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Ingrid

16 mar

 

Item especial da seleta programação do novo Cine Bangüê, continua em cartaz o documentário do sueco Stig Bjorkman “Eu sou Ingrid Bergman” (2015), filme imperdível para os amantes do cinema.

Através de álbuns de família, filmezinhos domésticos, material de arquivos de cinema e jornais, fotos em geral, e depoimentos de filhos e amigos, o filme reconstitui a vida e a carreira dessa atriz sueca que, com sua beleza e talento, conquistou Hollywood e o mundo.

O traço de sua personalidade que mais aparece no documentário acho que é o seu espírito de aventura – supostamente não esperado de uma escandinava – evidenciado pelas muitas reviravoltas, amorosas e profissionais, na sua vida. Um outro talvez seja a sua determinação em ser atriz, e atriz de renome. Ainda jovem, começou no seu país, porém, a Suécia – como ela mesma admite – era pequena para a sua ambição. De forma que não hesitou ao ser convidada pelo todo poderoso David Selznick, para atuar em Hollywood. Ao chegar, alguém lhe disse que “nunca seria uma estrela de cinema, pois era alta demais”… e ela, claro, nem deu ouvidos. E com razão. Em seu primeiro filme americano, “Intermezzo” (1939) ninguém notou que Leslie Howard fosse mais baixo que ela.

Com Humphrey Borgart, em "Casablanca".

Com Humphrey Borgart, em “Casablanca”.

O sucesso lhe veio como luva, e ela o abraçou como a um amante querido. “O médico e o monstro” (1941), “Casablanca” (1942), “Os sinos da Sta Maria” (1943) “À meia luz” (1944), “Quando fala o coração” (1945), “Interlúdio” (1946): era um filme atrás do outro e, com eles, a consagração de crítica e público.

Um efeito colateral inevitável foi um certo descuido com a família, no caso, com o marido, Petter, e a filha pequena, Pia, que com ela vieram morar nos Estados Unidos. Aliás, problema familiar é o que não lhe faltou. Multiplicaram-se esses problemas quando, ainda casada, assistiu ao filme italiano “Roma cidade aberta”, apaixonou-se, primeiro pelo filme e depois pelo diretor. Sem dar ouvido ao rumores da imprensa, mudou-se para Roma, casou com Roberto Rosselini e deu início a uma nova vida e carreira, cheia de perigos e riscos.

Na primeira metade dos anos cinquenta, em solo italiano, rodou filmes que nada tinham a ver com o padrão Hollywood de qualidade, e pagou pela opção. Julgamentos de valor à parte, não há como negar: ainda hoje, todo mundo lembra a Ingrid Bergman de “Casablanca”, mas quem lembra a de “Stromboli” (Rosselini, 1950)? Bem, se porventura a Itália não lhe deu o sucesso esperado, deu-lhe três filhos maravilhosos, Ingrid, Roberto e Isabella, e logo em seguida, um novo divórcio.

Com Leslie Howard, em "Intermezzo".

Com Leslie Howard, em “Intermezzo”.

Em 1956, Ingrid Bergman retorna à Meca do cinema, que a recebe com um pé atrás, mas logo é reconquistada pelo seu charme. O filme da reestreia americana é “Anastácia, a princesa esquecida”, que ela roda ao lado de Yul Brynner. Outros filmes se seguem, e não demora a aparecer um novo amor, desta feita o compatriota Lars Schmidt.

Um lance curioso do filme é que seja narrado em primeira pessoal verbal, como se a própria Ingrid o assinasse. Ajuda nesse recurso narrativo as muitas cartas que Ingrid enviou aos amigos ou parentes, aqui relidas em voz alta por uma voz feminina. De grande ajuda também são os muitos filmes caseiros, pois ela era apaixonada por câmeras e pelo gesto de filmar, herança, segundo ela mesma. de seu pai.

Com Charles Boyeur, em "À meia luz".

Com Charles Boyeur, em “À meia luz”.

A construção desse tom confessional, contudo, não impede que nos depoimentos, se vislumbrem “discordâncias” que com certeza a protagonista não endossaria. Tem-se isso nos testemunhos de Isabella Rosselini (a filha que propôs o projeto do filme ao diretor Bjorkman), a qual aponta, por exemplo, o autoritarismo da mãe, só notado por ela mesma ao assistir suas ´auditions´ com o cineasta Ingmar Bergman, para as filmagens de “Sonata de outono” (1978). Mas acho que o exemplo mais claro está na fala de Pia, a filha do primeiro casamento, hoje uma senhora de certa idade. Nessa fala sente-se um certo rancor, que a depoente não esconde, às vezes expressando-o com ironia. Em dado momento, ela chega a dizer que “não seria o caso de se escrever um livro do tipo ´Mamãezinha querida´, mas, que houve afastamento familiar, houve”.

