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CENTENÁRIOS SERIAM, SE VIVOS ESTIVESSEM…

4 jun

Neste ano de 2019, alguns atores e atrizes do cinema clássico estariam com cem anos de idade se estivessem vivos. Olivia de Havilland e Kirk Douglas ultrapassaram a casa dos cem e estão vivinhos da silva. Nem todos, porém, foram tão macróbios.

Aqui lembro com vocês pelo menos dez atores e/ou atrizes da Hollywood clássica que completariam um centenário de existência, se…

A cara de mau de Jack Palance, quem não lembra?

Nem todos/as foram propriamente astros e/ou estrelas, mas todos tiveram, sim, algum destaque nos seus papéis de coadjuvantes. Por falta de critério melhor, menciono-os em ordem alfabética, e, de cada um, cito quatro ou cinco filmes do período clássico que tiveram exibição em território brasileiro.

ALAN YOUNG. Acho que não é tão lembrado por aqui, pois foi mais popular na televisão. Começou no rádio, depois tv, e o cinema só veio como consequência de sua fama nacional. De todo jeito, é possível que os cinéfilos brasileiros o recordem pelos filmes: “Androcles e o leão”, 1952, “A felicidade estava por perto”, 1952, “O pequeno polegar”, 1958, e “A máquina do tempo”, 1960.

DONALD PLEASENCE. Calvo, calado, baixo, entroncado, olhos azuis penetrantes fez, com frequência, papéis de figuras abjetas, como o Mal que encarna em “A maior história de todos os tempos”, 1965. Outros filmes seus foram: “Odeio esta mulher”, 1959, “O circo dos horrores”, 1960, “Filhos e amantes”, 1960. Nunca o esqueci como o cego tentando escapar de um campo de concentração nazista em “Fugindo do inferno”, 1963.

HOWARD KEE. Cantor de voz potente, além de ator, esteve nos melhores musicais dos anos cinquenta. É só lembrar “O barco das ilusões”, 1951, “Dá-me um beijo”, 1953, “Ardida como pimenta”, 1953, “Um estranho no paraíso”, 1955. Esteve insuperável do delicioso “Sete noivas para sete irmãos”, 1954.

Jennifer Jones, a médica eurasiana de “Suplício de uma saudade”

JACK PALANCE. Quem é que não guarda na memória a cara de mau de Jack Palance, em seus muitos papéis de antagonista? Mui apropriadamente, foi o bandido vencido por Alan Ladd em “Os brutos também amam”, 1953. Outros filmes: “Pânico nas ruas”, 1950, “Precipícios d´alma”, 1952, “O cálice sagrado”, 1954, e o famoso e cultuado “O desprezo”, 1963, onde faz um tirânico produtor de cinema.

JENNIFER JONES. Quase nunca coadjuvante, esta foi estrela de primeira grandeza. Seu papel mais querido deve ser o da médica eurasiana no melodrama “Suplício de uma saudade”, 1955, ao lado William Holden.  O leitor desta matéria deve lembrar também “A canção de Bernadete”, 1943, “Duelo ao sol”, 1946, e “Adeus às armas”, 1957.

KATHLEEN FREEMAN. Senhora grandalhona que metia medo nos seus interlocutores, foi muito assídua nas comédias de Jerry Lewis, por exemplo, no perfeito “O terror das mulheres”, 1961. Trabalhou sem créditos em muitos sucessos da época, caso de “Cantando na chuva”, 1952. Lembro ainda: “A mosca da cabeça branca”, 1958, e, no mesmo ano, “Lafitte, o corsário”.

MARTIN BALSAM. Houve muitas pontas e poucos papéis principais para um ator de sua envergadura. Foi um dos meus coadjuvantes favoritos. Em “Doze homens e uma sentença”, 1958, foi o coordenador dos trabalhos. Em “Psicose”, 1960, foi uma das vítimas na mansão dos Bates. Citemos ainda: “Al Capone”, 1959, e “Bonequinha de luxo”, 1961.

