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Os óculos de Mr. Godard

31 out

O autor de “Acossado”, como se sabe, detesta a ideia de cinema como entretenimento. Pois fui ver este “O formidável” (Michel Hazanavicius, 2017) e me entretive um bocado.

Qual a relação? É que o filme é sobre ele, sim, sobre Jean-Luc Godard. Ou ao menos sobre uma fase da sua vida, aquela que ficou entre as filmagens finais de “A chinesa” e o seu próximo projeto de cinema; no meio disso, toda a sua acalorada participação no Maio de 68, ao lado da então jovem esposa e atriz, a bela Anne Wiazemsky.

Na saída do cinema, algumas pessoas me perguntaram se gostei, e tive vontade de responder com uma boutade godardiana: “o que interessa não é se gostei, mas se Godard gostou”. Pois leio agora que Godard teria dito do filme ser “uma ideia estúpida”. E, claro, é fácil entender por quê. O filme é baseado no livro “Um ano depois” de Anne Wiazemsky, e nele desponta, com franqueza desconcertante, a figura irreverente, polêmica, controversa, que foi – ou é – o cineasta de “O desprezo”, sua quixotesca busca do novo, sua nunca resolvida mistura de arte e política, seu gênio, mas também suas contradições e sua crise pessoal.

Godard, em pleno Maio de 68

Acho que o ponto alto do filme é o humor, e calculo que deve ter sido isto mesmo que mais desagradou ao cineasta, retratado numa época em que, visivelmente, perdera o dom de rir. Sobretudo de si mesmo.

Para começo de conversa, o título do filme (em francês “Le redoutable”) é referência a um suposto submarino da época que navegaria em autogestão, aparentemente, como Godard queria seus filmes. Depois de ouvirmos no rádio o noticiário sobre o tal submarino, ele e Anne vão estar repetindo o refrão “e assim segue a vida no “Formidável”. Claro que o título passa a valer para o próprio Godard, no caso da intitulação brasileira, com a vantagem de acionar os dois sentidos opostos da palavra: (1) temível (2) admirável.

Ainda na linha do humor, prestem atenção às muitas vezes em que os óculos do protagonista se quebram, caindo no chão em correrias e sendo pisado por pés alheios. Claro, os óculos são uma metonímia da visão de seu portador, essa ´visão´ (vários sentidos) que parece estar confusa para todos em torno dele e, pior, para ele mesmo.

Os atores Louis Garrel e Stacy Martin

O irônico uso da música “Quando calienta el sol” na cena em que o mal humorado cineasta é obrigado a hospedar-se na casa de praia de um inimigo figadal, enquanto a esposa, e os outros hóspedes se divertem com as belezas litorâneas… é um caso a citar.

A sequência da viagem de 800 kms entre Cannes e Paris, é quase exemplar: imprensados num carro alheio, oito pessoas são obrigadas a ouvir as ferinas opiniões de um amargo e antissocial Godard, não apenas sobre cinema, mas sobre elas mesmas. Em momentos assim, Godard esquece seus princípios ´democráticos´, aprendidos no livro vermelho de Mao Tse Tung e chama o humilde dono do carro que, está, aliás, fornecendo a carona, de “iletrado e burro”.

Mas esta é apenas uma das muitas farpas do cineasta. Nas ruas de Paris, em dias normais ou durante as revoltas de Maio, as suas agressões aos fãs são hilárias, para não dizer destrutivas. Lembrem a cruel resposta que recebe aquele rapaz, entusiasta estudioso de cinema, que está escrevendo tese de doutorado sobre a obra de Godard… e que é descartado como um idiota e um inútil.

Garrel encarna Godard, e o faz muito bem.

O cúmulo de seus posicionamentos controversos pode ter sido aquele em que, numa assembleia estudantil, afirma peremptoriamente que “os judeus são os nazistas de hoje”…

Não resta dúvida de que temos um Godard em crise, ideológica e existencial, irresoluto na comunhão entre arte e política. Obviamente essa crise se estende ao plano amoroso e desestabiliza a relação entre ele e Anne. E o filme se fecha com a separação… ou a promessa dela.

