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Coadjuvantes (2) as mulheres

27 nov

Na edição de setembro do Correio das Artes, e neste blogue (Conferir), veiculei matéria sobre os atores coadjuvantes que foram importantes na história do cinema. Quinze cinéfilos (eu incluso) escolheram, cada um, cinco nomes de atores de sua preferência que se destacaram nesta categoria. Inevitavelmente, houve repetições, as quais me conduziram a pensar uma espécie de pequeno cânone.

O ator coadjuvante com maior número de escolhas foi o veterano Walter Brennan (com cinco votos), seguido de Ernest Bognine, Lee van Cleef e Lee J. Cobb e Thomas Mitchell, com quatro.

Agora é a vez das mulheres. Dentro do mesmo procedimento, pedi a quinze cinéfilos amigos que me dessem cinco nomes de suas coadjuvantes mais amadas, e aqui segue o resultado, devidamente comentado.

Como na matéria sobre os coadjuvantes masculinos, a fase do cinema mais evidenciada pelas escolhas foi a clássica, aquele período que vai dos anos trinta aos sessenta. Cinéfilos de memória privilegiada lembraram atrizes de um passado remoto, como – para citar apenas dois exemplos – Edna Purviance e Margaret Dumont. Purviance atuou, com frequência, no cinema mudo, em muitos dos filmes de Chaplin, quando o personagem era o vagabundo Carlitos, e Dumont foi, também com frequência, aquela senhora meio ingênua que, nos anos trinta, servia de escada para as palhaçadas dos irmãos Marx.

Atuantes no tempo em que afrodescendentes eram raro(a)s na tela – proibido(a)s pelo Código Hays de Censura – foram lembradas atrizes como Hattie McDaniel – a empregada negra de “E o vento levou” (1939), e Juanita Moore, a sofredora mãe negra, rejeitada pela filha branca, em “Imitação da vida” (1959).

Thelma Ritter com James Stewart, em Janela Indiscreta.

Thelma Ritter com James Stewart, em Janela Indiscreta.

As nacionalidades são quase todas americanas, mas houve votos, sim, para as brasileiras Ruth de Sousa, Geny Prado, Thelma Reston e Zezé Macedo.

Vejamos, agora, que atrizes tiveram os maiores números de escolhas. Com um número avassalador de votos (treze) ganha Thelma Ritter o primeiro lugar na preferência dos cinéfilos e cinféfilas consultados. Se formos considerar um segundo lugar, este seria dividido entre Agnes Moorehead e Judith Anderson, ambas com cinco votos. E um terceiro honroso lugar fica para a brasileira Zezé Macedo, com quatro votos.

Para quem pode não estar lembrado, Agnes Moorehead, entre muitos outros papéis importantes que desempenhou em filmes da era clássica, foi a mãe do protagonista no filme mais conceituado da história do cinema, o “Cidadão Kane” de Orson Welles (1941). Já Judith Anderson pode muito bem ser lembrada pelo seu papel marcante como a sombria governanta no hitchcockiano “Rebeca, a mulher inesquecível” (1940). Quanto a Zezé Macedo, acho que, entre nós, dispensa apresentação, mas lembremo-la como a esposa matuta de Oscarito na chanchada de primeira classe “O homem do Sputnik” (Carlos Manga, 1959).

A grande atriz Thelma Ritter seria, portanto, a coadjuvante que mais encantou/encanta os cinéfilos e cinéfilas, mas, será que o leitor do Correio das Artes lembra mesmo quem é ela?

Não há outro jeito de saber, se não for repassando os seus papéis, nos muitos filmes em que participou, sempre ao lado de grandes astros e estrelas, filmes dirigidos por cineastas importantes da chamada Hollywood clássica. Vejamos.

Em “A malvada” (“All about Eve”, 1950, de Joseph Mankiewicz) ela era a dedicada camareira de Bette Davis, que dava seus pitacos certeiros, sem nunca ser levada a sério. Em sua intuição de mulher simples, foi a primeira a notar a falsidade da protagonista do título do filme, a “Eva” feita por Anne Baxter.

Em “Anjo do mal” (“Pickup on South Street, 1953, de Samuel Fuller) era a desencantada vendedora de gravatas que, sem culpa no cartório, é assassinada por espião comunista. Sim, aquela mesma que vive juntando o seu dinheirinho mirrado para um funeral com dignidade. Um papel sombrio, num filme sombrio, para uma grande atriz. Nas minhas conversas com os cinéfilos consultados, foi este o seu papel mais mencionado.

Thelma Ritter em A Malvada, com Bette Davis.

Thelma Ritter em A Malvada, com Bette Davis.

Em “Janela indiscreta” (“Rear window”, 1954, Alfred Hitchcock) foi a tagarela enfermeira de James Stewart, que ajudou tanto na cura da perna engessada, como no desvendamento do crime cometido no condomínio. É ela que desce, com Grace Kelly para remexer a terra do jardim lá embaixo, onde o cachorrinho da vizinha cavara, e, por isso, fora morto.

