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DIA DO AMIGO, 20 de julho de 2019

23 jul

Neste 20 de julho passado, postei no Facebook a sugestão de doze filmes que tematizaram grandes amizades, entre homens, mulheres, e/ou crianças. Aqui reproduzo a postagem, com um pequeno acréscimo. Nos parênteses, estão: o título original, o diretor, o ano e dois nomes do elenco. Em seguida, o acréscimo: uma nota sobre o enredo.

 

PAIXÃO DOS FORTES

(My Darling Clementine, John Ford, 1946, com Henry Fonda e Victor Mature). Como se conheceram dois heróis do velho Oeste, Wyatt Earp, o xerife de Tombstone, e Doc Holliday, o dentista tuberculoso, e como enfrentaram a gangue dos Clanton.

 

POR TERNURA TAMBÉM SE MATA

(Porte des Lilas, René Clair, 1957, com Pierre Brasseur e Georges Brassens). Um bêbado e vagabundo, Juju, protege um malfeitor, fugitivo da polícia… até o dia em que este ludibria a mulher que ele, Juju, ama em segredo. E então, o crime do título do filme é cometido.

 

ACORRENTADOS

(The defiant ones, Stanley Kramer, 1958, com Tony Curtis e Sidney Poitier). Dois fugitivos escapam de uma penitenciária, mas não deles mesmos, pois estão acorrentados um ao outro, com o agravante de que um é branco e o outro negro, e isto, nos Estados Unidos dos anos 50.

 

SEMPRE AOS DOMIGOS

(Les dimanches de Ville d`Avray, Serge Bourguignon, 1962, com Hardy Kruger e Patricia Gozzi). Um piloto de guerra conhece menina de orfanato, relegada pelos pais, e os dois iniciam uma amizade inocente, que não será vista assim pela comunidade.

 

ZORBA, O GREGO

(Zorba the Greek, Michael Cacoyannis, 1964, com Anthony Quinn e Alan Bates). De passagem na Grécia, escritor inglês faz amizade com homem simples, que lhe dá lições de vida que os livros não ensinam.

 

PERDIDOS NA NOITE

(Midnight cowboy, John Schlesinger, 1969, com Dustin Hoffman e John Voight). Matuto do Sul viaja a Nova Iorque para fazer a vida fácil e se envolve com aleijado que lhe passa a perna e, mais tarde, se torna seu gigolô e amigo.

 

 

DERSU UZALA

(Akira Kurosawa, 1975, com Maksim Munzuk e Yuri Solomin). Militar russo conhece idoso camponês chinês e com ele apreende, entre outras coisas, o apego à Natureza.

 

JULIA

(Julia, Fred Zinnemann, 1977, com Jane Fonda e Vanessa Redgrave). A estória da relação entre a jornalista e escritora Lillian Hellman e sua amiga da vida toda, Julia.

 

CONTA COMIGO

(Stand by me, Rob Reiner, 1986, com Will Wheaton e River Phoenix). Residentes de uma pequena cidade sulista, quatro garotos em busca de aventura, se embrenham na mata para chegar ao cadáver de um homem assassinado.

 

ADEUS, MENINOS

(Au revoir les enfants, Louis Malle, 1987, com Gaspard Manesse e Rafael Fejto). Na França ocupada, os efeitos do nazismo sobre uma escola primária, em que alguns alunos são judeus.

 

NUNCA TE VI, SEMPRE TE AMEI

(84 Charing Cross Road, David Hugh Jones, 1987, com Anne Bancroft e Anthony Hopkins). A atividade de correspondência entre um livreiro inglês e uma escritora americana, amigos que nunca se encontraram, salvo por cartas.

 

TOMATES VERDES FRITOS

(Fried green tomatoes, Jon Avnet, 1991, com Jessica Tandy e Kathy Bates). Uma dona de casa oprimida e insatisfeita com a vida de casada escuta de uma senhora idosa, num asilo, uma estória edificante, que a transforma.

 

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Confissões de um cinéfilo à moda antiga

26 jun

Semanas atrás fui ao cinema do Manaíra Shopping ver “A livraria” (“The bookshop”, 2017), filme obscuramente exibido na Sala 1, sala esta, segundo consta, reservada a ´filmes de arte´.