Godard é aquele tipo de cineasta que se ama ou se odeia. Assim, não sei qual vai ser a reação dos cinéfilos a “O formidável”, mas, uma coisa suponho que seja consensual: o filme de Hazanavicius é bem feito, primoroso na reconstituição da época, e sofisticado no desenvolvimento do roteiro e construção dos personagens. Sua narração saudavelmente “imita” o estilo Godard, e muitos outros recursos expressivos o homenageiam. Eu por exemplo, adorei aquela longa cena em que o casal conversa sobre problemas pessoais, enquanto, numa sala de cinema, assistem ao belo “O martírio de Joana D´Arc” de Dreyer (1928), a gente sabe, um dos clássicos amados pelo cinéfilo que um dia foi Jean-Luc Godard.

Em momentos assim, esquecido da iconoclastia godardiana, o filme parece nos dizer: questões pessoais são pequenas, o que fica é a arte.

A bela Stacy Martin, como Anne Wiazemsky.

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Trinta anos sem Truffaut

22 out

Neste 21 de outubro fez trinta anos da morte de um dos mais conceituados cineastas do mundo, o francês François Truffaut (1932-1984), um dos criadores da Nouvelle Vague, movimento cinematográfico que, a partir dos anos sessenta, mudou a forma de se ver e fazer cinema, na França e no mundo.

A sua história é bem conhecida: salvo da marginalidade pelo crítico André Bazin, o jovem cinéfilo Truffaut é introduzido aos bastidores da Revista Cahiers du Cinéma, para a qual passa a escrever artigos cada vez mais agressivos contra o cinema dito “de qualidade” de seu país. René Clair, René Clément, Marc Allegrét, Marcel Carné, Claude Autant-Lara… quase ninguém escapa de suas garras destrutivas, todos acusados de cometer um cinema artificial, fundado em regras de estúdio e de uma dramaturgia congelada e falsa.

François Truffaut: da crítica ao cinema.

François Truffaut: da crítica ao cinema.

Nessas críticas violentas, partilhadas por outros jovens críticos como Jean-Luc Godard e Claude Chabrol, ia embutida uma proposta de cinema inovadora, que seria chamada, mais tarde, de “cinema de autor”. Segundo esses jovens críticos, o cineasta devia ignorar regras de estúdio e usar a câmera como o poeta usa sua caneta. Era o que estava num texto, também publicado nos Cahiers du cinéma, do teórico Alexandre Astruc. Isto seria possível? Possível ou não, é essa idéia de “caméra-stylo” (´câmera-caneta´) o que gera, em 1954, um ensaio fundamental de François Truffaut, “Uma certa tendência do cinema francês”, ensaio este que funcionou como o verdadeiro manifesto da Nouvelle Vague.

 No final dos anos cinquenta, esse “cinema de autor” começa a desabrochar em forma de filme, primeiro curtas, depois longas. O primeiro dos longas é o belo “Os incompreendidos” (1959), onde Traffaut ficcionaliza a sua vida privada.

“Os incompreendidos” ganha o Festival de Cannes e, desde então, Trauffaut não para mais de filmar. O engraçado é que, se suas críticas contra o cinema francês eram agressivas, o cinema que ele passa a fazer não o é de forma alguma. Ao contrário, com Truffaut vai se ter um cinema doce, suave, humanista, dramático às vezes, mas sempre terno e poético.

Infância e marginalidade no belo "Os Incompreendidos" (1959)

Infância e marginalidade no belo “Os Incompreendidos” (1959)

Outra coisa engraçada, comum a Truffaut e aos outros nouvellevaguistas, foi o amor ao cinema americano. Enquanto a maior parte dos cineastas franceses não valia nada para eles, Otto Preminger, Fritz Lang, Howard Hawks, William Wyler, Billy Wilder, George Stevens lhes pareciam gênios que driblavam as regras de Hollywood para produzir obras primas. Com certeza, o mais cultuado de todos foi Alfred Hitchcock, com quem Truffaut chegou a fazer uma longa entrevista, que se estendeu por mais de uma década e foi, mais tarde, lançada em livro, hoje uma das melhores lições de cinema que a bibliografia da área conhece.

