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Montgomery Clift

15 ago

Catando filme velho por aí – não digo onde – encontro, esta semana, esse “Talvez seja melhor assim” (Raoul Levy, 1966), um filmezinho sem importância de um diretor idem.

E por que me dei ao trabalho de vê-lo? Só porque foi o último filme do ator americano Montgomery Clift (1920-1966), e não resisti a curiosidade de espiá-lo em seu derradeiro papel. Clift morreria nesse mesmo ano, em 23 de julho.

A estória se passa nos dois lados do muro de Berlim, com a guerra fria no auge, e o filme é bem típico da época, com todos aqueles ingredientes de espionagem, perseguições, micro-filme roubado, deserção, CIA, etc… Mas claro, sem a qualidade de “O espião que saiu do frio”, ou coisas assim…

Porém, não foi ao filme que assisti: assisti a Montgomery Clift, um dos meus atores preferidos, no tempo da Hollywood clássica, um ator cuja carreira acompanho desde sempre. Em “The defector” (título original do filme) ele está irrisório, burocrático, decadente, mas que importa? Por contraste, o filme serviu para eu remomorar sua brilhante carreira, antes e depois do acidente de automóvel, em 1956, que quase deformou o seu belo rosto.

E, na minha mente de cinéfilo viciado, fui relembrando os seus filmes, ao menos os que mais amei.

Lembrei o filho adotivo rebelde que ele foi em “Rio Vermelho”, contracenando com o pai durão John Wayne, nesse faroeste inesquecível de Howard Hawks, de 1948.

Veio-me à mente o seu papel em “Tarde demais” (Willliam Wyler, 1949) como o rapaz ambicioso que, com seu charme discreto, planeja um ´golpe de baú´ em cima da feiosa Olivia de Havilland, e quebra a cara, primeiro pela astuta oposição do futuro sogro, e depois, por um motivo bem mais desolador…

Com Liz Taylor em “Um lugar ao sol”.

Como esquecê-lo, ao lado de Elizabeth Taylor, em “Um lugar ao sol” (George Stevens, 1951), como o jovem Eastman, parente pobre dessa família rica, com ajuda da qual pensa ascender socialmente. E assim seria, se não tivesse engravidado uma das empregadas da empresa… e, vocês lembram, a estória dá em tragédia grega.

E ele como o padre Logan que, no confessionário, ouve uma confissão criminosa, e vai viver tolhido entre o dever sagrado do silêncio e a obrigação civil da delação? No hitchcockiano “A tortura do silêncio” (“I confess”, 1953) está um dos seus grandes desempenhos.

Em “Quando a mulher erra” (1953) ele faz um amante romano de quem a americana, casada, Jennifer Jones, não consegue se despedir na “Statioze Termini” (título original). Na verdade, não gosto muito desse filme de Vittorio De Sica, mas o elenco o salva.

Um dos seus desempenhos mais lembrados pelo grande público é, com certeza, o do melancólico soldado meio auto-destrutivo de “A um passo da eternidade”, drama de Fred Zinnemann sobre o ataque japonês a Pearl Harbor.

Em “De repente no último verão” (1959) ele faz o médico cirurgião que é quase comprado pela patriarca (Catherine Hepburn), para que ele proceda a uma lobotomia na sobrinha (Elizabeth Taylor) que vive tendo lembranças desagradáveis da morte do primo, filho da patriarca…

Em Tennessee, a construção de uma barragem vai inundar a ilha onde reside essa senhora idosa, mas firme e determinada a não se mudar (Jo Van Fleet): e Clift faz o papel do administrador que deve convencer a senhora a abandonar o local, em “Rio violento”: grande drama de Elia Kazan, 1960.

Com Donna Reed, em “A um passo da eternidade”.

Junto com Clark Gable e Eli Wallach, ele é, em “Os desajustados” (John Huston, 1960), um dos cowboys modernos que, com Marilyn Monroe metida em um caminhão, vão caçar cavalos selvagens no ensolarado deserto de Nevada.

Quem pode esquecer o seu testemunho em “Julgamento em Nuremberg” (Stanley Kramer, 1961), como o débil mental, vítima do nazismo, justamente por causa da debilidade? Seu desempenho é um exercício de interpretação que impressiona sempre.

E encerro a lista com o seu papel como o famoso psiquiatra austríaco, em “Freud além da alma” (John Huston, 1962), tratando, pela primeira vez, histeria feminina com hipnose e, noutra ocasião, com um paciente do sexo masculino, acidentalmente descobrindo o complexo de Édipo.

Montgomery Clift não rodou muitos filmes, apenas 17. Antes do cinema, trabalhou em teatro e foi ator destacado do afamado Actors Studio. Algum tempo depois de sua morte, a imprensa internacional incluiu-o no rol dos muitos astros clássicos que haviam sido homossexuais, mas, essa é outra estória que aqui não interessa.

Interessam o seu talento e o legado que deixou na tela.

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Coadjuvantes (2) as mulheres

27 nov

Na edição de setembro do Correio das Artes, e neste blogue (Conferir), veiculei matéria sobre os atores coadjuvantes que foram importantes na história do cinema. Quinze cinéfilos (eu incluso) escolheram, cada um, cinco nomes de atores de sua preferência que se destacaram nesta categoria. Inevitavelmente, houve repetições, as quais me conduziram a pensar uma espécie de pequeno cânone.