Em “Confidências à meia noite” (“Pillow talk”, 1959, de Michael Gordon) foi a faxineira de Doris Day, que só dava conta da arrumação do apartamento entre um gole e outro, e, sempre cambaleante, ainda tinha tempo para conselhos a essa jovem patroa que vivia envolvida com um vizinho chato e um amante cavalheiro, que, na verdade, eram a mesma pessoa.

Em “Os desajustados” (“The misfits”, 1961, de John Huston) era a amiga de Marilyn Monroe, que desaparecia depois de meia hora de filme, mas deixava o seu rastro, mesmo porque, onde Thelma Ritter aparecia ninguém esquecia seu rosto e seu jeito.

Em “O homem de Alcatraz” (“The birdman of Alcatraz”, 1962, de John Frankenheimer) foi a sofrida genitora desse criador de pássaros, mais preso que eles. Suas visitas ao filho encarcerado não eram constantes, mas deixaram marcas.

Suponho que, a esta altura, o leitor – se não tinha – já tem uma ideia da figura de Thelma Ritter, até porque as suas atuações reforçavam um tipo, físico e psicológico, bem particular, que poderia talvez se rotular de mulher do povo: baixinha, rosto redondo, olhos apertadinhos, bochechas ligeiramente salientes, cabelo encaracolado, nem curto nem comprido, dicção inconfundível, cheia de tiradas curtas e grossas, andar peculiar, balançando o corpo de um lado para o outro, em alguns casos criando um ritmo que também era o do filme.

Thelma Ritter (1902-1968) nasceu no Brooklyn, Nova Iorque, e se interessou por teatro desde tenra idade. Na juventude, foi aluna do “American Academy of Dramatic Arts”, porém, a sua vida profissional na ribalta mal começara e ela já casou-se com o executivo da publicidade Joseph Moran, teve duas filhas, e, salvo participações em rádio durante os anos quarenta, interrompeu a carreira para ser mãe e dona de casa.

Os Desajustados (1960): Thema Ritter com Marilyn Monroe.

Os Desajustados (1960): Thema Ritter com Marilyn Monroe.

De forma que, ao retornar à profissão e ser escalada pela equipe da 20th Century Fox para uma ponta em “De ilusão também se vive” (“Miracle on 34th street”, 1949, de George Seaton) já era uma senhora de quarenta e cinco anos. Vocês lembram, não é? Com Natalie Wood ainda garota, o filme era a estória de um Papai Noel que, para a perplexidade de todos, se revelava verídico.

Depois dessa ponta sem créditos, não parou mais de ser chamada para os fundamentais “supporting roles” – papéis de apoio.

Eis alguns de seus outros filmes: “Quem é o infiel?” (1949, de Mankiewicz), “Duas almas, dois destinos” (1950, de Bretaigne Windust), “O quarto mandamento” (1951, de Mitchel Leisen), “O modelo e a casamenteira” (1951, de George Cukor), “Meu coração canta” (1952, de Walter Lang), “Náufragos do Titanic” (1953, de Jean Negulesco), “Papai pernilongo” (1955, de Negulesco), “Os viúvos também sonham” (1959, de Frank Capra), “A conquista do Oeste” (1962, de vários diretores), “Por amor ou por dinheiro” (1963, de Michael Gordon), “Ele, ela e a outra” (1963, de Gordon).

Sua última participação em cinema não correspondeu ao seu talento: “Boeing Boeing” (1965, de um tal de John Rich), foi uma comédia tola onde o jornalista Tony Curtis, controlando o esquema de voos, conseguia ter casos simultâneos com três aeromoças.

Na categoria de atriz coadjuvante, Thelma Ritter mantém ainda hoje um recorde, ao mesmo tempo honroso e desfavorável: foi seis vezes (em 1950, 51, 52, 53, 59 e 62) indicada ao Oscar, sem nunca receber o prêmio. Esse recorde ela partilha com Deborah Kerr (no caso, como atriz principal), só que Kerr pôde receber, no fim da vida, um prêmio pelo conjunto da obra, e ela não. Mais uma das injustiças da Academia de Hollywood.

Enfim, eis a lista completa dos depoentes e suas escolhas – aqueles relacionados em ordem alfabética, e estas, na ordem em que me foram entregues:

Alessandra Brandão:

Thelma Ritter, Hattie McDaniel, Ruth Gordon, Judith Anderson, Shelley Winters.

André Ricardo Aguiar:

Thelma Ritter, Margaret Dumont, Joan Cusak, Gloria Grahame, Maggie Smith.

Edward Lemos:

Celeste Holm, Agnes Moorehead, Thelma Ritter, Jessica Tandy, Barbara Eden.

Fernando Trevas:

Thelma Ritter, Marisa Tomei, Geny Prado, Zezé Macedo, Thelma Reston.

Homero Fonseca:

Ruth de Sousa, Maggie Smith, Judi Dench, Kim Hunter, Agata Kuleszca.