Enquanto movimento, a Nouvelle Vague se descaracterizaria a partir da década de setenta, principalmente com a rixa surgida entre os dois cabeças do movimento, Truffaut e Godard, a partir do lançamento de “A noite americana” (1973), filme que provocou em Godard uma reação violenta, que foi entendida em nível pessoal e resultou numa famosa carta pública de Truffaut, igualmente violenta.

Mas claro, nem por isso Truffaut parou de filmar. Não pretendo citar sua filmografia completa, mas, acrescento no final desta matéria, uma lista de dez de seus filmes mais conceituados, uma seleção do site IMDB.

Cena emblemática do mais prestigiado filme de Truffaut: "Jules et Jim"

Cena emblemática do mais prestigiado filme de Truffaut: “Jules et Jim”

Em sua autobiografia recém publicada, o cineasta brasileiro Carlos Diegues – que conheceu Truffaut de perto – dá um depoimento que não resisto em reproduzir: “Nunca vi ninguém gostar tanto de cinema, e só de cinema; nem sei se ele tinha algum outro interesse verdadeiro na vida”.

Pois é, este era François Truffaut, que pode não ter sido o maior cineasta do mundo, mas foi, sem dúvida, o mais cinéfilo de todos.

 

Dez filmes para não esquecer François Truffaut:

 

Os incompreendidos (Les 400 coups, 1959)

Jules et Jim (1962)

A sereia do Mississipi (La sirène du Mississipi, 1969)

A noite americana (La nuit américaine, 1973)

O homem que amava as mulheres (L´homme qui amait les femmes, 1977)

Farenheit 451 (1966)

O último metrô (Le dernier metro, 1980)

A mulher do lado (La femme d´à coté, 1981)

O quarto verde (La chambre verte, 1978)

Beijos proibidos (Baisers volés, 1968)

 

François Truffaut: cinefilia e cinema.

François Truffaut: o homem que amava o cinema

 

Relembrando “Acossado”

5 set

Gostei da chance de rever “Acossado” (Jean-Luc Godard, 1960), recentemente exibido na sala Vladimir Carvalho da Usina Cultural, como parte da atividade do Cineclube da Aliança Francesa. Tão bom quanto rever o filme foi poder discuti-lo com um público seleto e interessado.

Eu tinha visto “Acossado” em sua estréia local, acho que no Cine Brasil e, depois disso, o perdi de vista, embora nunca de referência, já que ficou claro, para historiadores e críticos, que o filme, junto com “Os incompreendidos” de Truffaut (1959), inaugurava o importante movimento de cinema chamado de Nouvelle Vague.

acossado 1

A imagem dele que mais retinha na memória era a linda Jean Seberg, com seus cabelos cortados rente, vendendo jornal nas ruas de uma Paris preto-e-branco e sendo assediada por um Jean-Paul Belmondo malandro e marginal.

Na ocasião do debate, relembramos três características da Nouvelle Vague, que estão bem evidentes em “Acossado”: (1) o fato de seus cineastas advirem, todos, da crítica cinematográfica, que, com espírito revolucionário, praticaram na revista Cahiers du cinéma; (2) a defesa – em que pese ao fato de o cinema ser trabalho de equipe – do diretor como sendo ´autor´ do filme, no mesmo sentido em que o poeta é o autor do poema; e (3) o desprezo ao cinemão francês feito até então, considerado acadêmico, convencional e estéril, desprezo este, paralelo ao fascínio ostensivo pelo filme B hollywoodiano, aquele que tendo orçamento baixo, era rodado com um índice maior de criatividade.