O ator coadjuvante com maior número de escolhas foi o veterano Walter Brennan (com cinco votos), seguido de Ernest Bognine, Lee van Cleef e Lee J. Cobb e Thomas Mitchell, com quatro.

Agora é a vez das mulheres. Dentro do mesmo procedimento, pedi a quinze cinéfilos amigos que me dessem cinco nomes de suas coadjuvantes mais amadas, e aqui segue o resultado, devidamente comentado.

Como na matéria sobre os coadjuvantes masculinos, a fase do cinema mais evidenciada pelas escolhas foi a clássica, aquele período que vai dos anos trinta aos sessenta. Cinéfilos de memória privilegiada lembraram atrizes de um passado remoto, como – para citar apenas dois exemplos – Edna Purviance e Margaret Dumont. Purviance atuou, com frequência, no cinema mudo, em muitos dos filmes de Chaplin, quando o personagem era o vagabundo Carlitos, e Dumont foi, também com frequência, aquela senhora meio ingênua que, nos anos trinta, servia de escada para as palhaçadas dos irmãos Marx.

Atuantes no tempo em que afrodescendentes eram raro(a)s na tela – proibido(a)s pelo Código Hays de Censura – foram lembradas atrizes como Hattie McDaniel – a empregada negra de “E o vento levou” (1939), e Juanita Moore, a sofredora mãe negra, rejeitada pela filha branca, em “Imitação da vida” (1959).

Thelma Ritter com James Stewart, em Janela Indiscreta.

Thelma Ritter com James Stewart, em Janela Indiscreta.

As nacionalidades são quase todas americanas, mas houve votos, sim, para as brasileiras Ruth de Sousa, Geny Prado, Thelma Reston e Zezé Macedo.

Vejamos, agora, que atrizes tiveram os maiores números de escolhas. Com um número avassalador de votos (treze) ganha Thelma Ritter o primeiro lugar na preferência dos cinéfilos e cinféfilas consultados. Se formos considerar um segundo lugar, este seria dividido entre Agnes Moorehead e Judith Anderson, ambas com cinco votos. E um terceiro honroso lugar fica para a brasileira Zezé Macedo, com quatro votos.

Para quem pode não estar lembrado, Agnes Moorehead, entre muitos outros papéis importantes que desempenhou em filmes da era clássica, foi a mãe do protagonista no filme mais conceituado da história do cinema, o “Cidadão Kane” de Orson Welles (1941). Já Judith Anderson pode muito bem ser lembrada pelo seu papel marcante como a sombria governanta no hitchcockiano “Rebeca, a mulher inesquecível” (1940). Quanto a Zezé Macedo, acho que, entre nós, dispensa apresentação, mas lembremo-la como a esposa matuta de Oscarito na chanchada de primeira classe “O homem do Sputnik” (Carlos Manga, 1959).

A grande atriz Thelma Ritter seria, portanto, a coadjuvante que mais encantou/encanta os cinéfilos e cinéfilas, mas, será que o leitor do Correio das Artes lembra mesmo quem é ela?

Não há outro jeito de saber, se não for repassando os seus papéis, nos muitos filmes em que participou, sempre ao lado de grandes astros e estrelas, filmes dirigidos por cineastas importantes da chamada Hollywood clássica. Vejamos.

Em “A malvada” (“All about Eve”, 1950, de Joseph Mankiewicz) ela era a dedicada camareira de Bette Davis, que dava seus pitacos certeiros, sem nunca ser levada a sério. Em sua intuição de mulher simples, foi a primeira a notar a falsidade da protagonista do título do filme, a “Eva” feita por Anne Baxter.

Em “Anjo do mal” (“Pickup on South Street, 1953, de Samuel Fuller) era a desencantada vendedora de gravatas que, sem culpa no cartório, é assassinada por espião comunista. Sim, aquela mesma que vive juntando o seu dinheirinho mirrado para um funeral com dignidade. Um papel sombrio, num filme sombrio, para uma grande atriz. Nas minhas conversas com os cinéfilos consultados, foi este o seu papel mais mencionado.

Thelma Ritter em A Malvada, com Bette Davis.

Thelma Ritter em A Malvada, com Bette Davis.

Em “Janela indiscreta” (“Rear window”, 1954, Alfred Hitchcock) foi a tagarela enfermeira de James Stewart, que ajudou tanto na cura da perna engessada, como no desvendamento do crime cometido no condomínio. É ela que desce, com Grace Kelly para remexer a terra do jardim lá embaixo, onde o cachorrinho da vizinha cavara, e, por isso, fora morto.

Em “Confidências à meia noite” (“Pillow talk”, 1959, de Michael Gordon) foi a faxineira de Doris Day, que só dava conta da arrumação do apartamento entre um gole e outro, e, sempre cambaleante, ainda tinha tempo para conselhos a essa jovem patroa que vivia envolvida com um vizinho chato e um amante cavalheiro, que, na verdade, eram a mesma pessoa.

Em “Os desajustados” (“The misfits”, 1961, de John Huston) era a amiga de Marilyn Monroe, que desaparecia depois de meia hora de filme, mas deixava o seu rastro, mesmo porque, onde Thelma Ritter aparecia ninguém esquecia seu rosto e seu jeito.