Ivan (Cineminha) Costa:

Thelma Ritter, Agnes Moorehead, Jo Van Fleet, Judith Anderson, Zezé Macedo.

Jefferson Cardoso

Gloria Grahame, Edna Purviance, Dianne Wiest, Patricia Clarkson, Toni Collette.

Joao Batista de Brito:

Thelma Ritter, Agnes Moorehead, Katy Jurado, Celeste Holm, Elsa Lanchester.

Joaquim Inácio Brito:

Judith Anderson, Flora Robson, Gale Sondergaard, Thelma Ritter, Elsa Lanchester.

Martinho Moreira Franco

Katy Jurado, Thelma Ritter, Shelley Winters, Rosalind Russell, Zezé Macedo.

Paulo Melo:

Thelma Ritter, Lotte Lenya, Donna Reed, Ruth Gordon, Cloris Leachman.

Ramayana Lira:

Thelma Ritter, Marisa Tomei, Agnes Moorehead, Judith Anderson, Juanita Moore.

Renato Félix:

Thelma Ritter, Kathleen Freeman, Joan Cusak, Jean Hagen, Celeste Holm.

Rolf de Luna Fonseca:

Thelma Ritter, Jane Darwell, Judith Anderson, Agnes Moorehead, Gale Sondergaard.

Silvino Espínola:

Thelma Ritter, Dorothy Malone, Katy Jurado, Zezé Macedo, Angie Dickinson.

Thamara Duarte:

Rita Moreno, Donna Reed, Jessica Tandy, Hattie McDaniel, Edna Purviance.

A grande campeã das coadjuvantes, a magnífica Thelma Ritter.

A grande campeã das coadjuvantes, a magnífica Thelma Ritter.

O que odeio nos filmes que amo

17 nov

Na posição de crítico de cinema, escrevo sobre tudo, porém, nunca escondi que tenho preferências. Quem me acompanha de perto percebe que sou fã do cinema do passado, especialmente daquela fase a que chamam de Hollywood clássica.

Esse amor pelo cinema americano do passado (décadas de 30, 40 e 50), contudo, não me cega para os seus defeitos, que são muitos. Conheço-os todos, melhor que ninguém, pois estou permanentemente em contato com eles.

Evidentemente, o maior problema da Hollywood clássica era o dinheiro, que tanto ajudava, como atrapalhava. Sim, em uma atividade industrial daquele porte, as realizações tinham que dar lucro e os criadores (cineastas, roteiristas, atores, fotógrafos, músicos, etc) eram pressionados a permanecer dentro das regras dos grandes estúdios, que, obviamente, só pensavam em bilheteria.

Estereótipos: o cabeleireiro em "A princesa e o plebeu".

Estereótipos: o cabeleireiro em “A princesa e o plebeu”.

As regras privilegiavam as convenções e uma das convenções era, por exemplo, o sistema de gêneros, a ser seguido a rigor. Um melodrama não podia terminar como uma comédia, nem vice-versa. Um outro sistema era o star system: um ator que se consagrara como heroi não podia, de repente, fazer papel de bandido.

Enfim, o espaço para variações ou experimentações era mínimo, o que dava à maior parte dos filmes um caráter de aborrecida previsibilidade.

Rearranjos de roteiros, imposições de elenco, mudanças de desenlaces, proibições de certos enquadramentos, cortes de trechos… Na maior parte dos filmes da época é possível perceber o dedo da produção, porém, o mais incrível é que, malgrado todas as pressões, dessa indústria opressora tenha brotado tantas grandes obras.

Para piorar tudo, havia a censura. O famigerado Código Hays de Censura foi introjetado por Hollywood, ao ponto de virar auto-censura generalizada. Os beijos eram cronometrados e a imagem de uma cama de casal na tela era vista como algo imoral. Já tratei do assunto várias vezes e não vou repetir os malefícios da censura sobre o cinema clássico.

Mickey Rooney, o estereotipado asiático em "Bonequinha de luxo".

Mickey Rooney, o estereotipado asiático em “Bonequinha de luxo”.

Independentemente da questão da censura, um outro defeito vistoso da Hollywood da época era a patriotada, aquela mania de apresentar a América como sendo o melhor dos mundos possíveis. Isso foi muito exacerbado durante a Segunda Guerra, como reação ao nazismo, mas, perdurou, depois, com a guerra fria (e perdura). O perigo do comunismo era o pretexto para exaltar o ´american way of life” e todas as suas supostas maravilhosas variações. Essa posição ideológica tomada em favor da pátria deu muitos filmes ruins, mas, engraçado, também deu muitos filmes bons: o espectador de Frank Capra que o diga.

Porém, admito, o pior de tudo mesmo era o etnocentrismo do povo americano, que era endossado por Hollywood, mas não se limitava a ela. A América, como um todo, só conhecia a América, como se o resto do mundo fosse irrelevante. Do resto do mundo tinha-se apenas informação de segunda mão, uma informação deturpada que transformava tudo a mais em estereótipo.