Pois mesmo nesta ´sala de arte,´ passam, antes da sessão, os trailers dos filmes comerciais e, aí, começa o meu tormento. Um atrás do outro, cada trailer é um amontoado de explosões, rostos e corpos deformados, criaturas robóticas, paisagens desoladas e sombrias, correrias sem fim, velocidades indizíveis, pirotecnias as mais mirabolantes, efeitos especiais os mais absurdos… e barulho, muito muito barulho.

Deve ser problema da idade, mas essas parafernálias dos filmes atuais me incomodam horrivelmente e fazem mal aos meus olhos e ouvidos, para não dizer que ameaçam a minha saúde. Fico enfiado na poltrona como um menino medroso, com vontade de chorar ou sair da sala correndo.

Ufa! Depois de mais ou menos meia hora de sofrimento, eis que começa o filme que escolhi ver. Que alívio!

Na verdade, “A livraria” não é nenhuma grande obra: só um filme mediano, sem méritos especiais, mas, por contraste com o inferno dos trailers, juro, comecei a achá-lo um bálsamo para o meu espírito aturdido. Que beleza, entrar leve e discretamente na vida de pessoas normais, que não são robóticas, nem voam, nem se transformam em monstros, nem explodem bombas que destroem o Universo…

Em 1959, numa cidadezinha insignificante da Inglaterra, Hardborough, chega essa senhora, viúva de meia idade, Florence, simpática e tranquila, que compra uma casa antiga do lugar, com o intento de transformá-la numa livraria. Encontra apoio em uns e oposição em outros, mas, nada que esteja fora do familiar universo dos seres humanos como a gente. A senhora Florence poderia muito bem ser nossa tia, e os seus apoiantes e oponentes, poderiam muito bem ser os residentes do bairro onde moramos.

Com a vantagem de ser um filme sobre livros, coisa que eu não via fazia tempos. O último acho que foi “Nunca te vi, sempre te amei” (“84 Charing Cross Road”) do diretor David Jones, – vocês lembram – com a Anne Bancroft e o par Anthony Hopkins e Judi Dench em começo de carreira no cinema, embora ambos já maduros.

Em “A livraria” até os conflitos são leves. É verdade que a Sra Florence encontra indiferença na população local e rivalidade junto a uma socialite poderosa que termina por derrubar os seus planos, mas, mesmo assim o filme não pesa.

Pesa a bela e delicada amizade da protagonista com um senhor idoso e solitário, o Sr Brundish, que ela descobre ser um grande bibliófilo e, daí, passa a lhe enviar livros para avaliação. O primeiro que envia é um livro sobre livros, o famoso “Farenheit 451” de Ray Bradbury, que é logo aprovado e passa a constar das prateleiras da livraria. O segundo vai dar mais ainda o que falar: o – para a época – polêmico “Lolita” de Nabokov, mas é, sim, aprovado e passa a ser vendido como qualquer outro livro.

E por falar em Lolita, vejam que a funcionária da livraria da Sra Florence é uma criança, uma garota de 14 anos, Christine, que sequer gosta de ler, mas que será induzida à leitura pela sua patroa. Aliás, o filme inteiro – saberemos no desenlace – é narrado em flashback por essa garota, quando já adulta, ela mesma, hoje dona de uma grande livraria em Londres.

Como disse, “A livraria” não tem méritos especiais; é retilíneo e convencional, porém, contraposto ao inferno dos trailers que o precedeu, ele acidentalmente tornou-se, para mim, um filme extremamente agradável.

A propósito do contraste que me bateu entre os trailers infernais e “A livraria”, acho que não é coincidência que se trate de um filme sobre livros, quando se sabe que o computador, o poderoso opositor do livro no mundo de hoje, é justamente a máquina eletrônica que torna possível todo o “inferno” dos trailers referidos… Por aí.

Sobre o problema dos trailers que tanto me atormentaram, um amigo me disse o que já sei: que em tempo de férias, a programação local investe em filmes assim, para uma plateia infanto-juvenil. Para mim, o problema persiste: será que isto significa que, formado por esse tipo cibernético e barulhento de filme, o espectador do futuro nunca vai ver um filme singelo e humano como “A livraria”? Não tenho resposta…