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Boa sorte, Aragão

26 set

Gostei do preto-e-branco cinemascope de “Boa sorte, meu amor” (Daniel Aragão, 2012), porém, confesso, depois de meia hora de projeção, a minha mente começou a retroceder no tempo. Na medida em que o filme corria (corria não, se arrastava), experimentei a sensação esquisita de estar em uma daquelas velhas sessões do velho Cine Municipal, vendo um “filme de arte”, lá pelo começo dos anos sessenta, quando todas as vanguardas cinematográficas estavam eclodindo. Embora a paisagem fosse Recife e os atores, brasileiros, tudo me parecia Antonioni, o de “O eclipse”, por exemplo.

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Há uma cena que pode ilustrar a minha sensação a contento. O enquadramento em plano de conjunto mostra uma sala de estar de um apartamento classe média, com alguém presente, no caso, o protagonista, Dirceu. Depois de algum tempo, ele deixa a sala por uma porta lateral. A sala ficando vazia, esperamos naturalmente um corte e a introdução de uma nova tomada, que dê continuidade à estória. Que nada! Os segundos decorrem e ficamos, nós espectadores, sem saber o que fazer da imagem prolongada dessa sala vazia. Lá para as tantas é que alguém (a outra protagonista, Maria) adentra o quadro e, pela mesma porta, vai ter com Dirceu off-screen. Não contei o tempo, mas a demora é enorme entre a saída de um personagem e a entrada de outro. O que significa essa sala vazia?

Sem querer, lembrei-me do filósofo irlandês George Berkeley que afirmava que, embora só a nossa percepção conceda existência e sentido às coisas, uma sala vazia continua existindo e fazendo sentido porque, se não a vemos, Deus a vê. Aqui, nós somos o Deus que vê o vazio da sala, porém, diferentemente do Deus de Berkeley, o nosso olhar salvador não lhe atribui nenhum sentido.

A cena é paradigmática do filme todo, cheio de planos excessivamente longos, sem a intercalação de outros, porventura menores, que amarrem a narrativa, esta se construindo de modo propositadamente precário, fragmentado, disforme. (para fazer justiça ao diretor: notem que eu disse ´propositadamente´).

Recife e sua selva de pedra

Recife e sua selva de pedra

Ao chegar em casa, por curiosidade, fui checar a idade do diretor Aragão e constatei que, ao rodar o filme, estava com 30 anos. E me dei conta do seguinte: para o pessoal jovem de hoje em dia, cinéfilo e ansioso por inovações semióticas, “Boa sorte, meu amor” parece novo; para o pessoal coroa da minha geração, ele – qualidades à parte – parece velho. Em vista do exposto acima, acho que não preciso explicar por que.

E mesmo assim explico. Acontece que há modos e modos de inovar, um deles, como aqui, sendo a retomada (consciente ou não – pouco importa!) do que, no passado, já foi novo. Algo triste de admitir é que vanguarda também congela, e algo ainda mais triste de admitir é que o modelo tradicional de cinema – aquele narrativo, ficcional e representacional, com começo, meio e fim – já foi, faz muito tempo, assumido no mundo inteiro como universal e – tudo indica – insuperável.

Tematicamente, o filme tem dois caminhos – por um lado é uma estória de amor, no tradicional modelo fabular ´rapaz conhece moça´, com o desenvolvimento afinal não tão inusitado, do tipo ´rapaz perde moça´; por outro lado é uma ensaio sobre uma classe social bem marcada, a classe média urbana nordestina, descendente da velha aristocracia rural.

A paisagem rural é o segundo cenário do filme

A paisagem rural é o segundo cenário do filme

Uma coisa que o filme faz bem é misturar os dois caminhos, tornando-os único, sem saída e sem futuro. É, por exemplo, muito boa a idéia de que o protagonista Dirceu trabalhe como engenheiro justamente de demolição, sugerindo a negatividade de seu ofício, e a destruição de um Recife que em pouco tempo vai desaparecer para dar lugar a arranha-céus e nada mais. Também é boa a idéia de que Maria, sabendo-se grávida, desapareça da vida de Dirceu e o filme termine sem que a encontremos. Dá certo com a longa fala com que o filme se abre em que o pai explica a Dirceu a origem, digamos, “ilegítima” da família: o filho de Maria (referência bíblica?) vai ser um “ilegítimo”, como os descendentes da índia que originou a família de Dirceu. Por aí.

Ou seja, o filme sem dúvida tem bons lances; o que o atrapalha um pouco é a pretensão de repetir as vanguardas sessentistas, ao invés de inventar suas próprias invenções. Quem sabe, talvez se fosse narrado de forma mais saudavelmente convencional, seria um filmaço.