Em “O homem de Alcatraz” (“The birdman of Alcatraz”, 1962, de John Frankenheimer) foi a sofrida genitora desse criador de pássaros, mais preso que eles. Suas visitas ao filho encarcerado não eram constantes, mas deixaram marcas.

Suponho que, a esta altura, o leitor – se não tinha – já tem uma ideia da figura de Thelma Ritter, até porque as suas atuações reforçavam um tipo, físico e psicológico, bem particular, que poderia talvez se rotular de mulher do povo: baixinha, rosto redondo, olhos apertadinhos, bochechas ligeiramente salientes, cabelo encaracolado, nem curto nem comprido, dicção inconfundível, cheia de tiradas curtas e grossas, andar peculiar, balançando o corpo de um lado para o outro, em alguns casos criando um ritmo que também era o do filme.

Thelma Ritter (1902-1968) nasceu no Brooklyn, Nova Iorque, e se interessou por teatro desde tenra idade. Na juventude, foi aluna do “American Academy of Dramatic Arts”, porém, a sua vida profissional na ribalta mal começara e ela já casou-se com o executivo da publicidade Joseph Moran, teve duas filhas, e, salvo participações em rádio durante os anos quarenta, interrompeu a carreira para ser mãe e dona de casa.

Os Desajustados (1960): Thema Ritter com Marilyn Monroe.

Os Desajustados (1960): Thema Ritter com Marilyn Monroe.

De forma que, ao retornar à profissão e ser escalada pela equipe da 20th Century Fox para uma ponta em “De ilusão também se vive” (“Miracle on 34th street”, 1949, de George Seaton) já era uma senhora de quarenta e cinco anos. Vocês lembram, não é? Com Natalie Wood ainda garota, o filme era a estória de um Papai Noel que, para a perplexidade de todos, se revelava verídico.

Depois dessa ponta sem créditos, não parou mais de ser chamada para os fundamentais “supporting roles” – papéis de apoio.

Eis alguns de seus outros filmes: “Quem é o infiel?” (1949, de Mankiewicz), “Duas almas, dois destinos” (1950, de Bretaigne Windust), “O quarto mandamento” (1951, de Mitchel Leisen), “O modelo e a casamenteira” (1951, de George Cukor), “Meu coração canta” (1952, de Walter Lang), “Náufragos do Titanic” (1953, de Jean Negulesco), “Papai pernilongo” (1955, de Negulesco), “Os viúvos também sonham” (1959, de Frank Capra), “A conquista do Oeste” (1962, de vários diretores), “Por amor ou por dinheiro” (1963, de Michael Gordon), “Ele, ela e a outra” (1963, de Gordon).

Sua última participação em cinema não correspondeu ao seu talento: “Boeing Boeing” (1965, de um tal de John Rich), foi uma comédia tola onde o jornalista Tony Curtis, controlando o esquema de voos, conseguia ter casos simultâneos com três aeromoças.

Na categoria de atriz coadjuvante, Thelma Ritter mantém ainda hoje um recorde, ao mesmo tempo honroso e desfavorável: foi seis vezes (em 1950, 51, 52, 53, 59 e 62) indicada ao Oscar, sem nunca receber o prêmio. Esse recorde ela partilha com Deborah Kerr (no caso, como atriz principal), só que Kerr pôde receber, no fim da vida, um prêmio pelo conjunto da obra, e ela não. Mais uma das injustiças da Academia de Hollywood.

Enfim, eis a lista completa dos depoentes e suas escolhas – aqueles relacionados em ordem alfabética, e estas, na ordem em que me foram entregues:

Alessandra Brandão:

Thelma Ritter, Hattie McDaniel, Ruth Gordon, Judith Anderson, Shelley Winters.

André Ricardo Aguiar:

Thelma Ritter, Margaret Dumont, Joan Cusak, Gloria Grahame, Maggie Smith.

Edward Lemos:

Celeste Holm, Agnes Moorehead, Thelma Ritter, Jessica Tandy, Barbara Eden.

Fernando Trevas:

Thelma Ritter, Marisa Tomei, Geny Prado, Zezé Macedo, Thelma Reston.

Homero Fonseca:

Ruth de Sousa, Maggie Smith, Judi Dench, Kim Hunter, Agata Kuleszca.

Ivan (Cineminha) Costa:

Thelma Ritter, Agnes Moorehead, Jo Van Fleet, Judith Anderson, Zezé Macedo.

Jefferson Cardoso

Gloria Grahame, Edna Purviance, Dianne Wiest, Patricia Clarkson, Toni Collette.

Joao Batista de Brito:

Thelma Ritter, Agnes Moorehead, Katy Jurado, Celeste Holm, Elsa Lanchester.

Joaquim Inácio Brito:

Judith Anderson, Flora Robson, Gale Sondergaard, Thelma Ritter, Elsa Lanchester.

Martinho Moreira Franco

Katy Jurado, Thelma Ritter, Shelley Winters, Rosalind Russell, Zezé Macedo.

Paulo Melo:

Thelma Ritter, Lotte Lenya, Donna Reed, Ruth Gordon, Cloris Leachman.