Em “Eu sou Ingrid Bergman” é possível que o espectador sinta falta de imagens dos filmes que a atriz protagonizou, ao menos dos mais amados. Veem-se cenas de seus filmes suecos e/ou italianos, mas poucas de sua, bem mais vasta, filmografia americana. A questão dos direitos autorais pode ter sido o motivo, mas, de todo jeito, é curioso que não vejamos cenas, por exemplo, de “Por quem os sinos dobram”, e, no entanto, vejamos uma longa cena (Ingrid dançando feito louca numa festa) de um filmezinho obscuro que quase ninguém conhece, “Flor de cacto” (“Cactus flower”, 1969) onde ela faz uma moça velha meio ridícula, apaixonada pelo patrão, o dentista Walter Matthau.

Bem, seja como for, Ingrid é Ingrid, e o filme – repito – é imperdível.

Com Cary Grant, em "Interlúdio".

Com Cary Grant, em “Interlúdio”.

 

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Estreia de “O homem que vê no escuro”: um registro verbo-visual

2 jan

 Faço aqui o registro verbo-visual da estréia do filme O homem que vê no escuro (Mirabeau Dias, 2012), para quem não pôde comparecer, e também para quem compareceu, os muitos amigos, colegas e conhecidos que ocuparam as 150 cadeiras do recém fundado Cine Linduarte Noronha, nas dependências do prédio da Funjope, rua Duque de Caxias, 352, em João Pessoa, na noite de 28 de dezembro de 2012, dia Mundial do Cinema.

Cena do filme

Cena do filme

O homem que vê no escuro é um longa documental (101 minutos) sobre a minha pessoa, meu trabalho, minha militância na crítica cinematográfica e minha vida.

Concebido, roteirizado, dirigido, editado e produzido por Mirabeau Dias, o filme faz um passeio por minha linha existencial, a partir de entrevistas que, em momentos diferentes, concedo ao professor Luiz Antônio Mousinho, aos jornalistas Renato Felix e Astier Basílio e ao próprio Mirabeau Dias.

Cena do filme

Cena do filme

Nessas entrevistas fica delineada a minha trajetória de ser humano, de escritor e de pensador do cinema, os dados pessoais (o primeiro filme que vi, por exemplo) se misturando ao embate conceitual (livros que li, pessoas que me influenciaram, etc) que me conduziu à posição teórica que caracteriza meus escritos e minha maneira de interpretar o cinema. Naturalmente, toda a minha fala é emoldurada por cenas de filmes, imagens amadas de nós todos.

Do filme também fazem parte lances criativos, nada documentais – evidentemente, todos soluções expressionais do diretor – que ilustram a minha paixão pelo cinema de várias formas, em alguns casos de forma brincalhona. James Stewart enredando de mim por telefone a Hitchcock em “Janela indiscreta”, ou, eu, na pele de Gary Cooper, dando meia volta na carroça para ir pegar o livro “Imagens amadas” (começo de “Matar ou morrer”) são dois lances que vêm ao caso. Cito mais dois: uma dramatização que, a pedido do diretor, faço do mini-conto “Flor de Cacto” (conferir neste blog meu livro “Um beijo é só um beijo”) e minha enxerida ingerência no ato de desenhar, um hobby secreto que sempre escondi de todos.

Cena do filme

Cena do filme

A exibição do filme fez parte do evento que celebra o Dia Mundial do Cinema, evento este organizado pela Academia Paraibana de Cinema, sob a presidência do jornalista e historiador Wills Leal. Na ocasião, foram entregues prêmios aos melhores filmes paraibanos realizados em 2012, que passo a citar em suas respectivas categorias:

Presidente da APC, Wills Leal

Presidente da APC, Wills Leal

“Tudo que Deus criou” de André da Costa Pinto (Longa metragem de ficção); “Radegundis Feitosa” de Anthur Lins e Niu Batista (Longa metragem documental); “Ato instituicional” de Helton Paulino (curta de ficção); “Fogo pagou” de Ramon Batista (curta documental).

A atriz Marcélia Cartaxo

A atriz Marcélia Cartaxo

Houve ainda a entrega dos troféus do Festcine Digital do Semiárido, para: “A Ninhada” de Nivaldo Miranda (ficção) e “Quebra quilos” de Haroldo Vidal. O produtor e realizador Durval Leal recebeu um prêmio especial pelo conjunto de sua obra, e a atriz Marcélia Cartaxo fez o anúncio oficial do prêmio Walfredo Rodriguez, recém instituído pela Funjope.

Após a exibição de O homem que vê no escuro foi servido um coquetel aos presentes. (Confira fotos).

JBBrito entre amigos

JBBrito entre amigos

JBBrito entre amigos

JBBrito entre amigos

JBBrito entre amigas

JBBrito entre amigas

JBBrito, Sérgio de Castro Pinto, Mirabeau Dias e Suely

JBBrito, Sérgio de Castro Pinto, Mirabeau Dias e Suely

Silvino Espínola, JBBrito e o diretor Mirabeau Dias e esposa, Suely.

Silvino Espínola, JBBrito e o diretor Mirabeau Dias e esposa, Suely.

Coquetel

Coquetel

Coquetel, vendo Wills Leal à direita, de costas

Coquetel, vendo-se Wills Leal à direita, de costas