Querem ver, prestem atenção ao modo como eram representados os personagens estrangeiros – qualquer um – nos filmes americanos dos anos 30 a 50. Ao rever os filmes da época, a impressão que se tem é que os roteiristas hollywoodianos tinham, ao seu dispor, um quadro já todo desenhado de como construir um personagem estrangeiro – italiano, francês, japonês, latino, tanto faz – cada um com suas características físicas e psicológicas determinadas. Era só aplicar a fórmula disponível no quadro para a nacionalidade desejada… e pronto. Se você olhar direitinho, até Carmem Miranda, que foi uma estrela na Meca, sofreu esse processo.

A brasileira Carmem Miranda endossou estereótipos.

A brasileira Carmem Miranda endossou estereótipos.

Para mim, não sei por que (ou sei?) o que mais me irrita nesses filmes antigos que amo é essa representação estereotipada dos estrangeiros.

Recentemente, estava vendo o grande melodrama de Frank Borzage, “A história começou à noite” (“History is made at night”, 1937), com Charles Boyer e Jean Arthur, e toda vez que aparecia um certo personagem, me dava ímpeto de desligar o DVD. Era um italiano, chef de cozinha, construído pelos roteiristas com todos os trejeitos que os americanos supõem serem próprios do povo italiano, feitos com tanta ênfase, e tão mal feitos, ao ponto de virar caricatura, sabe como é, olhos arregalados, os braços no ar, e o “porca miséria” repetido ad nauseam. Saco!

"A história começou à noite", 1937, de Frank Borzage.

“A história começou à noite”, 1937, de Frank Borzage. 

Não vou me dar ao trabalho de citar outros exemplos, mas lembrem os japoneses, chineses, indianos, franceses, italianos, mexicanos e latinos em geral, representados nos filmes americanos de antigamente. Coitados dos atores, sobretudo os nativos, obrigados pela produção a passar essa imagem ridícula de seus compatriotas.

Como estou sempre revisitando os clássicos do passado, minha sina é aguentar esse lixo. Lixo metido no meio de pérolas, é verdade, mas, de todo jeito, lixo.

Até Brando fez um japonês estereotipado em "Casa de chá do luar de agosto"...

Até Brando fez um japonês estereotipado em “Casa de chá do luar de agosto”…

Coadjuvantes

28 set

Um componente forte na mitologia do cinema sempre foi o culto aos astros e estrelas. O pensador Edgar Morin teorizou o assunto em seu livro de 1957, “Les stars – mythe et séduction au cinéma”, mas, há sempre algo mais a ser dito. Por exemplo: que a mitologia não está restrita aos atores principais: que os coadjuvantes podem ser tão, ou mais queridos que aqueles.

Sim, até porque os coadjuvantes da tela, de alguma maneira, podem funcionar, no inconsciente do espectador, como uma representação dos coadjuvantes da vida real. No plano da existência, você é o protagonista de sua própria história, mas essa história está repleta de coadjuvantes que podem ser, ou ter sido, ou vir a ser, mais – ou menos – importantes, ou mesmo decisivos, para você.

Há muito me interessa o tema e já escrevi vários artigos tratando de um ou uma coadjuvante que foi importante na história do cinema. Na verdade, pretendo reunir esses artigos – por enquanto cerca de 25 – e publicar o conjunto em formato de livro.

Antes disso, porém julguei que seria interessante uma matéria de caráter interativo em que não apenas eu, mas os cinéfilos a que tenho acesso me apontassem nomes de coadjuvantes que julgassem indispensáveis para constar de uma antologia.

Assim, pedi a amigos cinéfilos – quinze ao todo – os nomes de cinco coadjuvantes e, claro, supus que, no quadro completo, haveria recorrências, as quais, se fosse o caso, me conduziriam a um pequeno cânone. Nesta primeira etapa do trabalho, limitei-me a nomes masculinos, ficando para a segunda etapa (aguardem) a matéria sobre as mulheres coadjuvantes.

Comecemos, portanto, com os mais votados na minha pesquisa, que, no caso, são coincidentemente cinco. Para facilitar a identificação vou estar citando, em cada caso, pelo menos três filmes em que o contemplado participou, com breve descrição de seu personagem.

Walter Brennan, o rei dos coadjuvantes.

Walter Brennan (três Oscars), o rei dos coadjuvantes.

Com quatro votos, o grande campeão na preferência de meus amigos cinéfilos é Walter Brennan (1894-1974) que, desconfio, o leitor mais jovem nem sabe quem seja.

Walter Brennan foi o chefe da quadrilha dos Clanton, rivais dos irmãos Earp, contra os quais debateu-se no famoso ´duelo do OK Corral´. Verídico, o duelo foi filmado várias vezes, em filmes diferentes, mas aqui me refiro naturalmente à versão do grande John Ford, em “Paixão dos fortes” (“My darling Clementine”, 1945). Brennan também foi o empregado de John Wayne na interminável condução do gado em “Rio Vermelho” (“Red River”, 1948) de Howard Hawks. O seu terceiro papel que destaco foi como o parceiro alcoólico de Humphrey Bogart no barco que, negócios à parte, conduzia um prisioneiro de guerra para longe dos ventos nazistas, em “Uma aventura na Martinica” (“To have and have not”, 1944), também de Howard Hawks.