Ramayana Lira:

Thelma Ritter, Marisa Tomei, Agnes Moorehead, Judith Anderson, Juanita Moore.

Renato Félix:

Thelma Ritter, Kathleen Freeman, Joan Cusak, Jean Hagen, Celeste Holm.

Rolf de Luna Fonseca:

Thelma Ritter, Jane Darwell, Judith Anderson, Agnes Moorehead, Gale Sondergaard.

Silvino Espínola:

Thelma Ritter, Dorothy Malone, Katy Jurado, Zezé Macedo, Angie Dickinson.

Thamara Duarte:

Rita Moreno, Donna Reed, Jessica Tandy, Hattie McDaniel, Edna Purviance.

A grande campeã das coadjuvantes, a magnífica Thelma Ritter.

A grande campeã das coadjuvantes, a magnífica Thelma Ritter.

Filho de peixe…

20 set

 

O ditado popular que o título desta matéria insinua – sabe-se muito bem – nem sempre é verdadeiro. Mas acontece que às vezes é.

Aqui vamos tratar da segunda alternativa, ou seja, casos em que os filhos, ou filhas, de peixes foram, ou são, peixinhos.

No nosso território, que é sempre o cinema, os exemplos de filhos, ou mesmo netos, que assumiram a profissão dos genitores, e/ou progenitores, são inumeráveis, mas, para não nos estendermos demais, fiquemos no âmbito da profissão de ator, a mais familiar ao grande público.

Na Hollywood clássica, por exemplo, era comum, e mesmo esperável, que uma criança, filha de atores famosos, criada entre estúdios, tapetes e holofotes, terminasse seguindo a carreira do pai, ou da mãe.

Tony Curtis e Janet Leigh com as filhas, uma delas a futura atriz Jamie Lee-Curtis.

Tony Curtis e Janet Leigh com filhos, entre os quais a futura atriz Jamie Lee-Curtis.

Um exemplo típico é o daquela enorme família de atores dos anos trinta, os Barrymore, John, Lionel e Ethel, irmãos que se revezavam o tempo todo nas telas da época. Difícil os descendentes não tomarem o caminho dos familiares: o filho de um deles, John, gerou o também ator John Drew Barrymore, que por sua vez, teve uma filha que seguiria a mesa carreira do pai e avô, Drew Barrymore. Embora já adulta e bem conhecida em filmes atuais, creio que dela todo mundo lembra como a garotinha em “ET o extraterrestre” (1982).

Essa relação, praticamente secular, que vai de avós a netos também está no caso da família Huston. O grande ator dos anos vinte e trinta Walter Huston (lembram dele em “O tesouro de Serra Madre”?), é pai do diretor mas também ator John (lembram dele em “Chinatown”?), que, por sua vez, é pai da atriz, ainda hoje atuante, Anjelica Huston (lembram dela em “A família Adams”?). O mesmo se diga da linhagem Fonda: Henry deu Jane e Peter, e este deu Bridget.

No caso de a relação sangunea limitar-se a pais e filhos, a lista é ainda maior. Creio que todo mundo lembra logo Charles Chaplin e Geraldine Chaplin; Kirk Douglas e Michael Douglas; Lloyd Bridges e Jeff e Beau Bridges; Bruce Dern e Laura Dern; Ryan O´Neal e Tatum O´Neal; Ed Begley e Ed Begley Jr. Casos mais recentes são os dos Sutherland, Donald e Kieffer.

Kirk Douglas abraça Michael, em 1949.

Kirk Douglas abraça Michael, em 1949.

O caso é mais enfático quando, não só um dos pais era ator ou atriz, mas os dois. Como aconteceu com Tony Curtis e Janet Leigh, casal famoso nos anos cinquenta, que nos legou esta excelente Jamie Lee-Curtis.

Às vezes o sobrenome não é o mesmo, o que não impede o cinéfilo curioso de identificar a relação familiar. Quem é que não sabe que a atriz Liza Minnelli é filha da atriz Judy Garland, e que o sobrenome vem do pai, o cineasta Vincente Minnelli? Ou – caso idêntico – que Isabella Rosselini é filha de Ingrid Bergman, com o cineasta italiano Roberto Rosselini.

Estes são casos notórios, mas nem todos os casos são tão notórios assim.

Por exemplo, nem todos sabem que a atriz Mia Farrow é filha de Maureen O´Sullivan, sim, aquela mesma que era conhecida nos velhos tempos por ser a Jane de Tarzan. Como nos casos anteriormente citados, o sobrenome vem do pai, o grande cineasta, autor de belos filmes noir, John Farrow.

Quem diria que a atriz contemporânea Melanie Griffith é filha da hitchcockiana Tippi Hedren?

Henry Fonda, um dos peixões de Hollywood...

Henry Fonda, um dos peixões de Hollywood…

Naturalmente, o fenômeno da herança profissional não se limita ao cinema americano. De passagem, lembro os alemães Klaus e Nastassia Kinski, e os italianos Vittorio e Alessandro Gassman. E o leitor lembrará outros tantos. No cinema brasileiro, o caso mais famoso é o de Fernanda Montenegro e sua filha Fernanda Torres.