RICHARD TODD. Ator irlandês que fez carreira em Hollywood. Foi indicado ao Oscar por “Coração amargurado”, 1949. Fez ainda: “Pavor nos bastidores”, 1950, “Santa Joana”, 1955, e em “O mais longo dos dias”, 1962, foi o Major John Howard, que, na vida real, fora o seu chefe durante a II guerra.

ROBERT STACK. Muito conhecido como o Eliot Ness na série televisiva “Os Intocáveis” (de 58 a 63), que geraria o filme “A quadrilha de Scarface”. O público brasileiro deve lembrar-se dele pelo menos por: “Ser ou não ser”, 1942, “Casa de bambu” 1955, e por dois grandes melodramas de Douglas Sirk: “Almas maculadas”, 1957, e “Palavras ao vento”, 1956. Entre muitos, foi parte do elenco de “Paris está em chamas?”, 1966.

SLIM PICKENS. Todo mundo o recorda como o cowboy dos muitos faroestes dos anos clássicos, do tipo (e os títulos são sintomáticos): “Têmpera de bravos”, 1956, “A lei do revólver”, 1956, “Chuva de balas”, 1957. Esteve no “A face oculta”, 1960, de Marlon Brando, e em “Dr Fantástico”, 1963, aquele cowboy que, no final do filme, monta a bomba atômica era ele, sim.

Kathleen Freeman, dando comidinha na boca de Jerry Lewis…

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Canastrões clássicos

21 abr

Quando estava nos Estados Unidos fazia o que não costumava fazer aqui: via televisão, só para checar como era a TV do primeiro mundo. Com isso, pude assistir, e em horários perfeitamente viáveis, a trechos de filmes clássicos do passado que se exibidos no Brasil, seriam empurrados para tarde da noite.

Mas, dessa programação antiga, um filme havia que um certo canal repetia praticamente toda manhã e me enchia o saco. Era uma comédia tola sobre um cientista que criava um macaco em casa e este lhe trazia um bocado de problemas. De início, não entendi por que a repetição daquele filme idiota, mas, prestando mais atenção ao elenco, matei a charada: o ator que fazia o cientista atrapalhado residia, no momento, na Casa Branca: era Ronald Reagan, e a exibição repetida não era uma homenagem, e sim, uma gozação, como se a dizer: “vejam como o macaquinho trabalha melhor que ele”.

Ronald Reagan em "Bedtime for Bonzo".

Ronald Reagan em “Bedtime for Bonzo”.

Pois é, por motivos saudosistas, aqui pretendo relembrar com o leitor quem foram os grandes canastrões do cinema clássico americano, e já começo a lista com ele, Ronald Reagan.

A relação é, na verdade, enorme e me limito a citar os que, casualmente, me acorrem à memória.

Se fosse para compor a lista pela categoria dos mais famosos, acho que todo mundo começaria com Charlston Heston, que – coitados de nós – tivemos que aguentar, não apenas nas superproduções de Cecil B De Mille, mas em dramas, westerns, policiais e outros gêneros. Para citar um único título, lembro só o seu esforço de ganhar noblesse ao ser dirigido por Orson Welles em “A marca da maldade”.

Charlston Heston com Orson Welles em "A marca da maldade"

Charlston Heston com Orson Welles em “A marca da maldade”

Um igualmente famoso foi John Wayne, só que este teve a sorte de, desde o início de carreira, cair nas graças de diretores geniais, como John Ford e Howard Hawks, que souberam moldá-lo até o ponto de seus limitados dotes interpretativos serem suficientes para não atrapalhar o conjunto do filme. E hoje, quem assiste a “Rastros de ódio” ou “Rio Vermelho”, nem se indaga se John Wayne trabalhou bem ou não.

