Tag Archives: gays

Pride

21 abr

Nos anos oitenta, sob o regime da dama de ferro Margareth Thatcher, a Inglaterra conheceu um fato digno de estudos sociológicos: uma greve de mineiros do Interior recebe o apoio voluntário de um grupo de homossexuais de Londres.

A greve é frustrada, mas, um ano depois, quando os gays e lésbicas organizam um grande evento em defesa da diversidade sexual, os mineiros ex-grevistas – para surpresa de todos – comparecem e, publicamente, manifestam o seu apoio, igualmente voluntário.

Histórico, o fato foi, na época, entendido como um sintoma de que é possível a solidariedade entre homossexuais e heterossexuais, cada um na sua, e cada um respeitando as inclinações e os direitos do outro.

Pois agora o fato histórico virou filme. Em “Pride” (2014), o diretor Stephen Beresford reconstitui, ficcionalmente, a estória toda da greve de 1985, e pode se dizer que o faz muito bem.

1

O tempo de tela fica dividido entre, de um lado, os gays e lésbicas que em Londres coletam, nas ruas, o dinheiro em apoio à greve mineira, e, do outro, os poucos cidadãos do lugarejo de Onllyin, no vale galês de Dulais, que ousam recebê-los – a eles e à sua grana coletada – claro, de bom grado e com gratidão. E a narração, com bom senso, procura o equilíbrio entre o coletivo e o individual. Assim, ora o grupo é visto como um todo, ora vão se ter as estórias privadas de alguns dos participantes do movimento, quer do lado homo, quer do lado hetero. Um deles é esse rapaz que, ao longo do movimento grevista, adquire a coragem de assumir sua condição homo e enfrentar a família conservadora. Do outro lado (digo, o hetero), temos a estória dessa modesta dona de casa que, no mesmo processo grevista, se descobre uma líder com destino político.

Claro, num filme desses, cenas sobre o preconceito são obrigatórias, um pouco mais ainda em um tempo em que a Aids ainda era um mistério assombroso e sem controle. Por exemplo, quando os gays que apoiam os mineiros grevistas são chamados pela imprensa de ´pervertidos´, a gente lembra que na Inglaterra de vinte anos atrás, ou seja, anos sessenta, a homossexualidade ainda era, por lei, considerada crime.

Lésbicas e gays apoiam mineiros em greve

Lésbicas e gays apoiam mineiros em greve

Mas, um cuidado todo especial do filme é não parecer tendencioso. Homos ou heteros, todos são descritos como seres humanos, capazes de gestos nobres e vis. Como, segundo consta, a roteirização foi elaborada a partir de pesquisa de campo, supomos que o filme faça justiça aos personagens reais.

Uma coisa boa é a reconstituição de época, e, nela, a música tem um papel decisivo. Sucessos dos anos oitenta se repetem em série, sempre acompanhando as cenas coletivas, aquelas em que a ação conjunta, e não os diálogos, mais interessam. Inevitavelmente, a dança, mesmo sendo um elemento pontual, ganha um papel sintomático. Caso daquela cena no baile, em que as mocinhas do lugar ficam fascinadas com um gay que “arrasa” dançando, e esquecem os machos locais que mal conseguem mexer os ombros. Agora, atenção: dando certo com a tentativa de distanciamento do diretor sobre a questão sexual, observemos que não é um grupo de gays que dança: o dançarino que dá seu show é um único gay, enquanto os outros o observam de longe, tão admirados e intrigados quanto os machões presentes.

É verdade que a cena final parece apoteótica, com os ônibus chegando ao local da manifestação Gay Pride, deles desembarcando os mineiros, que vêm do Interior só para apoiar um evento homossexual, mas, nisso o autor do filme tem um atenuante em seu favor: como já dito, o fato aconteceu!

Os bastidores do movimento

Os bastidores do movimento

Nos créditos finais, são acrescidas informações sobre o destino dos personagens principais. Por exemplo: o jovem homossexual que encabeçou o movimento pro-mineiros grevistas morreu de Aids dois anos depois, e a aquela humilde dona de casa, acima referida, que entrou de corpo e alma na greve, fez brilhante carreira política e ainda hoje ocupa importante cargo no Parlamento Britânico.