Mas, catar laços familiares entre pais e filhos estelares é coisa para revista de show business. O interessante seria deter-se na qualidade das interpretações, já que dotes pessoais não são necessariamente hereditários.  Ou, se for o caso, prestar atenção aos estilos interpretativos, já que, na maior parte dos casos, grande é a distância temporal, e, portanto, cultural, comportamental e mesmo ideológica,  entre os parentes cotejados.

Por exemplo, o que o estilo neurótico e implosivo de Mia Farrow poderia ter a ver com a simplicidade performática de sua mãe, Maureen O´Sullivan como a companheira de Tarzan? Em que os desempenhos atuais de Bridget Fonda poderiam sugerir a forma clássica de interpretar do avô, Henry Fonda? Michael Douglas, um ator de quem se diz ser “o cuspe do pai” (´the spit of his father´), Kirk, interpreta da mesma forma, ou existiriam em suas performances nuances que fazem a diferença?

Enfim, nem que seja para contradizer o ditado que intitula esta matéria, a pergunta seria: onde é que os “peixinhos” estão além, ou aquém, dos “peixões”?

Fica a sugestão.

Mia Farrow, a filha de Mary O´Sullivan (Jane, a companheira de Tarzan).

Mia Farrow, a filha de Maureen O´Sullivan (mais conhecida como Jane, a companheira de Tarzan).

Prostitutas clássicas

12 ago

Da era muda até hoje, a prostituta sempre foi uma personagem recorrente na história do cinema mundial. Vilã ou heroína, sempre marcou presença em pequenos e grandes filmes que nos ajudam a entender a natureza humana.

Ao leitor cinéfilo, sugiro um passeio mnemônico por filmes clássicos que ficcionalizaram a situação dessas mulheres as quais – sejam quais tenham sido suas razões pessoais – optaram pela “profissão mais antiga do mundo”.

Seguindo a cronologia, começo com Lulu (Louise Brooks) a exuberante e demoníaca protagonista de “A caixa de Pandora” (Pabst, 1928), mulher má que não vê outros bens a sua frente que não sejam os materiais.

Louise Brooks am "A caixa de Pandora", 1928.

Louise Brooks am “A caixa de Pandora”, 1928.

Em “A dama das camélias” (George Cukor, 1936) a protagonista (Greta Garbo) também é uma cortesã, mas, com outro coração: o da mulher apaixonada que é abandonada e, só depois, enferma e decadente, receberá de volta o afeto que perdera.

Acho que poucos lembram que uma figura essencial entre os viajantes de “No tempo das diligências” (John Ford, 1939) é a prostituta Dallas (Claire Trevor), hostilizada durante a viagem, mas, de fato uma mulher do coração de ouro, afinal, a pretendente do herói Ringo Kid, feito por John Wayne.

Em “A ponte de Waterloo” (Mervyn Leroy, 1940) Vivien Leigh faz Myra, a mocinha que, durante a guerra foi obrigada a prostituir-se, e no retorno do seu amado (Robert Taylor) dos campos de batalha, vê-se no impasse de revelar seu passado sujo, ou… Bem, sua opção é a mais drástica.

"No tempo das diligências" (1939), Claire Trevor e John Wayne.

“No tempo das diligências” (1939), Claire Trevor e John Wayne.

O filme não deixa muito claro, porém, em “A um passo da eternidade” (Fred Zinnemann, 1953) aquelas mocinhas do Clube Social são de fato prostitutas, entre elas Lorene (Donna Reed) por quem o soldado Prew (Montgomery Clift) desenvolve afeto e é correspondido.

Já em “Vidas amargas” (Elia Kazan, 1955) não há dúvidas de que, aquilo que a ex-senhora Trask (Jo Van Fleet) mantém é um bordel. É a ela que o filho Cal (James Dean) ousa pedir dinheiro emprestado para ajudar ao pai em dificuldade financeira… E, bem, o desastroso corolário vocês conhecem.

Suponho que a prostituta mais querida do cinema seja Cabíria (Giulietta Masina), mulher pobre e sem dotes que, apesar de todos os muitos pesares, luta por uma vida digna. Cabíria, aquela que é capaz de sorrir quando não há mais nada… (Noites de Cabíria, Fellini, 1957).

Jo Van Fleet em "Vidas amargas" (1955)

Jo Van Fleet em “Vidas amargas” (1955)

Rindo da vida e de todos, a grega Ilya (Melina Mercouri) é uma mulher pra cima que acredita piamente em ´finais felizes´ e, por isso, não hesita em modificar os tristes desenlaces da mitologia de seus antepassados. A popular canção de “Nunca aos domingos” (Dassin, 1960) ajudou a eternizar sua figura.

Trágica mesmo é a Nadia (Anne Girardot) de “Rocco e seus irmãos” (Visconti, 1960), que se apaixona por um boxeur e, por isso mesmo, é morta por outro – querela entre irmãos imigrantes em uma Milão inóspita.

Já a sensação de quem assiste a “Bonequinha de luxo” (Blake Edwards, 1961) é que Holly Golightly mantém a profissão de prostituta, mas ´o filme não sabe´. Ora, Audrey Hepburn tomando café da manhã nas calçadas do Tiffany´s, ao som de ´Moon River´… quem se importa com o resto?

O sorriso na cena final de "Noites de Cabíria" (1957).