Tudo isso está em “Acossado”, e muito mais. Um mais que não pode deixar de ser mencionado é o modo particular de narrar, que – a gente sabe hoje – indicava a formação do estilo godardiano, sempre a superar-se a si mesmo, mas sempre identificável.

acossado 2

A esse propósito, cabe contar um incidente de produção que se revela sintomático. Consta que, depois de o filme rodado, o produtor protestou contra a sua duração, ordenando que Godard cortasse algumas cenas, para ficar na hora e meia desejada. Pressionado, o jovem cineasta tomou uma decisão inusitada: não cortou cenas: ao invés disso, operou inúmeros pequenos cortes dentro delas, assim comprometendo o sentido de continuidade narrativa. Por isso, cheio do que os americanos chamam de “jump cuts” (´cortes pulados´), o filme passa a impressão de pressa e improviso. Contudo, o mais importante a ser dito é que, o incidente inspirou Godard, que passou a usar os jump cuts nos seus filmes seguintes, como uma marca de estilo.

Amado por uns, odiado por outros, Godard vem, desde então, cometendo um cinema desconcertante como ele mesmo o é em pessoa.  Nele destaco um paradoxo particular que tem a ver com seu passado de crítico. É ele mesmo quem diz que “quando fazia crítica, eu já estava fazendo cinema, e agora que faço cinema, continuo fazendo crítica”. Esta equação de coisas diferentes é intrigante, mas ajuda a entender o paradoxo a que quero me referir. Ao tempo em que escrevia nos Cahiers, Godard endeusou o filme noir americano, em textos que hoje são antológicos. E, contudo, ao fazer cinema, nunca fez um filme nos moldes dos noirs que amava, muito pelo contrário, deu vazão a uma pulsão metalinguistica, essencialmente desconstrutora do gênero.

acossado 3

E já que estamos falando de “Acossado”, o exemplo nos serve, com o caso da montagem. Embora criativos, os filmes noir americanos elogiados por Godard eram editados pelo princípio da “decupagem clássica”, aquela que servia precipuamente ao desenvolvimento contínuo de narrativa, bem diferente do modo godardiano descontínuo de montar.

Em “Acossado” a homenagem ao noir é óbvia, sim, em todos os níveis, da temática (marginalidade) à diegese (tipo: carro, arma e garota) e, com freqüência, chega a ser gráfica, como naquela cena em que o personagem de Belmondo, na calçada de um cinema de Paris, se detém diante do cartaz de “A trágica farsa” (Mark Robson, 1956), porém, fica nisso. Decididamente, “Acossado” não é um noir, e seu assunto, é muito mais cinema do que qualquer outra coisa. O tradicional envolvimento que o filme noir proporcionava aqui desaparece e, o espectador ou está fascinado com o gesto mesmo de fazer cinema – a pulsão metalingüística referida -, ou não estará fascinado com nada.

acossado 4

Para dar um exemplo a mais, pensemos no enredo: matando um policial por acidente, um ladrão de automóveis foge e passa a ser procurado, ao mesmo tempo em que se envolve com uma jornalista/jornaleira, a qual, depois de hesitações, o denuncia e ele acaba alvejado no meio da rua.

Com certeza, os cineastas americanos que Godard adorava (Nicholas Ray, Samuel Fuller, Howard Hawks, etc) disso fariam um outro filme, bem diferente, com muito mais drama, atmosfera e apelo emotivo. Godard fez “Acossado”.

acossado 5

Mancada de mestre

11 jan

“Ninguém é perfeito” foi o que disse aquele senhor apaixonado à sua nova namorada, ao saber que ela não era “ela” e, sim “ele”. Última fala em “Quanto mais quente melhor” (Billy Wilder, 1958), a frase é hilária, mas – a gente sabe – faz sentido, e não só neste caso.

Recorro à frase para tratar de grandes cineastas que admiramos e amamos e que, no entanto, cometeram lá as suas “imperfeições” – as quais, perdoadas ou não, grosseiramente poderíamos muito bem chamar de mancadas de mestres.

