Tag Archives: João Batista de Brito

Signo e imagem em Castro Pinto

6 jun

Ao leitor deste blogue, peço licença para versar sobre assunto não relacionado a cinema. O assunto de hoje é literatura, mais especificamente, poesia.

Dirijo-me particularmente ao leitor residente em João Pessoa, Paraíba, para informar que no próximo dia 08 de junho, sexta-feira, vou estar lançando a segunda edição do livro “Signo e imagem em Castro Pinto” (Ideia, 2018), versão pública que tomou minha tese de doutorado homônima, escrita, defendida e aprovada em 1995, na Universidade Federal da Paraíba, e cujo corpus foi a poética do nosso poeta maior Sérgio de Castro Pinto.

Com apresentação do prof. Edilson Amorim, o lançamento vai ocorrer na Academia Paraibana de Letras, a partir das 19:00 horas, quando será servido aos presentes amplo coquete. Sintam-se todos convidados.

Ao leitor interessado em poesia, e à guisa de aperitivo, transcrevo o texto de apresentação que redigi para esta segunda edição do livro:

Eu e meu livro, segunda edição de “Signo e imagem em Castro Pinto”.

 

“Ler um poema é caminhar sobre o silêncio – sobre o silêncio de um vulcão”. A frase, que um dia usei como epígrafe para um outro livro, é do pensador Geoffrey Hartman, mas, do tanto que me é cara, penso ser minha.

Sim, como ler a rica, peculiar e instigante poesia de Sérgio de Castro Pinto? Como atravessar sua superfície silenciosa e divisar o vulcão escondido? Essa viagem subterrânea não demanda um instrumental que nos proteja da obviedade, da irrelevância ou mesmo do equívoco?

Essa viagem perigosa eu a fiz, mas, antes de ser livro, este trabalho foi tese de doutorado em Literatura Brasileira, que, numa tarde em janeiro de 1995, defendi no Centro de Ciências Humanas Letras e Artes da Universidade Federal da Paraíba.

O poeta estudado, Sérgio de Castro Pinto.

Na sua aparente complexidade, o enfoque escolhido foi simples: somou-se esforço analítico a desejo devaneante. Para o primeiro caso, fomos buscar amparo na Semiótica do pensador americano Michael Riffaterre, e para o segundo, na Fenomenologia do pensador francês Gaston Bachelard. E por que esse acoplamento entre dois modelos teóricos supostamente antagônicos? Por uma razão igualmente simples: na sua riqueza estrutural e na sua intensidade lírica, a poesia a ser interpretada o solicitava – mais que solicita, exigia.

O trabalho foi aprovado pela banca examinadora e recomendado à imediata publicação, mas, uma recompensa a mais me veio no ano seguinte, quando “Signo e imagem em Castro Pinto”, a tese, foi premiada com o segundo lugar em concurso nacional de teses de doutorado de literatura, organizado pela ANPOLL (Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Letras e Linguística).

Do formato da tese para o do livro, houve pouca mudança, até porque, como na ocasião fiz ciente ao meu orientador, redigi a tese pensando-a como livro. E ele concordou.

Pois, relendo agora este livro para esta Reedição, fiquei me indagando em que ele seria datado, já que de 1995 ao presente são decorridas mais de duas décadas.

Pelo menos em dois aspectos há inevitável defasagem: desde então, a fortuna crítica de Castro Pinto – revisada no primeiro capítulo – cresceu consideravelmente, como também cresceu a sua própria produção poética, que, na época, distribuída em quatro livros, Gestos lúcidos, A ilha na ostra, Domicílio em trânsito e outros poemas e O cerco da memória, não consistia em mais que 103 poemas, alguns repetidos de livro a livro.

Uma outra indagação a ser feita poderia concernir à validade do enfoque proposto. Vinte e três anos depois de concebido e aplicado, ele vale ainda para a poesia recente do autor estudado? Indagação que, ao invés de tentar responder, prefiro repassar, junto com esta Reedição, ao apreciador da poética de Sérgio de Castro Pinto.

Em tempo: aguardo vocês lá.