O sorriso na cena final de “Noites de Cabíria” (1957).

O lado light e hilário da chamada ´vida fácil´ vai ganhar ênfase em “Irma, la douce” (Billy Wilder, 1963), com uma Shirley MacLaine literalmente impagável no papel-título, junto do ex-policial bobão Jack Lemmon.

Nada light é a vida do médico que se apaixona por Mildred (Kim Novak) quando ela era apenas garçonete, e continua apaixonado, mesmo depois de traições consecutivas que culminam na opção pela prostituição. O filme é “Servidão humana” (Ken Hughes, 1964).

Se eu não incluísse neste breve rol de prostitutas da era clássica a protagonista de “A bela da tarde” (Buñuel, 1967), com certeza e com razão, o meu leitor iria reclamar. Séverine (Catherine Deneuve) é diferente porque – senhora burguesa e bem casada – não faz aquilo por dinheiro, mas, e daí?

Audrey nas calçadas do Tiffany´s em "Bonequinha de luxo" (1961.

Audrey nas calçadas do Tiffany´s em “Bonequinha de luxo” (1961.

Garota de programa, Bree (Jane Fonda) vê-se envolvida num complicado caso policial, junto com o detetive Klute, os dois vivendo um jogo de esconde-esconde, onde crime e sexo são sinônimos. Dirigido por Alan Pakula em 1971, o filme é “Klute, o passado condena”.

E que tal fechar a lista com mais um Fellini? Refiro-me à Gradisca (Magali Noel) de “Amarcord” (1973), filme que se encerra com sua melancólica despedida, para uma vida, sim, de casada.

Não tenho espaço para mais, e, além disso, não creio que as prostitutas do cinema dos anos setenta em diante já possam ser ditas “clássicas”.

"Servidão humana" (1964):   Kim Novak é a prostituta Mildred.

“Servidão humana” (1964): Kim Novak é a prostituta Mildred.

Screen couples

26 jul

 

1 Ginger & Fred

Não adianta negar: um dos atrativos mais fortes para vermos um filme está no elenco. E se os dois atores principais formam um par que já deu certo em outros filmes, então…

Hoje nem tanto, mas, no passado clássico, esses pares – que os anglófonos chamam de “screen couples” (´casais de tela´) – levavam multidões a comprar ingressos. E isto, sem importar se a atriz e o ator eram casais na vida real (geralmente não eram), pois, para os fãs, eles já o eram no firmamento do cinema, e isto bastava.

Seguindo mais ou menos a cronologia, aqui relembro alguns dos mais conhecidos, e eventualmente, mais amados screen couples na história do cinema. Acho que o primeiro casal fílmico que vem à mente do cinéfilo é Ginger Rogers e Fred Astaire que, juntos, fizeram nada menos que dez filmes. Três deles foram: “O picolino”, “Ritmo louco” e “Voando para o Rio”.

Olivia e Errol

Olivia e Errol

Como não tenho espaço para citar todos os filmes, citarei sempre, em cada caso, apenas três e deixo a compleição da lista ao encargo do leitor.

Na mesma época, anos trinta entrando pelos quarenta, um casal fílmico que fez sucesso foi Olivia de Havilland e Errol Flynn. Os dois fizeram nove filmes, dos quais cito: “As aventuras de Robin Hood”, “Um reino por um amor” e “A estrada de Santa Fé”.

Quem também fez nove filmes juntos foram Katherine Hepburn e Spencer Tracy. Deles cito os mais famosos: “A costela de Adão”, “Sua esposa e o mundo”, e “A mulher do dia”.

Liz Taylor e Richard Burton em Cleópatra

O par Lauren Bacall e Humphrey Bogart rodou apenas quarto filmes juntos, mas, com certeza, entra no rol dos mais amados. Deles cito três grandes filmes do gênero noir: “Uma Aventura na Martinica”, “À beira do abismo” e “Paixões em fúria”.

Outro par de atores muito cultuado pela partilha na tela foi Veronica Lake e Alan Ladd. Os dois rodaram juntos quatro filmes, dos quais menciono, também do gênero noir: “Capitulou sorrindo”, “A dália azul” e “Alma torturada”.

Igualmente com quatro filmes rodados juntos, a dupla Barbara Stanwyck e Fred MacMurray merece o mesmo destaque. Deles cito: “Pacto de sangue”, “Chamas que não se apagam” e “Lembra-se daquela noite?”.

Hunphrey e Lauren em "Uma aventura na Martinica.

Hunphrey e Lauren em “Uma aventura na Martinica.

E não podemos deixar de mencionar Johnny Weissmuller, como Tarzan, e Maureen O´Sullivan, sua companheira na selva, Jane, em pelo menos seis filmes. Dessa dupla tão querida da criançada da época cito: “Tarzan, o homem macaco”, “Tarzan e sua companheira” e “O tesouro de Tarzan”.

Bem longe de Hollywood, na Suécia, os atores Liv Ullmann e Max von Sydow estiveram juntos em sete filmes, embora nem sempre como ´casais´. Deles cito: “A paixão de Ana”, “Vergonha” e “A hora do lobo”.