Para quem já conhecia a história verídica da greve inglesa, “Pride” deve talvez parecer previsível. Por sua vez, previsível vai ser a sua recepção, a depender das tribos. Com certeza, a tribo dos homófobos vai subestimá-lo e, mutatis mutandis, a dos homossexuais vai superestimá-lo.

Para aqueles – como eu – sem tribo, trata-se de uma boa realização fílmica, feita com talento e humor, com o adicional de trazer à tona questões importantes para a construção disso que se chama cidadania, essa palavra que, hoje em dia, circula de boca em boca, sem que aparentemente os seus usuários compreendam bem a extensão de seu significado.

Mineiros em greve contra o terror Thatcher

Mineiros em greve contra o terror Thatcher

 

Anúncios

Yves Saint Laurent na berlinda

6 jun

Vez ou outra, no mundo do cinema, acontece de dois cineastas do mesmo país assumirem, sem contato entre si, projetos sobre o mesmo assunto.

Eu lembro que, no final dos anos oitenta, na Itália, foi assim com Ettore Scola e Giuseppe Tornatore, que assumiram o projeto de contar a história de um cinema e suas plateias ao longo do século vinte. O resultado: dois filmes diferentes mas parecidos, ambos lançados em 1989, respectivamente, “Splendor” e “Cinema Paradiso”.

Pois recentemente aconteceu na França: sem contato, os diretores Bertrand Bonello e Jalil Lespert tomaram a vida do estilista Yves Saint Laurent como tema e já estavam adiantados, cada um nas suas filmagens, quando souberam do projeto do outro. Ambos os roteiros tratavam da carreira de Laurent e ambos desenvolviam o caso entre Laurent e o seu sócio e amante Pierre Bergé.

Yves 0

A diferença é que Bonello estava trabalhando sem autorização dos envolvidos na vida do biografado, ao passo que Lespert tinha todo o apoio do próprio Bergé, que lhe cedeu todo o arquivo biográfico do estilista e todas as demais facilidades, incluindo encargos financeiros. Aliás, Bergé não fez só isso: também tomou a iniciativa de, através de processo, tentar embargar a produção de Bonello que terminou o seu filme com extrema dificuldade.

O que não impediu de o filme de Bonello, chamado “Saint Laurent”, ser aceito na mostra competitiva de Cannes 2014, enquanto que o de Lespert, com o título de “Yves Saint Laurent”, não o foi. Como se sabe, Bonello perdeu a Palma de Ouro para o turco “Winter Sleep” de Nuri Bilge Ceylan, e seu filme ainda não chegou por aqui.

Quanto ao de Lespert, que vi há pouco, não sei que chances teria tido em Cannes. Imagino que a depender do quesito produção ele teria alguma vantagem. Luxuosa, a direção de Arte – comme il faut num filme sobre moda – é impecável e a projeção do filme, em si mesma, já é um “desfile”.

No filme de Lespert, Laurent e seu amante Bergé.

No filme de Lespert, Laurent e seu amante Bergé.

Um exemplo é a reconstituição perfeita e deslumbrante do famoso desfile de 1976, repleto de figuras renomadas do mundo da moda, como, entre outras, as modelos Victoire Doutreleau e Betty Catreux – um desfile que foi possivelmente o ponto alto na brilhante trajetória profissional desse estilista que abalou o sistema da haute couture, com conceitos estéticos ousados e inovadores, responsáveis, no final das contas, pela criação e sucesso internacional da griffe que leva o seu nome.

O filme começa em 1957, quando um jovem Yves Saint Laurent, com 21 anos de idade, é indicado para presidir a Maison do recém-falecido Christian Dior.