Os próximos colocados tiveram um número igual de votos (3) e, assim, menciono-os em ordem alfabética.

Ernest Borgnine, em segundo lugar

Ernest Borgnine, em segundo lugar

O talentoso grandalhão Ernest Borgnine (1917-2012) fica, portanto, no segundo lugar, e acho que pode ser lembrado pelo seu papel do Sargento Fatso, que, em “A um passo da eternidade” (“From here to eternity”, Fred Zinnemann, 1953) se debate com o magrelo FranK Sinatra, dentro de uma boate de Pearl Habour, em cena inesquecível. Em “Demetrius, o gladiador” (“Demetrius and the gladiators”, Delmer Daves, 1954) ele é um dos gladiadores que vão duelar com Victor Mature na arena romana. E em “Meu ódio será tua herança” está entre os membros da ´wild bunch´ de  Sam Peckimpah (1969).

Lee J. Cobb, em terceiro.

Lee J. Cobb, em terceiro.

Em terceiro lugar vem o grande Lee J. Cobb (1911-1976) que o espectador com certeza lembra, entre tantos outros, em três papéis marcantes: o chefe da gangue dos portuários de “Sindicato de ladrões” (“On the waterfront”, Elia Kazan, 1954), aquele que se debate com Marlon Brando, em luta braçal no final do filme. Ou o preconceituoso jurado de “Doze homens e uma senteça” (“Twelve angry men”, Sidney Lumet, 1958), o último na mesa a se render à inocência do réu em julgamento. O terceiro papel em destaque pode muito bem ser o do médico psiquiatra que trata essa mulher com múltiplas personalidades (Joanne Woodward) em “As três máscaras de Eva” (“The three faces of Eve”, Nannaly Johnson, 1957).

Quarto lugar para o feioso Lee Van Cleef.

Quarto lugar para o feioso Lee Van Cleef.

No quarto lugar está Lee Van Cleef (1925-1989), sempre associado a vilões, seja de faroestes ou de filmes policiais. Seu primeiro papel na tela já é marcante como Jack Colby, um dos três bandidos que chegam a essa pequena cidade do Oeste, aguardando um quarto, que virá no trem do meio dia, para formar o grupo vingativo que vai dar fim ao xerife local, Gary Cooper: o filme é “Matar ou morrer” (“High Noon”, Fred Zinnemann, 1952). No noir “O império do crime” (“The big combo”, Joseph H. Lewis, 1955), Lee Van Cleef faz o papel de um dos membros de um bando de malfeitores, com um caso estranho com o seu companheiro de trabalho, de tons visivelmente homossexuais. Já em “Três homens em conflito” (“Il buono, il bruto, il cativo”, Sergio Leone, 1966), ele é um dos homens conflitantes, aquele denominado no título original do filme, como `o feio´.

O quinto colocado é o grande Thomas Mitchell.

O quinto colocado é o grande Thomas Mitchell.

Por fim, o quinto dos mais votados é Thomas Mitchell (1892-1962), para o qual escolho os seguintes papéis, acho que relativamente fáceis de lembrar: o médico que faz partos e pega em armas com a mesma habilidade em “No tempo das diligências” (“Stagecoach”, John Ford, 1939); o tio meio atrapalhado e bastante desastroso de George Bailey (James Stewart) em “A felicidade não se compra” (“It´s a wonderful life”, Frank Capra, 1946); o tenente Stevenson de “Espelhos d´alma” (“The dark mirror”, Robert Siodmak, 1946), que investiga um crime em que estão envolvidas duas irmãs gêmeas (Olivia de Havilland), ambas aparentando culpa.

Com dois votos ficaram: Roy Barcroft, Karl Malden, Eli Wallach, George Sanders, Dan Duryea, Peter Lorre, Robert Duvall, Joe Pesci, J. K. Simmons e Wilson Grey. O restante da lista teve um único voto.

Adiante arrolo os votantes e seus votos, mas não sem antes tecer algum comentário sobre esse rol de (descontadas as repetições) mais de 50 coadjuvantes.

Acho que a primeira observação a ser feita diz respeito à época. Notar que, em sua maioria, são coadjuvantes do cinema clássico, naquele período que vai dos anos trinta aos cinquenta. Atores atuais são poucos: Joe Pesci, Steve Buscemi, Charles Durn Robert Duvall e Christof Waltz

Uma segunda observação pode ser sobre as nacionalidades, quase todas americanas. Há um espanhol (Fernando Rey), um italiano (Enzo Staiola) e três brasileiros (Wilson Grey, José Lewgoy, e Guará Rodrigues). Naturalizado americano, o alemão Peter Lorre é muito mais lembrado pela sua atuação em Hollywood que em seu país de origem. Quanto aos ingleses, há vários, mas, não sei se faz sentido destacá-los, já que todos fizeram carreira profissional em Hollywood, como Claude Rains, James Mason, George Sanders… alguns deles naturalizados americanos. Talvez a citação obrigatória, neste caso, seja a de John Gielgud.