Certas duplas de atores americanos encantaram tanto o público da sua época que ficamos com a impressão de que estiveram juntos em dezenas de filmes, quando, na verdade, não foi assim. Caso de Doris Day e Rock Hudson que, afinal de contas, só atuaram juntos em três filmes, a saber: “Confidências à meia noite”, “Volta meu amor” e “Não me mandem flores”.

Jack e Shirley em The Apartment.

Jack e Shirley em The Apartment.

Por causa da boa química entre os dois, e do sucesso dos filmes que fizeram juntos, temos a sensação de que Shirley MacLaine e Jack Lemmon estiveram juntos muitas vezes, e não foi o caso: os seus filmes em comum são apenas: “Se meu apartamento falasse” e “Irma la douce”.

Agora, muitos filmes (onze ao todo) rodaram juntos Liz Taylor e Richard Burton, como se sabe, estes sim, casal na tela e na vida real. Cito os mais badalados: “Cleópatra”, “Quem tem medo de Virginia Woolf?” e “Adeus às ilusões”.

Os italianos Sophia Loren e Marcello Mastroianni estiveram juntos na tela treze vezes. Dessa dupla inesquecível cito: “Ontem, hoje e amanhã”, “Matrimônio à italiana” e “Um dia muito especial”.

Pillow Talk : Doris Day e Rock Hudson

Pillow Talk : Doris Day e Rock Hudson

Bem, chegou a vez de citar o casal campeão de atuação simultânea que – pasmem – está no cinema brasileiro. Refiro-me a Mazzaropi e Geny Prado que, a partir de 1959, atuaram juntos em nada menos que dezessete películas. Aqui cito as três primeiras, na ordem: “Chofer de praça”, “Jeca Tatu” e “As aventuras de Pedro Malazarte”.

Com isto passamos à segunda metade do século vinte, com Dianne Keaton e Wood Allen, cinco filmes juntos, dos quais cito: “Noivo neurótico, noiva nervosa”; “Sonhos de um sedutor” e “O dorminhoco”.

No cinema atual, e por alguma razão que não sei explicar, as duplas deixaram de atrair o público. Os quatro filmes que Meg Ryan e Tom Hanks fizeram juntos parecem exceção: “Sintonia de amor”, “Mensagem para você”, “Joe contra o vulcão” e “Ithaca”.

Bem, os casais de tela que esqueci de mencionar, o leitor lembrará.

Johnny Weissmuller e Maureen O´Sullivan, quase nús em filme de 1931, "Tarzan, o homem macaco".

Johnny Weissmuller e Maureen O´Sullivan, quase nus em filme de 1931, “Tarzan, o homem macaco”.

Imitação da vida

31 dez

Com esta matéria, retorno ao meu ofício preferido: o de escrever sobre filmes antigos, os grandes clássicos do passado, que ninguém esquece.

Estávamos no comecinho dos anos sessenta. Minha irmã, Genilda, tinha visto “Imitação da vida” (“Imitation of life”, Douglas Sirk, 1959) em sua estreia local, no Cine Plaza, e dele falara em casa, emocionada. Segundo ela, era um dos melhores que já vira, e ela via muitos filmes.

Com esses comentários entusiasmados, prometi a mim mesmo que iria ver. O filme saíra de cartaz no Plaza, mas, para minha sorte, estava no então já decadente Cine Brasil, e o vi numa melancólica matinée de domingo. Saí do cinema quase chorando, mas feliz. Minha irmã tinha razão: era um filme acima da média.

Um encontro casual na praia decide tudo...

Um encontro casual na praia decide tudo…

A cena final – vocês lembram – é uma armadilha para o espectador sensível, e muito bem montada. Desprezada pela filha, a empregada negra adoece e vem a falecer. De última hora, a filha quase branca comparece ao enterro, banhada em lágrimas. Mas, um momento, estou contando o final, o que não é bom para quem não viu o filme.

A estória começa na praia, quando duas senhoras, uma branca, a outra negra, se conhecem. Aquela primeira é atriz desempregada; esta segunda doméstica, também desempregada. Uma emprega a outra, e daí nasce uma amizade de vida inteira.

Cada uma tem uma filha e as duas meninas crescem juntas e até irmãs parecem, mesmo porque Sarah Jane, a filha da empregada negra, puxando ao pai, tem pele alva e passa por branca.

Parecem irmãs, mas não são. Não esqueçamos que estamos nos Estados Unidos dos anos cinquenta, quando os ´colored people´ sequer tinham acesso aos banheiros dos brancos.

Sarah Jane: a garota que não aceita a mãe negra.

Sarah Jane: a garota que não aceita a mãe negra.

Desde criança, Sarah Jane tem problemas com a cor. Na escola, passa por branca e se faz de… Até o dia em que a mãe negra, inocentemente, aparece para lhe trazer um lanche. Na adolescência, é espancada por um namorado branco que descobre, enojado, a sua origem.

As humilhações vão tornando-a uma pessoa amarga, rebelde e especialmente agressiva com a mãe. A família que a adota prospera, já que a patroa torna-se uma grande estrela dos palcos da Broadway, mas isso em nada ajuda à condição de ´mestiça´ de Sarah Jane, que termina por fugir de casa e da mãe, para ser chorus line girl em boates suspeitas de Los Angeles.

Um dia a mãe, já idosa e cansada, toma um avião e a procura, e ela, embora sofrendo, a despacha, categórica. O que nos conduz ao final já mencionado.