Viciado, inseguro, dependente, depressivo, Laurent enfrenta problemas sérios para se afirmar, mas o faz, especialmente por dois fatores: seu enorme talento e a devotada e eterna ajuda do amante Bergé, que, não apenas apaixonado, mas deslumbrado com a criatividade do companheiro, fez questão de permanecer – uma estória de vida inteira – no papel imprescindível de “escada”. Aliás, como se vê, como “escada” permanece até hoje, seis anos depois da morte de Laurent, no empenho de produzir e promover o filme.

Para dar um só exemplo da vida atribulada de Laurent, argelino de nascimento, enfrenta logo cedo o difícil problema do alistamento militar… com a incômoda situação francesa perante a Guerra da Argélia. Conforme ele repete várias vezes durante o filme “não sei fazer nada na vida, além de desenhar roupa. Nem quero”. E, de fato, quem poderia imaginar – e o filme nos conduz a fazer a pergunta – as suas mãos delicadas pegando em armas?

Desfiles em "Yves Saint Laurent".

Desfiles em “Yves Saint Laurent”.

Bem, infelizmente já é tempo de dizer que a tão ostensiva riqueza da cenografia no filme de Lespert não possui um correspondente no conteúdo. Apesar dos muitos problemas que enfrentam, os já citados e outros, os seus personagens não exibem a profundidade esperada e o conflito é mal desenvolvido e, sufocado pelo contexto biográfico, dilui-se no desenlace, fraco e inoperante.

Um elemento que agrava esses defeitos é a narração em over, e, no caso, a voz ouvida é a do próprio Bergé, sempre em função conativa, e o receptor dessa voz é sempre o próprio Laurent. Explico-me, exemplificando: a voz over de Bergé conta “você foi a Marrakesh” e a imagem mostra Laurent em Marrakesh; “Você fez isso e aquilo” e aparece Laurent fazendo isso e aquilo. Depois de meia hora de projeção a tautologia do esquema começa a soar enfadonha e aborrecida, sem contar que o espectador começa a se sentir subestimado em sua inteligência.

Não sei como vão reagir a “Yves Saint Laurent” as pessoas ligadas ao mundo da moda. De minha parte, só posso dizer que a beleza da indumentária e a elegância do seu uso não são suficientes para salvar o filme, o qual, por sua vez, desfiles à parte, nem belo é.

Se for o caso, aguardemos o outro filme, o “Saint Laurent” de Bonello.

Laurent e suas modelos

Laurent e suas modelos

Tatuagem

4 fev

Nos anos setenta, um soldado do exército conhece, se envolve e é conquistado por uma turma de gente libertina e marginal que, com muito sexo, escândalo e música, contesta o status quo.

Não já vimos esse filme? Não se chama “Hair”?

Pois é, não sei até que ponto a equipe de “Tatuagem” (Hilton Lacerda, 2013) está consciente disso, mas, o filme pernambucano, que estreou esta semana em João Pessoa, tem um argumento semelhante.

tatuagem 2

Por outro lado, o filme de Lacerda, que levou três prêmios em Gramado – inclusive o de melhor filme – talvez não precise de comparações. Conta a vida difícil da troupe ´Chão de Estrelas´ que, nos arredores de Recife, encena seus espetáculos debochados para uma platéia sempre fiel e incrivelmente participativa.

Clécio, o cabeça do grupo (Irandhir Santos), é descasado, com filho adolescente e, como quase todos na troupe, é gay. Sua vida toma novo alento ao ser apresentado a esse soldado raso, Fininha (Jesuíta Barbosa), cunhado de seu colega Paulete. É amor à primeira vista, e, depois de pouco papo, os dois já estão dançando, se beijando e fazendo amor, uma transa tórrida, da qual se permite que o espectador veja tudo.

Um ator gay e um soldado do exército brasileiro no tempo da ditadura, os dois apaixonados? É possível imaginar como as coisas vão se complicar, e mesmo, como as complicações serão previsíveis.

