trem para Gun Hill, disposto a impor a lei.

É claro que o amigo protesta, e não só isso, monta um esquema para impedir a prisão do filho. De todo jeito, o rapaz é capturado por Morgan e, devidamente algemado, é conduzido a um quarto de hotel, onde, amarrado ao leito, com Morgan de seu lado, deve esperar o último trem que deixa Gun Hill… com destino à forca. Lembrar que, no original, o título do filme é justamente “Last train from Gun Hill” (´o último trem de Gun Hill´).

Com praticamente a cidade inteira armada contra ele, é improbabilíssimo que Morgan consiga a proeza de, carregando o seu prisioneiro, tomar o trem. É aí que entra a participação de Linda. Mas não dá pra contar o resto do enredo. Lembro só a cena em que ela, furtando a espingarda no balcão do hotel, esconde-a debaixo de suas muitas saias e sobe as escadas, decidida a ajudar esse quase desconhecido que ela, por razões óbvias, admira, e sofrer todas as consequências.

O filme é narrado num ritmo apropriadamente acelerado, com um fato seguindo o outro de modo lógico, no melhor estilo fluente da chamada “decupagem clássica”. Sem ser propriamente um mestre, Sturges era um artesão experiente que sabia tirar emoção, tanto da ação, como dos jogos psicológicos que um diálogo inteligente e ferino enriquecia.

Toda a sequência, por exemplo, no quarto do hotel onde estão Morgan e seu prisioneiro é uma lição de cinema que está, plasticamente, no uso do espelho do guarda-roupa para ver o corredor e a escadaria, e, verbalmente, no embate oral entre os dois personagens, aquele primeiro, por exemplo, fazendo para o outro, a longa e horripilante descrição psico-fisiológica de como será sua morte no cadafalso.

Enfim, vamos ao Arte 1, que só mostra arte!

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Anthony Quinn

22 out

Neste 2015, se vivo fosse, Anthony Quinn teria completado cem anos de idade. Acho que o fato merece nota e convido o leitor a recordar esse que foi um dos maiores atores do Século XX.

E começo com Umberto Eco. Falando de rostos em um de seus “Diários Mínimos”, Eco relata que estava um dia em Nova Iorque, numa beira de calçada apinhada, tentando atravessar a rua, quando estira a cabeça para um lado e, lá adiante, divisa o rosto de uma pessoa que fizera o mesmo. Era o rosto de um desconhecido, que, no entanto, lhe pareceu incrivelmente familiar. Segundos adiante, a rua atravessada, lhe cai a ficha: era o rosto de Anthony Quinn, tão perdido no meio da multidão quanto ele.

O teórico da semiótica e o ator de cinema nunca se conheceram, mas, quem é que, tendo vivido o Século XX, não retém na mente as feições de Anthony Quinn?

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Esse mexicano, descendente de irlandês pelo lado paterno, nasceu em Chihuahua, em 21 de abril de 1915. Durante a revolução mexicana seu pai foi soldado de Pancho Villa, mas, finda a revolução, em situação financeira difícil, a família muda-se para Los Angeles, onde o pai vai trabalhar de cameraman nos Studios Selig. Acompanhando o pai no trabalho, chega a conhecer e ficar amigo de mitos do faroeste primitivo, como Tom Mix.

Contudo, não foi nessa época que o cinema o pegou. Órfão aos nove anos, Quinn teve que lutar pela sobrevivência em muitos sub-empregos, como pregador de rua, magarefe, açougueiro e, mais tarde, boxeur. Tentou a escola, sem muito sucesso, e só muito tempo depois, já adulto feito, experimentou um curso de arquitetura.

No cinema começou em pontas, geralmente no papel de índio em filmes faroeste. Ao desposar, em 37, a filha do afamado diretor Cecil B. DeMille, sua carreira toma rumo mais regular, apesar de o sogro nunca ter simpatizado com seu lado latino. Para se ter uma idéia, até 1947, aos 32 anos, Quinn ainda era um imigrante mexicano, sem cidadania americana.

Seu prestígio de ator só veio mesmo nos anos cinquenta, depois de ter passado pela Broadway, onde impôs um nome, substituindo Marlon Brando no papel de Kowalski na peça “Um bonde chamado desejo”. O sucesso teatral de Quinn criou uma rivalidade entre Brando e ele, e contam que foi motivado por essa rivalidade que o cineasta Elia Kazan colocou os dois juntos em “Viva Zapata” (1952), filme que deu a Quinn o seu primeiro Oscar.