Lana Turner e Sandra Dee em conflito familiar.

Lana Turner e Sandra Dee em conflito familiar.

Do jeito que reconstituí o enredo, até parece que “Imitação da vida” é um filme apenas sobre o racismo. E não é: o seu temário está no título.

Paralelamente à vida dos empregados (Sarah Jane e a mãe), acompanhamos a da patroa branca, essa mulher que alimenta o sonho de ser uma grande atriz, e, quando as chances aparecem, é capaz de sacrificar uma relação amorosa, e/ou o afeto da filha adolescente. Em nome da fama a todo custo, faz tanto isso, tantas vezes, que o seu pretendente mais honesto e sincero termina por desistir, e pior, a filha dela é quem por ele se apaixona…

No final, essa mulher ambiciosa toma consciência de que, no brilho da ribalta o que teve não foi propriamente a vida, mas, uma imitação dela…

Juanita Moore e Susan Kohner em desempenhos estupendos.

Juanita Moore e Susan Kohner em desempenhos estupendos.

Quem faz a patroa branca é Lana Turner, e a empregada negra, em excelente desempenho, é Juanita Moore. A filha da patroa é Sandra Dee, e a mestiça Sarah Jane é feita pela ótima Susan Kohner. Nesse elenco bem anos cinquenta, o pretendente repetidamente descartado pela atriz em ascensão é o bonitão John Gavin, e o namorado agressivo de Sarah Jane é, numa ponta, Troy Donahue.

Naquela época eu ainda não era ligado a diretores, e, embora visse tudo que por aqui passava de Douglas Sirk, nunca ouvira falar do seu nome. Filmes como “Sublime obsessão”, “Tudo o que o céu permite”, “Hino de uma consciência”, “Palavras ao vento”… eu os achava parecidos entre si, correlatos na forma e nos assuntos, porém, o estilo charmoso e a força dramática que os uniam eu atribuía à companhia produtora, a Universal. Na época eu não sabia que um homem só, o cineasta, podia ser muito maior que uma companhia cinematográfica inteira.

Só com o tempo, e muita leitura, cheguei a Douglas Sirk e, ao chegar, me apaixonei cada vez mais pela sua arte de mestre. Hoje é um dos meus cineastas preferidos.

E “Imitação da vida”, uma das minhas ´imagens amadas´.

Dia do beijo

13 abr

 

Hoje, 13 de abril, é o Dia do Beijo.

Um ano atrás, nesta data, postei neste blog matéria sobre o assunto, que se quiser você pode ler, digitando no Buscador acima o seu título, que foi “Beijos, beijos, beijos…”.

Desta vez não há texto. Apenas fotos. Fotos de quinze beijos cinematográficos. Clássicos, naturalmente.

Para não ficar monótono, achei que seria legal fazer uma brincadeira, uma espécie de quiz. Assim, abaixo de cada foto, cito os nomes dos beijantes, e deixo ao leitor a tarefa de identificar os filmes, estes dispostos em ordem cronológica de lançamento, todos sucessos dos anos quarenta, cinquenta e sessenta.

Se quiser participar, você pode responder na seção de COMENTÁRIOS. Para facilitar a forma de responder, as fotos estão numeradas.

QUE FILMES SÃO ESTES?

 

foto 1

Vivien Leigh e Robert Taylor, 1940.

Vivien Leigh e Robert Taylor, 1940.

foto 2

Ingrid Bergman e Humphrey Bogart, 1942.

Ingrid Bergman e Humphrey Bogart, 1942.

foto 3

Barbara Stanywick e Fred MacMurray, 1944.

Barbara Stanywick e Fred MacMurray, 1944.

foto 4

Lauren Bacall e Humphrey Bogart, 1944.

Lauren Bacall e Humphrey Bogart, 1945.

foto 5

Ingrid Bergman e Cary Grant, 1946.

Ingrid Bergman e Cary Grant, 1946.

foto 6

Elizabeth Taylor e Montgomery Clift, 1951.

Elizabeth Taylor e Montgomery Clift, 1951.

foto 7

Audrey Hepburn e Gregory Peck, 1953.

Audrey Hepburn e Gregory Peck, 1953.

foto 8

Deborah Kerr e Burt Lancaster, 1953.

Deborah Kerr e Burt Lancaster, 1953.

foto 9

Audrey Hepburn e Humphrey Bogart, 1954.

Audrey Hepburn e Humphrey Bogart, 1954.

foto 10

Elizabeth Taylor e Van Johnson, 1954.

Elizabeth Taylor e Van Johnson, 1954.

foto 11

Debotah Kerr e Cary Grant, 1957.

Debotah Kerr e Cary Grant, 1957.

foto 12

Kim Novak e James Stewart, 1958.

Kim Novak e James Stewart, 1958.

foto 13

Anita Ekberg e Marcelo Mastroiani, 1960.

Anita Ekberg e Marcelo Mastroiani, 1960.

foto 14

Audrey Hepburn e George Peppard, 1961.

Audrey Hepburn e George Peppard, 1961.

foto 15

Sophia Loren e Marcelo Mastroiani, 1964.

Sophia Loren e Marcelo Mastroiani, 1964.