Não conto o resto da estória, mas devo dizer que as performances no ´Chão de Estrelas´ vão ficando cada vez mais ousadas, sexualmente e, por tabela, politicamente. O grande show sobre ´a democracia do ânus´ (a palavra usada, naturalmente, é a outra, aquela que começa com /c/ e termina com /u/) é o ápice do deboche, que leva a polícia a proibir o espetáculo, e, na ocasião de uma apresentação teimosa, fechar o recinto.

tatuagem 3

Enquanto isso, para provar o seu amor – questionado pelo companheiro, em vista de seus compromissos militares – Fininha fizera uma tatuagem no peito com a letra “C” (de Clécio) e não só isso, passou a integrar o quadro de atores da troupe, dançando, como todos, despido e mostrando o – digamos – elemento democrático ao público.

Num filme onde o deboche é chave, tinha que haver um certo nível de caricaturização, tanto dos personagens como dos ambientes. Notem como a casa de Fininha é maldosamente brega e chapada, isto na proporção direta em que o Cabaré é desbundado e feérico. Um tom dissonante nessa dicotomia é mesmo a figura de Fininha (excelente desempenho do jovem Jesuíta Barbosa), que, sem ter o deboche da troupe, não se enquadra em casa, e muito menos no terceiro cenário do filme, o quartel.

As cenas finais não são tão drásticas quanto a de “Hair”, mas, são igualmente desiludidas: sem perspectivas profissionais, Clécio cuida da família, enquanto tem notícia de que, Fininha, agora em São Paulo, não consegue arranjar emprego… por causa da tatuagem no peito.

Como dá para perceber, o roteiro é simples e pode ser resumido na fórmula tradicional ´X conhece Y´, porém, o interessante em “Tatuagem” é, além da construção dos personagens, a criação e manutenção da atmosfera, grande parte da qual advém do palco, o que concede ao filme um jeito indisfarçado de musical. Com efeito, sem os seguidos shows dos dançarinos e cantores, “Tatuagem” seria um curta… e, suponho, de menor qualidade.

tatuagem 1

Resta lembrar que “Tatuagem” não saiu do nada; é – digamos assim – “um filme de contexto”, e o contexto é o efervescente atual cinema Pernambuco, do qual Hilton Lacerda vem sendo um partícipe fundamental, até então na condição de roteirista. Produções significativas como “Baile Perfumado”, “Amarelo manga”, Árido movie”, “Baixio da bestas”, “A festa da menina morta” e “A febre do rato” foram roteirizadas por ele e, inevitavelmente, trazem seus traços.

Só para ilustrar, um exemplo pode ser dado com um certo lance brincalhão de pregação ideológica, que vem claramente de “A febre do rato”, filme sobre um ideólogo epifânico, conscientizando o povo nas ruas de Recife através de um jornaleco e de seus discursos poético-filosóficos. Em “Tatuagem”, o correspondente é aquele personagem que, no início da estória, fazia apenas parte da platéia do cabaré, mas que é depois chamado ao palco para suas recitações e que, no desenlace, se revela – a nós e à imprensa – o cineasta que vai fazer o filme metalinguístico sobre tudo o que aconteceu até agora…

A respeito das cenas de sexo explícito, não nos escandalizemos: em salas vizinhas, elas também estão acontecendo, no dinamarquês “Ninfomaníaca” e no americano “O lobo de Wall Street”.

tatuagem 4

Bullying e outros males

12 dez

Quando eu era criança e estudava no Grupo Escolar Sto Antônio, no bairro de Jaguaribe, me vi algumas vezes intimidado pelos colegas. Com uma hérnia escrotal congênita, fui um menino frágil, que nunca pôde, por exemplo, jogar futebol, ou praticar outras atividades físicas do gênero. Além disso, sofria de uma miopia igualmente congênita, que me obrigava a carregar na cara uns óculos tipo ´fundo de garrafa´. Magro e feio, fui, vez ou outra, ridicularizado por não exibir o comportamento saudável e viril da criançada da minha idade.

Ao me transferir, no ginasial, para o Colégio Lins de Vasconcelos, a coisa piorou. Era um colégio de ricos e eu, além dos maus predicados já citados, somados a uma timidez patológica, era pobre. Por causa dos óculos e do perfil todo, fui chamado pejorativamente de ´ceguinho´ e descartado do convívio da turma. Sim, inevitavelmente fui, aqui e acolá, vítima do que naquela época não tinha nome, mas, hoje se chama de bullying. Nunca bateram em mim, porém, os olhares de desprezo eram como pancadas que podiam doer mais.