Mas, convenhamos, é o primeiro longa-metragem de um jovem cineasta em começo de carreira, e, a quem visivelmente demonstra tanto entusiasmo com a expressão cinematográfica, vale dar as boas vindas. Portanto: Boa sorte, Aragão.

Em tempo: “Boa sorte, meu amor” está em cartaz na cidade.

Christiana Ubach faz o papel da protagonista Maria

Christiana Ubach faz o papel da protagonista Maria

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O sagui, King Kong e a macaca Monga

11 set

Assisti a “Cine Holiúdy” (Halder Gomes, 2013) numa noite de sábado, a sala lotada, com a plateia gargalhando do começo ao fim.

Não esbocei um único riso, porém, cinéfilo com passado, não pude deixar de me lembrar dos velhos bons tempos das chanchadas da Atlântida, quando o cinema brasileiro quase competia em bilheteria com a hegemonia americana. Com a vantagem de então me fazer rir…

Saí do cinema pensando no “fenômeno” que é o filme de Gomes e me ocorreu o seguinte: que o famoso humorismo contemporâneo cearense afinal chega ao cinema. Sim, tinha havido antes Os trapalhões em película, mas isso foi bem antes desse atual boom de humor que assola o Estado de Padre Cícero. Pois é, assistindo a “Cine Holiúdy”, a mim me pareceu estar vendo um comediante cearense desses que estão aí, de repente, sair do palco e dar uma “voadeira” para a tela. (“voadeira” do léxico do cearensês em que o filme é falado, acompanhado de legendas em português).

Ainda bem que fez isso à guisa de homenagem à sétima arte. O enredo é simples: ameaçado pela emergência da televisão nas cidades do interior cearense, o exibidor Francisgleidisson se muda, com a família, para Pacatuba e lá instala o seu pequeno cinema, cuja programação deve, inevitavelmente, competir com a avassaladora nova mídia. Na noite da estréia, com meio caminho andado de projeção, o projetor explode e ele, para não devolver os ingressos, tem que improvisar um plano B em que ele mesmo, de carne e osso, será o astro da noite.

Por causa da temática (digo: a decadência do cinema de rua), é possível que alguém associe “Cine Holiúdy” – mal comparando – ao “Cinema Paradiso” de Tornatore, mas acho que uma má comparação também é possível com “A vida é bela” do Begnini, pelo menos do ponto de vista actancial: um casal com um filho pequeno, e ainda apaixonado (a ´princesa´ de lá é a ´graciosa´ daqui), leva uma vida difícil, com o pai sempre iludindo o filho com estórias fantasiosas.

Uma dessas ilusões paternas é a de que o sagui de estimação da família vá um dia crescer e tomar as proporções gigantescas de King Kong. Por sinal, uma fábula de pai imaginativo para filho sedento de heroísmo que ilustra mais que uma relação afetiva. Notem bem como esse sagui pode ser interpretado como o cinema cearense, na mesma medida em que King Kong pode ser tomado como uma metonímia de Hollywood. O sagui virar King Kong, o que significa isto? Precisa explicar? Aliás, a esse propósito, revejam o desenlace do filme, com a cena da entrevista na televisão (!) estrangeira onde, depois de estrondoso sucesso mundial e agora em inglês correto, o exibidor cearense Francisgleidisson expressa sua alegria e seu orgulho, e, de sobra, corrige a entrevistadora, que erra o nome de sua cidade, Pacatuba. A cena inteira é a licença poética que fez do sagui um King Kong.

cine holiudy 2

Lembro que, numa das gags do filme, o sagui doméstico, sem mais nem menos, se transforma na macaca Monga – o que, afinal de contas, já é um índice de sua vocação para o crescimento.

Tive a chance de, antes de ver “Cine Holiúdy”, assistir ao premiado curta “Cine Holiúdy: o artista contra o cabra do Mal” (2004) que deu origem ao longa em cartaz e pude observar alguns dos procedimentos da transformação. Claro, acrescentou-se um pouco de enredo novo, mas o grande enchimento de lingüiça foi mesmo com mais personagens e muitas gags. Algumas boas (por exemplo: a do ´nada consta´ na repartição pública, ou a das exigências burocráticas para o pequeno empresário no tempo da Ditadura, ou, a do escorpião capaz de furar pneu de automóvel, ou ainda, o cuidado do marido para que a médica não use o martelo nos olhos da esposa); outras nem tanto (por exemplo: o homossexual dizendo à moça que ´se gostasse de coisa feia, andava com filhote de urubu debaixo do braço – uma tirada horrivelmente manjada; outra piada batida é a dita do projetor quebrado por um espectador: “o problema é de junta: junta tudo e joga no lixo”).