Quinn em "Vida Zapata" (Kazan, 1952)

Quinn em “Vida Zapata” (Kazan, 1952)

Depois disso vai morar na Itália, onde vem a filmar o felliniano “La strada” (1954). A rigor, fica revezando-se entre Europa e América, mas sua preferência era clara. “Na Europa um ator é um artista; em Hollywood, se você não estiver trabalhando é chamado de vagabundo”: chegou a desabafar. Um exemplo típico dessa mistura de continentes está em “Sede de viver” (1956), filme hollywoodiano sobre Van Gogh, onde ele faz o papel de Gauguin, e arrebata o seu segundo Oscar.

Foi essa internacionalização profissional que o levou ao ápice de sua carreira, no início dos anos sessenta, com sua inesquecível participação em “Lawrence da Arábia”, e no que até hoje é o seu filme mais cultuado pelos cinéfilos: “Zorba, o grego” (1964).

Nenhum ator de cinema americano revezou tão bem papéis principais e de coadjuvante, mas, a mim, o que me ocorre é que ninguém assumiu, na tela, tantas nacionalidades diferentes. Repassem a extensa carreira de Quinn (cerca de 137 filmes) e confiram suas muitas etnias fílmicas: esquimó, índio, mongol, ucraniano, huno, espanhol, francês, italiano, irlandês, americano, judeu, havaiano, grego, filipino, inglês, chinês, basco, árabe, e, naturalmente… mexicano.

No felliniano "La strada" (1954)

No felliniano “La strada” (1954)

Para fechar a homenagem, faço seguir, sem contar os filmes já mencionados no texto, uma lista de dez títulos em que Anthony Quinn, como ator principal ou coadjuvante, brilhou:

 

O corcunda de Notre-Dame (Jean Delannoy, 1957)

A fúria da carne (George Cukor, 1957)

A orquídea negra (Martin Ritt, 1958)

Minha vontade é lei (Edward Dmytryk, 1959)

Duelo de titãs (John Sturges, 1959)

Sangue sobre a neve (Nicholas Ray, 1960)

Retrato em negro (Michael Gordon, 1960)

Os canhões de Navarone (J. Lee Thompson, 1961)

A visita (Bernard Wicki, 1964)

A voz do sangue (Fred Zinnemann, 1964)

 

Em "Zorba, o grego" (1964), o ápice de sua carreira.

Em “Zorba, o grego” (1964), o ápice de sua carreira.

Cineastas de um filme só

11 jun

Em literatura, arte essencialmente individual, ninguém estranha que escritores como Emily Brontë ou Augusto dos Anjos tenham escrito um único livro.

Em cinema é diferente. Atividade de equipe que implica um alto nível de conhecimento técnico e envolvimento empresarial, é muito raro que um profissional da área experimente a direção uma só vez.

Mas, que acontece, acontece.

Na maior parte dos casos, que citaremos aqui, são atores ou atrizes com carreiras formadas, que, um belo dia, decidiram que podiam muito bem dirigir, por que não? O mistério, porém, não é que tenham decidido dirigir e o tenham feito: o mistério maior é que nunca tenham repetido o experimento. Sobretudo quando o filme que fizeram é reconhecidamente muito bom.

Acho que dois casos assim, pela qualidade das realizações, merecem destaque.

O tenebroso Robert Mitchum em The night of the hunter

O tenebroso Robert Mitchum em The night of the hunter

O primeiro é “O mensageiro do diabo” (“The night of the hunter”), excelente noir impressionista que o grande ator Charles Laughton dirigiu em 1955. Misturando atmosfera de conto de fada com temática sombria de thriller, o filme contava a estória de um ex-presidiário que perseguia duas crianças na zona rural americana, e isto ao meio de uma paisagem que é toda remissão fotográfica a pinturas do século dezenove. Em todos os aspectos, o filme demonstrava que o novato possuía um extraordinário talento para a mise-en-scène e, no entanto, a realização fílmica de Laughton parou aí. Por que parou até hoje ninguém sabe ao certo.