Vale ressaltar alguns casos curiosos, de coadjuvantes que, em papéis infinitamente repetidos encarnaram tipos, em muitos casos, tipos que serviam de escada aos protagonistas e que, por isso mesmo, tinham uma importância especial para as plateias de sua época. Altamente populares no seu tempo, esses coadjuvantes-tipos hoje em dia só são lembrados por cinéfilos de memória extraordinária.

Roy Barcroft, o "Joâo Branco" dos espectadores infantis de antigamente.

Roy Barcroft, o “Joâo Branco” dos espectadores infantis de antigamente.

Acho que são os casos de Smiley Burnette e Roy Barcroft. Burnette fazia, com frequência, o papel do “doidinho”, uma figura indispensável nos faroestes dos velhos tempos. Nesses mesmos faroestes, um malfeitor obrigatório era Barcroft, calculadamente o bandido que mais apanhou e que mais vezes “morreu”, se contabilizadas todas as películas do gênero. Era tão assíduo que os espectadores infantis da época – conforme relato em ensaio publicado neste Correio das Artes – o confundiam com o autor das legendas e o chamavam de “João Branco”.

Eis, afinal, a lista dos votantes (citados em ordem alfabética) e dos votados (citados na ordem em que me foi entregue):

 

André Cananéa: Joe Pesci, Robert Duvall, J. K. Simmons, Mark Rylance, Martin Landau.

André Ricardo Aguiar: James Cromwell, Lee van Cleef, Richard Jenkins, Charles Coburn, Joe Pesci.

Edward Lemos: John Carradine, Donald Crisp, Victor MacLagen, Dan Duryea, Pat O´Brien.

Fernando Trevas Falcone: Walter Brennan, Peter Lorre, Wilson Grey, Ward Bond, Guará Rodrigues.

Homero Fonseca: José Lewgoy, Wilson Grey, George Sanders, James Mason, John Gielgud.

Ivan (Cineminha) Costa: Roy Barcroft, Elisha Cook Jr, Ted de Corsia, Walter Brennan, Jack Elam.

Jefferson Cardoso: Peter Lorre, Van Heflin, Claude Rains, J. K. Simmons, Lee Van Cleef.

João Batista de Brito: Lee J. Cobb, Thomas Mitchell, Ernest Borgnine, Walter Brennan, Raymond Burr.

Joaquim Inácio Brito: Arthur Kennedy, Thomas Mitchell, Herbert Marshall, Leo G. Carroll, George Sanders.

Josafá Soares: Slim Pickens, Ernest Borgnine, Enzo Staiola, John Cazale, Christoph Waltz.

Martinho Moreira Franco: Lee Van Cleef, Andy Devine, Karl Malden, Eli Wallach, Fred Clark.

Paulo Melo: Fernando Rey, Ned Beatty, Melvyn Douglas, Charles Durning, Sterling Hayden.

Renato Felix: Woody Strode, Oscar Levant, Eli Wallach, Robert Duvall, Steve Buscemi.

Rolf de Luna Fonseca: Walter Brennan, Dan Duryea, Thomas Mitchell, Lee J. Cobb, Barry Fitzgerald.

Silvino Espínola: Karl Malden, Roy Barcroft, Smiley Burnette, Lee J. Cobb, Ernest Borgnine.

Filho de peixe…

20 set

 

O ditado popular que o título desta matéria insinua – sabe-se muito bem – nem sempre é verdadeiro. Mas acontece que às vezes é.

Aqui vamos tratar da segunda alternativa, ou seja, casos em que os filhos, ou filhas, de peixes foram, ou são, peixinhos.

No nosso território, que é sempre o cinema, os exemplos de filhos, ou mesmo netos, que assumiram a profissão dos genitores, e/ou progenitores, são inumeráveis, mas, para não nos estendermos demais, fiquemos no âmbito da profissão de ator, a mais familiar ao grande público.

Na Hollywood clássica, por exemplo, era comum, e mesmo esperável, que uma criança, filha de atores famosos, criada entre estúdios, tapetes e holofotes, terminasse seguindo a carreira do pai, ou da mãe.

Tony Curtis e Janet Leigh com as filhas, uma delas a futura atriz Jamie Lee-Curtis.

Tony Curtis e Janet Leigh com filhos, entre os quais a futura atriz Jamie Lee-Curtis.

Um exemplo típico é o daquela enorme família de atores dos anos trinta, os Barrymore, John, Lionel e Ethel, irmãos que se revezavam o tempo todo nas telas da época. Difícil os descendentes não tomarem o caminho dos familiares: o filho de um deles, John, gerou o também ator John Drew Barrymore, que por sua vez, teve uma filha que seguiria a mesa carreira do pai e avô, Drew Barrymore. Embora já adulta e bem conhecida em filmes atuais, creio que dela todo mundo lembra como a garotinha em “ET o extraterrestre” (1982).