Pois é, repassando a história do cinema, é difícil – quase impossível – encontrar uma carreira de cineasta que não contenha uma ou outra mancadinha. Em ordem cronológica, aqui faço um passeio maldoso por obras que, mesmo estando assinadas por grandes nomes da cinematografia universal, nem os corações mais apaixonados e benevolentes considerariam de alguma qualidade estética.

Vejam o caso de Fritz Lang, que foi, em Hollywood, um mago do filme noir, talento que ele trazia de seu passado alemão e expressionista. Perguntemos: por que a mão que dirigiu, por exemplo, a obra prima “Um retrato de mulher” (1944), também dirigiu, três anos depois, essa porcaria sem sentido “O segredo da porta fechada” (1947)?

Malgrado os seus atropelos com o maccartismo, Elia Kazan construiu, ao longo do século, uma carreira cinematográfica admirável em todos os aspectos. E, no entanto, em 1947, fez, e fez mal, essa coisinha chata e sem sentido de título “Mar verde” – um filme menor em todos os aspectos.

O meu cineasta preferido é Alfred Hitchcock, mas, digam-me lá, existe algo mais intragável do que aquele “Sob o signo de capricórnio” que o velho Hitch rodou em 1949, essa infame estória de época australiana que nos aborrece desde os primeiros minutos de projeção? Nem as suas explicações em depoimentos e entrevistas nos convencem, embora, claro, ele mesmo admita que o filme é muito ruim.

Revendo “Belíssima” (1951) hoje em dia, você só acredita que foi dirigido por Luchino Visconti porque os créditos do filme lhe asseguram. Não fossem eles, a impressão é que estaríamos assistindo a uma empreitada de um novato sem nenhum talento.

John Huston é outro que amo, porém, aqui para nós, ninguém pode negar que, em “O diabo riu por último” (1954), apesar do elencão e tudo mais, a coisa desandou. Foi ou não foi?

Quem poderia dizer o que foi que aconteceu quando o grande Vincente Minnelli rodou, em1955, apeça-musical que foi sucesso na Broadway “Kismet”. Ninguém sabe – sabe-se somente que o filme, “Um estranho no paraíso”, ficou insosso.

Querem ver um Stanley Kubrick ruim? Assistam a “A morte passou por perto” (“Killer´s Kiss”, 1955), um amontoado de defeitos num filme precário e insatisfatório.

François Truffaut podia muito bem ter pulado de “Os incompreendidos” (1959) para “Jules e Jim” (1962), sem passar por esse inconveniente e inconvincente “Atirem no pianista” (1960), não podia?

Em 60, 61 e 62, o mestre do tédio burguês, Michelangelo Antonioni, já havia nos dado a sua básica trilogia preto-e-branco “A aventura”, “A noite” e “O eclipse” – precisava, no ano seguinte, botar cores na tela e cometer esse chatérrimo “Deserto vermelho”? Não precisava.

Se for para ficar no começo dos anos sessenta, de Federico Fellini, assistimos, maravilhados, “A doce vida” (1960) e logo em seguida, “Oito e meio” (1963), só para depois, sermos obrigados a aguentar (ufa!) esse tal de “Julieta dos espíritos” (1965).

O grande John Ford de “Paixão dos fortes” (1946) e “Rastros de ódio” (1956) precisava ter rodado esse filmezinho anódino que não leva a nada, “O aventureiro do pacífico” (1963)?

O que tinha em mente o gênio Orson Welles quando concebeu e parcialmente realizou o seu “Dom Quixote” (s/d)? Tudo bem, nunca conseguiu terminar o filme, mas, do que está feito lá já dá para ver que a coisa é ruim mesmo, e não adianta ir atrás de outras palavras.

Bem que o nosso Glauber Rocha podia ter encerrado a sua filmografia antes de “A idade da terra” (1980): teríamos ficado livres de um dos mais aborrecidos e equivocados filmes da cinematografia nacional, em todos os tempos.

Jean-Luc Godard é um cineasta controverso que, ou você detesta ou você ama. Porém, pergunto, há quem ame “Nouvelle Vague” (1990)?