O outro caso nessa categoria, digo, de alta qualidade, é o filme “Para que os outros possam viver” (“Time limit”), excelente drama de guerra dirigido pelo ator Karl Malden em 1957.  Na estória, um ex-prisioneiro na guerra da Coreia do Norte é acusado de traição e admite a culpa, sua posição de culpado assumido tornando-se um mistério nas investigações posteriores, que, pela lógica, o conduziriam à Corte Marcial… Até que, à revelia do próprio réu, o surpreendente desvendamento do mistério inverte a situação. Dois anos depois, Malden ainda foi responsável por um pequeno trecho do faroeste “A árvore dos enforcados” (Delmer Daves, 1959), mas sequer recebeu créditos por isso.

Cena dramática em Para que os outros possam viver.

Cena dramática em Para que os outros possam viver.

Vejamos outros casos de atores famosos que uma única vez experimentaram a direção. Infelizmente, não posso dizer que a qualidade estética seja a mesma dos dois casos citados acima.

Em 1951 Peter Lorre (sim, aquele mesmo de “O vampiro de Dusseldorf”) assumiu a direção de “Der Verlorene”, (´A perda´) produção alemã, nunca exibida comercialmente entre nós. Em 1957 James Cagney rodou “Atalho para o inferno” (“Short cut to Hell”). Em 1965 foi a vez de Frank Sinatra tentar a direção com o filme “Os bravos morrem lutando” (“None but the brave”).

Um que renegava a sua atividade por trás das câmeras é Anthony Quinn que, em 1958, dirigiu o filme de aventura “Corsário sem pátria” (“The buccaneer”) e gostou tão pouco do resultado que, em entrevistas, costumava fingir que o esquecera. Quando esteve no programa de Jo Soares foi preciso que o outro entrevistado da noite, o paraibano Ivan Cineminha, lhe lembrasse.

Mais dois atores que estiveram na direção uma única vez são: Barbara Loden, que cometeu o drama “Wanda” (1970) e Dom de Luise, que fez a comédia “Três super-tiras” (“Hot stuff”, 1979).

Anthony Quinn e um filme aparentemente esquecido...

Anthony Quinn e um filme aparentemente esquecido…

Há outros casos, que não cito, por estarem os atores ou atrizes ainda vivos e podendo, portanto, fazer novas tentativas a qualquer momento, vindo a quebrar a regra da nossa pauta que é: ´um filme só´.

Por exemplo: Robert De Niro foi ´diretor de um filme só´ (“Desafio no Bronx, 1993) por um tempo – treze anos exatamente – até rodar “O bom pastor” em 2006, e perder a posição. O mesmo se diga de Anthony Hopkins, que fez “Outono de paixões” em 1996, e mais tarde esse “Slipstream” (2007).

Mas, claro, nem só atores tentaram a direção cinematográfica. Na França, por exemplo, o escritor André Malraux rodou o seu “A esperança” (“L´espoir”) em 1945… e nunca mais rodou mais nada.

No Brasil, seria o caso de citar o clássico “Limite” (1931) de Mário Peixoto, que – não esqueçamos – também foi escritor. Só acrescentando que Peixoto tentou outras filmagens, e por razões várias, não teve sucesso e ainda hoje é conhecido como “cineasta de um filme só”.

Em tempo: a pesquisa sobre o tema eu a devo ao amigo cinéfilo Joaquim Inácio Brito.

Até A Voz dirigiu um filme, uma vez...

Até A Voz dirigiu um filme, uma vez…

A visita

3 abr

Imaginem uma cidade pequena, digamos, nos anos trinta ou quarenta. Vivendo uma aventura amorosa, essa mocinha pobre e ingênua engravida do rapaz que ama. Acontece que, já comprometido com uma garota mais abastada, o rapaz forja, com a ajuda de amigos, uma farsa para se livrar do problema. Sem meios e sem apoio, a mocinha pobre, coberta de vergonha e decepção, vai embora, para uma cidade maior, onde, depois de abortar, é forçada a abraçar a profissão de prostituta.

Por sorte, um dia conhece um senhor mais idoso, um magnata do petróleo que, fascinado com sua beleza, a pede em casamento, e ela vai viver uma vida de tranqüilidade e luxo. Ocorre, porém, que ela nunca esqueceu o passado.