Essa relação, praticamente secular, que vai de avós a netos também está no caso da família Huston. O grande ator dos anos vinte e trinta Walter Huston (lembram dele em “O tesouro de Serra Madre”?), é pai do diretor mas também ator John (lembram dele em “Chinatown”?), que, por sua vez, é pai da atriz, ainda hoje atuante, Anjelica Huston (lembram dela em “A família Adams”?). O mesmo se diga da linhagem Fonda: Henry deu Jane e Peter, e este deu Bridget.

No caso de a relação sangunea limitar-se a pais e filhos, a lista é ainda maior. Creio que todo mundo lembra logo Charles Chaplin e Geraldine Chaplin; Kirk Douglas e Michael Douglas; Lloyd Bridges e Jeff e Beau Bridges; Bruce Dern e Laura Dern; Ryan O´Neal e Tatum O´Neal; Ed Begley e Ed Begley Jr. Casos mais recentes são os dos Sutherland, Donald e Kieffer.

Kirk Douglas abraça Michael, em 1949.

Kirk Douglas abraça Michael, em 1949.

O caso é mais enfático quando, não só um dos pais era ator ou atriz, mas os dois. Como aconteceu com Tony Curtis e Janet Leigh, casal famoso nos anos cinquenta, que nos legou esta excelente Jamie Lee-Curtis.

Às vezes o sobrenome não é o mesmo, o que não impede o cinéfilo curioso de identificar a relação familiar. Quem é que não sabe que a atriz Liza Minnelli é filha da atriz Judy Garland, e que o sobrenome vem do pai, o cineasta Vincente Minnelli? Ou – caso idêntico – que Isabella Rosselini é filha de Ingrid Bergman, com o cineasta italiano Roberto Rosselini.

Estes são casos notórios, mas nem todos os casos são tão notórios assim.

Por exemplo, nem todos sabem que a atriz Mia Farrow é filha de Maureen O´Sullivan, sim, aquela mesma que era conhecida nos velhos tempos por ser a Jane de Tarzan. Como nos casos anteriormente citados, o sobrenome vem do pai, o grande cineasta, autor de belos filmes noir, John Farrow.

Quem diria que a atriz contemporânea Melanie Griffith é filha da hitchcockiana Tippi Hedren?

Henry Fonda, um dos peixões de Hollywood...

Henry Fonda, um dos peixões de Hollywood…

Naturalmente, o fenômeno da herança profissional não se limita ao cinema americano. De passagem, lembro os alemães Klaus e Nastassia Kinski, e os italianos Vittorio e Alessandro Gassman. E o leitor lembrará outros tantos. No cinema brasileiro, o caso mais famoso é o de Fernanda Montenegro e sua filha Fernanda Torres.

Mas, catar laços familiares entre pais e filhos estelares é coisa para revista de show business. O interessante seria deter-se na qualidade das interpretações, já que dotes pessoais não são necessariamente hereditários.  Ou, se for o caso, prestar atenção aos estilos interpretativos, já que, na maior parte dos casos, grande é a distância temporal, e, portanto, cultural, comportamental e mesmo ideológica,  entre os parentes cotejados.

Por exemplo, o que o estilo neurótico e implosivo de Mia Farrow poderia ter a ver com a simplicidade performática de sua mãe, Maureen O´Sullivan como a companheira de Tarzan? Em que os desempenhos atuais de Bridget Fonda poderiam sugerir a forma clássica de interpretar do avô, Henry Fonda? Michael Douglas, um ator de quem se diz ser “o cuspe do pai” (´the spit of his father´), Kirk, interpreta da mesma forma, ou existiriam em suas performances nuances que fazem a diferença?

Enfim, nem que seja para contradizer o ditado que intitula esta matéria, a pergunta seria: onde é que os “peixinhos” estão além, ou aquém, dos “peixões”?

Fica a sugestão.

Mia Farrow, a filha de Mary O´Sullivan (Jane, a companheira de Tarzan).

Mia Farrow, a filha de Maureen O´Sullivan (mais conhecida como Jane, a companheira de Tarzan).

Screen couples

26 jul

 

1 Ginger & Fred

Não adianta negar: um dos atrativos mais fortes para vermos um filme está no elenco. E se os dois atores principais formam um par que já deu certo em outros filmes, então…

Hoje nem tanto, mas, no passado clássico, esses pares – que os anglófonos chamam de “screen couples” (´casais de tela´) – levavam multidões a comprar ingressos. E isto, sem importar se a atriz e o ator eram casais na vida real (geralmente não eram), pois, para os fãs, eles já o eram no firmamento do cinema, e isto bastava.

Seguindo mais ou menos a cronologia, aqui relembro alguns dos mais conhecidos, e eventualmente, mais amados screen couples na história do cinema. Acho que o primeiro casal fílmico que vem à mente do cinéfilo é Ginger Rogers e Fred Astaire que, juntos, fizeram nada menos que dez filmes. Três deles foram: “O picolino”, “Ritmo louco” e “Voando para o Rio”.