Anúncios

Estreia de “O homem que vê no escuro”: um registro verbo-visual

2 jan

 Faço aqui o registro verbo-visual da estréia do filme O homem que vê no escuro (Mirabeau Dias, 2012), para quem não pôde comparecer, e também para quem compareceu, os muitos amigos, colegas e conhecidos que ocuparam as 150 cadeiras do recém fundado Cine Linduarte Noronha, nas dependências do prédio da Funjope, rua Duque de Caxias, 352, em João Pessoa, na noite de 28 de dezembro de 2012, dia Mundial do Cinema.

Cena do filme

Cena do filme

O homem que vê no escuro é um longa documental (101 minutos) sobre a minha pessoa, meu trabalho, minha militância na crítica cinematográfica e minha vida.

Concebido, roteirizado, dirigido, editado e produzido por Mirabeau Dias, o filme faz um passeio por minha linha existencial, a partir de entrevistas que, em momentos diferentes, concedo ao professor Luiz Antônio Mousinho, aos jornalistas Renato Felix e Astier Basílio e ao próprio Mirabeau Dias.

Cena do filme

Cena do filme

Nessas entrevistas fica delineada a minha trajetória de ser humano, de escritor e de pensador do cinema, os dados pessoais (o primeiro filme que vi, por exemplo) se misturando ao embate conceitual (livros que li, pessoas que me influenciaram, etc) que me conduziu à posição teórica que caracteriza meus escritos e minha maneira de interpretar o cinema. Naturalmente, toda a minha fala é emoldurada por cenas de filmes, imagens amadas de nós todos.

Do filme também fazem parte lances criativos, nada documentais – evidentemente, todos soluções expressionais do diretor – que ilustram a minha paixão pelo cinema de várias formas, em alguns casos de forma brincalhona. James Stewart enredando de mim por telefone a Hitchcock em “Janela indiscreta”, ou, eu, na pele de Gary Cooper, dando meia volta na carroça para ir pegar o livro “Imagens amadas” (começo de “Matar ou morrer”) são dois lances que vêm ao caso. Cito mais dois: uma dramatização que, a pedido do diretor, faço do mini-conto “Flor de Cacto” (conferir neste blog meu livro “Um beijo é só um beijo”) e minha enxerida ingerência no ato de desenhar, um hobby secreto que sempre escondi de todos.

Cena do filme

Cena do filme

A exibição do filme fez parte do evento que celebra o Dia Mundial do Cinema, evento este organizado pela Academia Paraibana de Cinema, sob a presidência do jornalista e historiador Wills Leal. Na ocasião, foram entregues prêmios aos melhores filmes paraibanos realizados em 2012, que passo a citar em suas respectivas categorias:

Presidente da APC, Wills Leal

Presidente da APC, Wills Leal

“Tudo que Deus criou” de André da Costa Pinto (Longa metragem de ficção); “Radegundis Feitosa” de Anthur Lins e Niu Batista (Longa metragem documental); “Ato instituicional” de Helton Paulino (curta de ficção); “Fogo pagou” de Ramon Batista (curta documental).

A atriz Marcélia Cartaxo

A atriz Marcélia Cartaxo

Houve ainda a entrega dos troféus do Festcine Digital do Semiárido, para: “A Ninhada” de Nivaldo Miranda (ficção) e “Quebra quilos” de Haroldo Vidal. O produtor e realizador Durval Leal recebeu um prêmio especial pelo conjunto de sua obra, e a atriz Marcélia Cartaxo fez o anúncio oficial do prêmio Walfredo Rodriguez, recém instituído pela Funjope.

Após a exibição de O homem que vê no escuro foi servido um coquetel aos presentes. (Confira fotos).

JBBrito entre amigos

JBBrito entre amigos

JBBrito entre amigos

JBBrito entre amigos

JBBrito entre amigas

JBBrito entre amigas

JBBrito, Sérgio de Castro Pinto, Mirabeau Dias e Suely

JBBrito, Sérgio de Castro Pinto, Mirabeau Dias e Suely

Silvino Espínola, JBBrito e o diretor Mirabeau Dias e esposa, Suely.

Silvino Espínola, JBBrito e o diretor Mirabeau Dias e esposa, Suely.

Coquetel

Coquetel

Coquetel, vendo Wills Leal à direita, de costas

Coquetel, vendo-se Wills Leal à direita, de costas

Emoção à flor da tela – um livro ao seu dispor

28 dez

Não sou historiador, mas sempre quis escrever um livro que recobrisse a história do cinema.