Décadas mais tarde, o magnata morto, a viúva milionária retorna à cidadezinha de sua origem, com um só intento na cabeça: exterminar o homem que, trinta anos atrás, a engravidara e traíra, hoje um senhor respeitado.

Querem enredo cinematográfico mais arrebatante? Mais ainda se você considerar que quem faz a vingativa senhora Karla Zachanassian é ninguém menos que Ingrid Bergman, e que o seu algoz no passado e vítima no presente, Sr Serge Miller, é ninguém menos que Anthony Quinn.

the visit poster

Dirigido pelo alemão Bernard Wicki em 1964, o filme se chama “A visita” (“The visit”), ou, alternativamente, ´A visita da velha senhora´, título da peça adaptada. Coprodução internacional (Alemanha, França, Itália, Estados Unidos), distribuído pela Fox, ainda inclui no elenco a grande Valentina Cortese no papel da esposa perplexa de Miller.

Eu vi o filme no Plaza ao tempo de sua estreia local e nunca esqueci. Lembro que, com um entusiasmo sempre renovado, o contei e recontei a meus filhos e outras pessoas, em várias ocasiões. Agora ele me cai nas mãos em DVD.

Para tornar o drama mais lancinante, a rica Sra Zachanassian chega à pequena Golan com um plano bem definido – primeiro, promete aos habitantes locais uma quantia fabulosa de dinheiro que vai, uma parte para a prefeitura, e a outra, para cada cidadão; em segundo lugar, coloca suas condições: que, em tribunal popular, se leve o caso do Sr Miller a julgamento e que o resultado seja a condenação e sumária execução.

Ingrid Bergman como a Senhora idosa em A Visita

Ingrid Bergman como a Senhora idosa em A Visita

De início os habitantes do lugar protestam, mas, quem é que não quer dinheiro, sobretudo se for muito? Aos poucos, os amigos vão hostilizando Miller, e no final… bem não vou contar o final.

Digo apenas que a estória (que começa com a chegada da ´visita´) nos é narrada como se fôssemos um dos habitantes do lugar, mas um não identificado. De modo que ´a visita da velha senhora´ permanecerá, por algum tempo de projeção, como um mistério. Segundo os comentários locais, ela vivera aqui, mas, por que retorna, por que tão rica e o que pretende?

A instância narradora tem o cuidado de sonegar as informações diegéticas que ´matariam a charada´ antes do tempo, e de só as fornecer em doses compassadas, sempre em ritmo geométrico. Ao vermos, por exemplo, a Sra Zachanassian e Miller juntos, em cenas quase íntimas, um pouco antes de ela formular suas intenções para a cidade, supomos alternativas para o desenvolvimento da estória bem diferentes das que vão se seguir.

Anthony Quinn, o alvo da vingança em A Vsita

Anthony Quinn, o alvo da vingança em A Vsita

Quando esse desenvolvimento vai despontando, o que mais dói é acompanhar a derrocada moral de Miller, que começa com os fregueses de sua loja descaradamente comprando fiado… porque sabem que não vão ter a quem pagar: afinal de contas, muito brevemente, o proprietário vai estar morto. Sua primeira crise explícita é quando ele se dá conta disso e, emocionalmente descontrolado, lança as mercadorias na rua… Aquele momento em que confessa à esposa que casara com ela por interesse é um clímax de desespero. Em outras palavras, trata-se de um filme sobre vingança, mas também de um filme sobre culpa. Insisto em não contar o que ocorre pós-tribunal, mas, garanto, esse último turning point confirma a duplicidade da temática.

Confesso, porém, que gostei mais de “A visita” quando o vi pela primeira vez. Hoje o acho meio arrastado, sem o nível de suspense que, com o passar do tempo, minha memória de cinéfilo lhe atribuíra. Sem dúvida nenhuma, o filme que – visto quase cinquenta anos atrás – tantas vezes contei aos amigos e parentes tinha mais impacto e mais vigor.

Em outras ocasiões já tratei do fato de certos filmes serem, em termos qualitativos, menores que elementos de sua própria constituição, como: uma cena, uma sequência, a música, o elenco, a fotografia, etc. De “A visita” suponho poder dizer que ele é menor que seu enredo. Não muito, mas é.

Bergman e Quinn em cena de A Visita

Bergman e Quinn em cena de A Visita