Olivia e Errol

Olivia e Errol

Como não tenho espaço para citar todos os filmes, citarei sempre, em cada caso, apenas três e deixo a compleição da lista ao encargo do leitor.

Na mesma época, anos trinta entrando pelos quarenta, um casal fílmico que fez sucesso foi Olivia de Havilland e Errol Flynn. Os dois fizeram nove filmes, dos quais cito: “As aventuras de Robin Hood”, “Um reino por um amor” e “A estrada de Santa Fé”.

Quem também fez nove filmes juntos foram Katherine Hepburn e Spencer Tracy. Deles cito os mais famosos: “A costela de Adão”, “Sua esposa e o mundo”, e “A mulher do dia”.

Liz Taylor e Richard Burton em Cleópatra

O par Lauren Bacall e Humphrey Bogart rodou apenas quarto filmes juntos, mas, com certeza, entra no rol dos mais amados. Deles cito três grandes filmes do gênero noir: “Uma Aventura na Martinica”, “À beira do abismo” e “Paixões em fúria”.

Outro par de atores muito cultuado pela partilha na tela foi Veronica Lake e Alan Ladd. Os dois rodaram juntos quatro filmes, dos quais menciono, também do gênero noir: “Capitulou sorrindo”, “A dália azul” e “Alma torturada”.

Igualmente com quatro filmes rodados juntos, a dupla Barbara Stanwyck e Fred MacMurray merece o mesmo destaque. Deles cito: “Pacto de sangue”, “Chamas que não se apagam” e “Lembra-se daquela noite?”.

Hunphrey e Lauren em "Uma aventura na Martinica.

Hunphrey e Lauren em “Uma aventura na Martinica.

E não podemos deixar de mencionar Johnny Weissmuller, como Tarzan, e Maureen O´Sullivan, sua companheira na selva, Jane, em pelo menos seis filmes. Dessa dupla tão querida da criançada da época cito: “Tarzan, o homem macaco”, “Tarzan e sua companheira” e “O tesouro de Tarzan”.

Bem longe de Hollywood, na Suécia, os atores Liv Ullmann e Max von Sydow estiveram juntos em sete filmes, embora nem sempre como ´casais´. Deles cito: “A paixão de Ana”, “Vergonha” e “A hora do lobo”.

Certas duplas de atores americanos encantaram tanto o público da sua época que ficamos com a impressão de que estiveram juntos em dezenas de filmes, quando, na verdade, não foi assim. Caso de Doris Day e Rock Hudson que, afinal de contas, só atuaram juntos em três filmes, a saber: “Confidências à meia noite”, “Volta meu amor” e “Não me mandem flores”.

Jack e Shirley em The Apartment.

Jack e Shirley em The Apartment.

Por causa da boa química entre os dois, e do sucesso dos filmes que fizeram juntos, temos a sensação de que Shirley MacLaine e Jack Lemmon estiveram juntos muitas vezes, e não foi o caso: os seus filmes em comum são apenas: “Se meu apartamento falasse” e “Irma la douce”.

Agora, muitos filmes (onze ao todo) rodaram juntos Liz Taylor e Richard Burton, como se sabe, estes sim, casal na tela e na vida real. Cito os mais badalados: “Cleópatra”, “Quem tem medo de Virginia Woolf?” e “Adeus às ilusões”.

Os italianos Sophia Loren e Marcello Mastroianni estiveram juntos na tela treze vezes. Dessa dupla inesquecível cito: “Ontem, hoje e amanhã”, “Matrimônio à italiana” e “Um dia muito especial”.

Pillow Talk : Doris Day e Rock Hudson

Pillow Talk : Doris Day e Rock Hudson

Bem, chegou a vez de citar o casal campeão de atuação simultânea que – pasmem – está no cinema brasileiro. Refiro-me a Mazzaropi e Geny Prado que, a partir de 1959, atuaram juntos em nada menos que dezessete películas. Aqui cito as três primeiras, na ordem: “Chofer de praça”, “Jeca Tatu” e “As aventuras de Pedro Malazarte”.

Com isto passamos à segunda metade do século vinte, com Dianne Keaton e Wood Allen, cinco filmes juntos, dos quais cito: “Noivo neurótico, noiva nervosa”; “Sonhos de um sedutor” e “O dorminhoco”.

No cinema atual, e por alguma razão que não sei explicar, as duplas deixaram de atrair o público. Os quatro filmes que Meg Ryan e Tom Hanks fizeram juntos parecem exceção: “Sintonia de amor”, “Mensagem para você”, “Joe contra o vulcão” e “Ithaca”.

Bem, os casais de tela que esqueci de mencionar, o leitor lembrará.

Johnny Weissmuller e Maureen O´Sullivan, quase nús em filme de 1931, "Tarzan, o homem macaco".

Johnny Weissmuller e Maureen O´Sullivan, quase nus em filme de 1931, “Tarzan, o homem macaco”.