Em alguns casos a gag ganha estatuto de número de ´stand up comedy´, como aparenta na relativamente longa cena em que o pai explica ao garoto como se pode falar línguas estrangeiras – chinês, francês ou alemão – usando a fruta macaíba na boca, isto sem esquecer de dizer que os estúdios Disney importavam a fruta nordestina para as tais cenas “trogloditas” (leia-se: poliglotas).

Outra forma de rechear foram os acidentes ou fatos paralelos que, se não existissem, não fariam falta à estrutura básica da narrativa. O pastor curando um paraplégico é um caso, como também o do garoto pobre que é forçado a engolir um falso toddy; o flashback cinematográfico mentiroso de Francisgleydisson, contado ao filho, pode ser outro caso, bem como os pesadelos de Graciosa, tão recorrentes ao ponto de levá-la ao médico. Às vezes há pequenas excrescências que não levam a nada, como, na despedida da família, o amigo que fica esmurrando Franiscgleydisson, com o desafio ´tu gosta de porrada, né?´ ou, ainda, aquele dono de bar que tempera a comida com o suor que lhe cai do corpo.

Um elemento que o curta tem mais que o longa é o que vou chamar de “estudo de recepção”: vejam o que acontece quando “o filme dentro do filme” termina (e “o filme dentro do filme” naturalmente inclui o show de artes marciais do projecionista na frente da tela): os espectadores, assimilando o que viram, saem do cinema imitando os personagens, os ficcionais e o real, ou seja, saem dando socos uns nos outros, ou no ar. Ora, no curta isto é feito de modo bem mais sistemático e com mais efeito cômico.

Os personagens de “Cine Holiúdy” são, naturalmente, caricaturescos e nem sempre reproduzem os tipos da cidade pequena dos anos setenta. Se, por exemplo, o prefeito foi construído com certo grau de ´realismo´ estereotipado, a figura do padre assume mais o escrache que define o estilo do filme.

Com tanta gente na tela, a direção de atores deve ter sido um sufoco, mas, com certeza, o resultado neste particular foi bom, ajudado pela agilidade da montagem, sobretudo durante a sessão no cinema, quando se corta, o tempo todo, da tela ou palco para closes da plateia. Um único ator mal dirigido acho que foi mesmo o menino rico, o dono da bola de futebol e da tv telefunken 12 polegadas, sempre artificial na interpretação de seu personagem e pior (problema de roteirização), falando difícil, usando os verbos no futuro (teremos, veremos); de qualquer forma, os outros estão tão bons que o apagam.

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Por que o gênero do Cine Holiúdy tinha que ser lutas marciais? Em dado momento o proprietário Francisgleydisson ainda coloca o rolo de um ´filme de amor´, mas os protestos da plateia são unânimes e ele é obrigado a voltar ao Karatê de sempre. Uma alternativa de explicação está em que, de fato, na década de setenta – época em que a estória se passa -, com a freqüência de cinema em baixa, os filmes de karatê tomaram conta das telas brasileiras, e o Ceará com certeza, não ficou de fora; uma outra explicação – talvez somada à primeira – é de ordem biográfica: consta que o diretor Halder Gomes é mestre em lutas marciais e escolheu um ator, Edmilson da Silva, que também as pratica.

Comecei esta matéria lembrando as chanchadas dos anos 40 e 50. Eram comédias tipicamente cariocas, assim como os filmes de Mazzaropi eram comédias paulistas, em ambos os casos, tão recorrentes e codificadas ao ponto de constituírem um gênero. Apesar das eventuais (e sem continuidade!) filmagens da obra de Ariano Suassuna, o Nordeste nunca deu um gênero cômico em cinema, e o espectador de “Cine Holiúdy” pode ser deixado pensando se este é o começo de um. Será?

Ainda que não seja, o filme decididamente tem fôlego próprio. Não me fez rir, mas isso é um problema meu e não dele, tanto é assim que está faturando milhares Nordeste afora e pode repetir a façanha no Sul do país. Para voltar à isotopia animal de seu universo, se não virar um King King, já é pelo menos uma macaca Monga… como – repito – prometido por uma de sua gags já citada.

O som e a fúria ao redor

6 mar

Entra, finalmente, no circuito comercial o super aguardado “O som ao redor” (2012), primeiro longa do pernambucano Kleber Mendonça Filho, que revela o talento e a competência expostas nos seus curtas.

Construído em cima de duas pulsões supostamente antagônicas, o filme chama a atenção, entre outras coisas, pela originalidade de seu roteiro, aqui o meu enfoque escolhido. De um lado, temos uma pulsão descritiva, documental, realista, epocal, cujo limite seria a crônica cinematográfica; de outro lado, uma pulsão narrativa, fabulatória, ficcional, cujo limite seria, digamos, o thriller.