Outro destacado foi Victor Mature, de cuja canastrice já se fez mil piadas, até ele mesmo fez, ao afirmar, para um clube que não queria aceitá-lo por ser ator, que não o era e tinha 60 filmes para provar. O que não impede de encontrarmos desempenhos convincentes em sua carreira, o mais evidente sendo o de “Paixão dos fortes” onde ele muito bem encarna a figura verídica de Doc Holiday e, em cena chave, até Shakespeare recita. Vejam que Hollywood fez várias versões da estória real do famoso OK Curral, mas, com certeza, o melhor Doc Holiday de todos foi Mature.

Victor Mature, o Doc Holiday do fordiano "Paixão dos fortes".

Victor Mature, o Doc Holiday do fordiano “Paixão dos fortes”.

Um outro que não pode faltar à nossa lista é Vincent Price, que, com sua carona comprida, voz rouca e pausada, fazia o mesmo tipo em qualquer filme. Foi coadjuvante em grandes clássicos (“Laura”, “Amar foi minha ruina”, “A canção de Bernadete”), até passar a ator principal nos filmes de terror de Roger Corman, filmes que, com o passar dos anos, viraram cult e em cult transformaram tudo que deles fazia parte, inclusive Vincent Price.

E passo para John Gavin. Não sei quem hoje ainda o lembra, mas esteve em filmes importantes, como “Psicose” de Hitchcock, e “Spartacus” de Kubrick. Alto, cabelos e olhos negros, bonitão, foi pescado pelos estúdios para ser uma espécie de concorrente de Rock Hudson, com quem tinha mesmo traços físicos comuns. Foi posto para trabalhar com grandes estrelas (com Lana Turner em “Imitação da vida”, com Doris Day em “A teia de renda negra”…), mas, o resultado não deu em nada, a não ser na comprovação de que estávamos diante de um estupendo canastrão.

Salvo por Ford e Hawks: John Wayne

Salvo por Ford e Hawks: John Wayne

Da mesma época foi o caso de Troy Donahue, que, com jeito ariano de garotão americano típico, prometia virar um ícone e… gorou. Ganhou o papel principal ao lado de Sandra Dee em “Amores clandestinos”, um melodrama ousado que deu o que falar na época, e, em seguida, esteve no elenco de um dos maiores sucessos comerciais do começo dos anos sessenta, “Candelabro italiano”… Depois disso, foi a decadência, até o seu desaparecimento completo das telas.

Esses atores sem dotes eram os Keanu Reeves, os Nicholas Cage, ou os Nick Nolte da época, mas a época também teve os seus Stallone, digo, atores que, compensando suas canastrices, se impuseram pela musculatura e força física. Refiro-me a Steve Reeves (Lembram dele em “Os últimos dias de Pompeia”?) de quem se dizia, depois de assistir a um filme seu: “estive horrível”. Isto para não ir mais para trás no tempo, com os Johnny Wessmuller, os Lex Barker e todos os Tarzans da história do cinema.

Pretenso rival de Rock Hudson: John Gavin

Pretenso rival de Rock Hudson: John Gavin

Quem talvez possa ser perdoado por não atuar tão bem são os que tinham outros dotes artísticos compensadores, por exemplo, os que cantavam e/ou dançavam na tela, casos clássicos de Fred Astaire, Bing Crosby e Gene Kelly.

Infelizmente não tenho espaço para comentar todos e encerro com a citação de alguns nomes – uns protagonistas, outros meros coadjuvantes – que o leitor, pelo menos o mais coroa, deve recordar: Tyrone Power, Jeff Chandler, Stewart Granger, Van Johnson, Jack Palance, Stuart Whitman, Yul Brynner, George Peppard, Dean Martin, Rod Taylor… e, enfim, quem mais o leitor achar que cabe entrar na galeria dos “canastrões clássicos”.

Como esta matéria é assumidamente saudosista, devo dizer que muitos desses canastrões tinham seu charme e que ainda hoje os curto – exceção feita talvez a Ronald Reagan e seu macaco.

Troy Donahue, com Sandra Dee em "Amores clandestinos".

Troy Donahue, com Sandra Dee em “Amores clandestinos”.