Normalmente, meus textos são ensaios que abordam um único filme. Apaixonado pelo exercício da análise, nunca gostei de tratar de fases, escolas, épocas, ou períodos mais longos, e quando o fiz foi meio acidentalmente.

O meu grande prazer foi sempre deter-me em um dado filme e tentar, verticalmente, desvendar o que, no fundo de sua forma e na forma de seu fundo, ele tem a nos dizer, ou mais que isso, a nos fazer sentir.

Por outro lado, a história do cinema é feita de filmes, digo, de filmes individuais. Julguei, portanto, que se dispusesse de um número significativo de comentários críticos sobre filmes individuais e os distribuísse num mesmo espaço em ordem rigorosamente cronológica, ficaria implicitamente delineada uma “história”.

Foi o que andei fazendo nestes últimos quinze anos – fui catando e juntando ensaios já escritos, e escrevendo outros, organizando-os em ordem cronológica, até ter um número razoável para a confecção de um livro.

Ao chegar ao número 150, achei que o livro estava pronto. A escolha do título foi trabalhosa, mas creio que o escolhido, “Emoção à flor da tela – escritos sobre cinema”, se não sugere a perspectiva ´histórica´, ao menos tem a vantagem de ressaltar um dos aspectos mais fascinantes do consumo da sétima arte, que é o recepcional. Como já foi dito tantas vezes por tanta gente boa, sem espectador não há cinema.

capa de Emoção à flor da tela

O leitor desse livro poderá se indagar por que os filmes discutidos são estes, e não outros. Confesso que o acaso pode ter tido, até certo ponto, o seu papel. De fato, muitos são filmes sobre os quais escrevi porque estrearam nos cinemas locais, ou porque foram lançados em DVD, ou porque os vi, ou os revi, na TV paga, etc… Lembro ao leitor, porém, que na montagem do livro houve muitos ´cortes´, pois o número de textos a constar do livro superava em muito os 150 escolhidos. A rigor, portanto, nenhum filme está no livro gratuitamente.

Na seleção que fiz houve mesmo certo grau de intencionalidade. Achei que um livro desses não podia deixar de fora certos cineastas fundantes ou com propostas bem particulares, por exemplo, Orson Welles, Sergei Eisenstein, Jean Vigo, etc. Além disso, alguns ensaios foram escritos diretamente para o livro, como aqueles que tratam do cinema primitivo dos irmãos Lumière.

Tive, obviamente, o cuidado de não pular décadas, o que comprometeria o sentido “histórico” do livro. A questão era só decidir que filmes de tal década lhe seriam representativos. Espero ter sido, neste particular, sensato e pertinente no meu modo de enfocar.

Eis alguns exemplos, citados ao acaso: no século dezenove não poderia faltar: “O regador regado” dos irmãos Lumière; na década de dez, tinha que ter “O grande roubo de trem” de Porter; na de vinte, era necessário incluir “A última gargalhada” de Murnau; na de trinta, precisava ter o “King Kong” de Merien C Cooper (1933); na de quarenta, achei que era importante “O terceiro homem” de Carol Reed; na de cinqüenta, julguei essencial não descartar “Vidas amargas” de Elia Kazan; na de sessenta, impossível pular o “Easy Rider” de Denis Hooper; na de setenta, fiz questão de por o “Lacombe Lucien” de Louis Malle; na de oitenta, não quis passar ao largo de “A rosa púrpura do Cairo” de Woody Allen; na de noventa, achei conveniente resguardar “Tudo sobre minha mãe” de Pedro Almodovar; na 2000, fiz questão de incluir “Os sonhadores” de Bernardo Bertolucci.

Sei que ninguém lê um livro inteiro no computador, porém, não me preocupo com isso. Acho que, para o internauta cinéfilo, o grande lance é fuçar, de cima para baixo, de baixo para cima, e ler aos poucos, em momentos diferentes, de acordo com os seus próprios interesses. Aliás, apesar do sentido “histórico” que a cronologia concede ao livro – ele também foi concebido… para consulta.

Enfim, o livro está pronto, e, a partir desta data, a seu inteiro dispor. Para o acesso, tudo que você tem a fazer é clicar, acima, na categoria INÉDITOS, e, em seguida na imagem icônica da capa do livro. Divirta-se e, se for o caso, comente.