Para o espectador a crônica vem primeiro, e o filme parece limitar-se a fazer o retrato de um bairro classe média de Recife, até que, menos óbvia, a segunda pulsão começa a manifestar-se, para completar-se na tomada final, quando estampidos de fogos de artifícios encobrem disparos de armas que ´resolvem´ um caso de vendetta familiar.

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Vejam, por exemplo, que a faceta descritiva já tem muito da metonímia que está no título: as cenas são do cotidiano, mas, a ênfase é na poluição sonora que caracteriza a vida urbana no Brasil – latidos de cães, trânsito, furadeiras, gritos infantis, televisões ligadas, carrinhos de cd pirata, aspiradores de pó, etc… são os sons ao redor que infernizam a existência e escondem uma violência subliminar. Aliás, poucos filmes na história do cinema tematizaram o ruído (duplo sentido: de perturbação sonora e distúrbio semiótico na comunicação) do modo como aqui está feito. Fico imaginando o quanto os silenciosos espectadores europeus terão dificuldade em compreender esse barulho generalizado.

Com o mesmo comportamento metonímico (ninguém vê o que ocorre), a violência – já não mais tão subliminar – vai ter um ápice na referida cena final, quando o filme nos descortina a sua faceta de thriller; um que foge aos padrões do gênero como o diabo da cruz, mas, de todo jeito, um thriller.

Sim, nem a descrição é fiel ao real, nem a narração é convencional, pois inúmeros detalhes problematizam o realismo da primeira pulsão, e vários incidentes perturbam o desenvolvimento da narratividade na segunda.

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Exemplos do primeiro caso: de uma dona de casa nordestina não se espera que se masturbe ao som da máquina de lavar, nem que seus filhos sejam obrigados a estudar chinês; por que a empregadinha que é levada pelo amante a um apartamento alheio, só quer fazer amor em determinado compartimento? Como explicar os banhos noturnos do idoso Sr Francisco, num setor da praia sujeito a ataques de tubarões? Os personagens possuem suas idiossincrasias e a lógica – se há uma –, que vai muito além do típico, parece ser a de que ´de perto, ninguém é normal´.

Do mesmo modo, e apesar da divisão do filme em três partes indicadas por letreiros, o decorrer narrativo está repleto de lacunas propositais e perturbadoras. Um exemplo típico está na relação entre os personagens Francisco (feito por Solha) e seu neto Dinho: este é o protégé daquele, e, no entanto, raramente, ou nunca, os vemos juntos na tela. A visita à fazenda é outro exemplo que vem ao caso, toda mostrada em elipses, ficando-se apenas com imagens sintomáticas, como a do banho de cachoeira de águas subitamente avermelhadas, espécie de prolepse do desenlace. Aliás, única linha amorosa da estória toda, o caso entre João e Sofia chega a um término desencantado, sem que saibamos como nem por quê, isto para não citar o final em aberto, de nós graficamente escondido…

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No mesmo sentido de driblar a convenção, vários incidentes retardam o tempo, sem relação aparente com o narrado. A reunião de condomínio para demitir o porteiro do prédio, bem como o caso do pivete trepado na árvore, podem ser entendidos como itens da pulsão descritiva, porém, o argentino perdido na vizinhança, o discutido olho cego de um dos vigilantes, aquela bola que um garoto sem querer chuta para o apartamento a alugar, e os pés descalços da empregada passando ferro são de mais difícil explicação…

As interpretações dos atores são, todas elas, excelentes, mas “O som ao redor” me parece um caprichoso “filme de roteiro” onde concepção de cenas, manuseio de som e edição de imagens são perfeitos. Com o seu tema de vingança, a trama poderia – se se quisesse – ser posta nos seguintes termos: rapazes do Interior se disfarçam de vigilantes para vingar a morte do pai, crime cometido por velho latifundiário, hoje aposentando e residente solitário da praia de Boa Viagem; junto com o cotidiano dos vizinhos e parentes do velho senhor, esta é a diegese do filme, porém, como este resumo dá uma idéia longínqua do que se vê na tela!

Se a coisa mais explícita no filme de Kleber Mendonça é o som, a menos explicitada (e por isso mesmo, mais gritante) é a violência, tanto a atual, urbana, como aquela outra, arcaica, que vem do passado do velho Francisco e seu Nordeste latifundiário. Para usar uma metáfora intertextual bem cabível (Cf “MacBeth”), são o som e a fúria numa mesma isotopia fílmica.

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