Só mais tarde, já no segundo ano ginasial, quando um dos colegas ricos, descobriu que eu tinha um domínio razoável da língua inglesa, é que meu conceito mudou, e, surpreendentemente, virei quase um ídolo, sobretudo em dias de prova de Inglês. Claro que, a partir daí, usei o meu conhecimento para superar os percalços, mas confesso que não foi fácil

Por essas e outras, me comovi assistindo ao vídeo do professor Pedro Nunes “Escola sem preconceito” (2012), um documentário mais que pertinente e oportuno, sobre as difíceis e por vezes incontornáveis relações sociais dentro de um educandário. O exemplo tomado no vídeo é o do Lyceu Paraibano, mas, claro, poderia ser qualquer outro, na cidade ou alhures.

Pedro-Nunes1

Com depoimentos de alunos, professores, pedagogos e pesquisadores do assunto, o vídeo trata de praticamente todos os meandros no relacionamento entre docentes e discentes, incluindo a sua dimensão virtual. Preconceitos contra deficientes físicos, gays, lésbicas, transexuais; violência contra professores, violência entre alunos, etc: tudo vem à baila, sem censura e sem medo de tocar em tabus.

Ao lado de providenciais explicações teóricas que iluminam a problemática, ou encenações de casos típicos – como o da garota que, anonimamente, põe na internet o que pensa de uma colega lésbica – temos depoimentos comoventes que ilustram a dura realidade da sala de aula.

Dou destaque para um dos testemunhos mais contundentes do vídeo, o de Fernanda Benvenutty, que narra como a discriminação a sua transexualidade começava no transporte para a escola e tinha continuidade na sala de aula. Ia à aula a pé, para não sofrer chacota nos ônibus e, na escola, sentava na primeira fila para que, na hora da chamada, a turma não escutasse o seu nome masculino. Não frequentava o pátio no horário do recreio e só ia ao banheiro durante o período de aula, com receio de ser agredida. Como é sabido, Benvenutty formou-se e é hoje uma profissional respeitada.

Fernanda Benvenutty

O vídeo de Pedro Nunes é uma produção do “Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Ação sobre a Mulher e Relações de Sexo e Gênero” da UFPB, e, segundo consta, foi confeccionado para ser distribuído nas escolas do Estado, para a consideração de quem está no batente da sala de aula, professores, alunos e educadores de um modo geral. Neste sentido, a fala franca da atual Gestora em educação do Lyceu Paraibano, Francisca Vânia Rocha Nóbrega, é um dado particularmente significativo.

Em certo momento da projeção, um dos depoentes, o professor e ator Everaldo Vasconcelos, supondo que, na verdade, poucos diretores de escolas terão a coragem de exibir um vídeo assim polêmico e ousado, toma a iniciativa interativa de dirigir-se aos potenciais espectadores do vídeo e solicita, para aqueles cuja escola está tendo a coragem de exibi-lo, uma salva de palmas.

As minhas vão, antes disso, para esse empreendedor e destemido professor Pedro Nunes, guerreiro de muitas batalhas contra o preconceito.

Para retornar ao início desta matéria, sofri um pouco no Colégio Lins de Vasconcelos, mas houve quem tenha sofrido muito mais. Lembro-me de um aluno – Guilherme, se não me engano – que, por possuir trejeitos físicos nada condizentes com o comportamento machista preponderante, era chacoteado por todo mundo, ao ponto de, em nenhuma circunstância, ser levado a sério. Só algum tempo depois fui entender a gravidade do problema, quando vi, pela primeira vez, o filme de Vincente Minnelli “Chá e simpatia” (1955), mas, essa é outra estória, que fica para depois.

Em tempo: em sessões gratuitas “Escola sem preconceito” está sendo exibido no recém inaugurado Cine Funjope Linduarte Noronha. Uma boa pedida para quem pensa educação.

escola sem preconceito bastidores