Tag Archives: Pacto de sangue

Claridade estelar

5 dez

 

“Clara estrela” (2017) foi o filme, que este ano,  abriu o XII FestAruanda, exibido em estilo hors concours, na sala 9 do Cinépólis, na noite de quinta-feira, 30 de novembro.

Trata-se de um documentário sobre a vida e a obra da cantora Clara Nunes e, nesse aspecto, entra na linha dos muitos filmes brasileiros que, desde o início do Milênio, vêm enfocando figuras da MPB. Não cito a lista, que é longa: da última vez que escrevi sobre o assunto já ia na casa dos trinta.

Mas o filme da dupla Susana Lira e Rodrigo Alzuguir tem características próprias.

A mais evidente é o de ser ´um documentário em primeira pessoa´.

Pois é. Ao invés de seguir o formato documental conhecido, onde se apela para depoentes que dão opinião sobre o/a protagonista, os realizadores preferiram deixar que Clara Nunes falasse por si só, contando, ela mesma, sua estória, com suas próprias palavras. Na tela, sua voz, ou sai de sua boca, em registros filmados, ou é performatizada por uma atriz (Dira Paes), quando reproduzida de textos impressos.

Vejam bem, “o filme ficcional em primeira pessoa” não é novidade (como, na literatura, o romance ou o conto); basta lembrar os muitos noir em que o protagonista nos relata sua vida, como se o roteiro fosse de sua autoria (lembram, por exemplo, “Pacto de sangue”?). A novidade aqui é ser o filme um documentário com tal formato. E isto, naturalmente, tem seus corolários, estruturais, semióticos e estéticos.

Se deixa de lado testemunhos alheios, porventura preciosos, o formato – pelo menos no caso presente – tem a vantagem de ficar livre para veicular a celebração e, se for o caso, permitir o desabrochar do sentido poético.

Para tanto, os realizadores não hesitaram em ser criativos, introduzindo cenas ficcionais, como as marítimas, que abrem e fecham o filme, com os pés da cantora pisando o fundo do mar, por entre algas e peixes – tudo isto para lembrar ao espectador a presença sintomática de palavras da isotopia aquática em suas canções.

Não apenas para os fãs de Clara Nunes, mas para todos, o filme empolga e foi interessante e compensador vê-lo no FestAruanda, em uma enorme sala lotada, com a plateia acompanhando as músicas com solfejos ou palmas. O show ao lado de Sivuca foi, nesse aspecto da recepção fílmica, um momento quente.

Porém, para dizer a verdade, não é o filme inteiro que propicia esse efeito.

Acho que posso dizer que ele começa devagar, moroso mesmo, prometendo, ao menos ao espectador habituado a assistir a documentários sobre gente famosa, enfado e monotonia. Com o passar das cenas, o filme quebra a “promessa”: vai crescendo, tornando-se cada vez mais ágil, mais envolvente, mais empolgante e se finda quase numa apoteose.

Finda a projeção, o que se observa é que o filme cresce exatamente na medida em que cresce a carreira profissional de Clara Nunes. Como os realizadores optaram por seguir a cronologia da biografada, a coincidência dos dois efeitos – tenha sido intencional ou não – é perfeita. Isto seria um problema? Não creio.

O fato é que a grande cantora se revela toda ao espectador, como também a grande mulher que foi Clara Nunes: sua luta para vencer, seus percalços, sua força, sua personalidade cativante, seu carma, sua beleza, exterior e interior, seu talento, em suma sua “claridade estelar”.

Tenha sido exigência do formato em primeira pessoa verbal escolhido, ou não, o filme evita o lado porventura escandaloso de sua vida sofrida, aliás, desnecessário, uma vez que suficientemente divulgado pela imprensa da época. E não só isso: descabido para o intento celebratório que o filme assume. No lugar disso, e por contraste, estão as liberdades poéticas a que se deram os realizadores, como as já citadas – e tão funcionais – cenas aquáticas. Ainda bem.

No debate, ocorrido na manhã seguinte à exibição, os realizadores confirmaram a impressão de celebração poética que o filme passa ao espectador. E o fizeram muito bem. Mas, não será demais dizer: com ou sem confirmação autoral, “Clara estrela” empolga e entra na boa lista dos nossos “filmes sobre a MPB” sem pedir favores.

Anúncios

Espectadores (1) Joaquim Inácio Brito

1 out

 

Com esta matéria, dou início a um projeto sobre recepção cinematográfica onde pretendo entrevistar, como diz o título, espectadores de cinema. Não críticos, nem cinéfilos, nem profissionais da área, mas apenas espectadores, ou seja, pessoas que adoram assistir a um bom filme e que fazem, ou fizeram, disso um hábito especial, enfim, os chamados amantes do cinema.

Eventualmente, são pessoas que nunca leram um livro de teoria fílmica, que nunca estiveram por trás das câmeras, e que nunca escreveram sobre a sétima arte. E, para quem, no entanto, o cinema tem uma importância – ou influência – avassaladora em suas vidas.

Um dos objetivos do projeto é demonstrar o quanto a recepção cinematográfica é mais complexa, mais rica e mais interessante do que aparenta à primeira vista. Para que as entrevistas pudessem render mais, senti a necessidade de arguir espectadores que já conheço e cujas reações ao cinema – idiossincráticas ou convencionais – me inspirassem questões pertinentes. De tal forma que, não apenas das respostas, mas também das perguntas, pode se deduzir um perfil do entrevistado.

Assim, inicio a série com Joaquim Inácio Brito.

"Casablanca" é um dos filmes preferidos do entrevistado.

“Casablanca” é um dos filmes preferidos do entrevistado.

 

Entre amigos, você é conhecido por não gostar de filmes com final infeliz. No entanto, em enquete que fiz para o Correio das Artes sobre o cânone pessoense de cinema, você escolheu, como os seus três mais amados, “Casablanca”, “Pacto de sangue” e “Tubarão”, filmes que estão longe de um final feliz. Como explicar a contradição?

 

Realmente, não gosto e não assisto mais a filmes com temas tristes, que abordam dissolução de família, injustiças irreparáveis, sofrimento de crianças, isso nem pensar. Agora, os três filmes aqui citados não são tristes. Em “Pacto de sangue” o final é espetacular: o corretor tinha que pagar pelo crime e pagou; Em “Tubarão”, a fera é morta e o sossego volta à praia: Já no final de “Casablanca”, Bogart é acometido de burrice patológica. Deixar Ingrid Bergman ir embora daquela forma. Meu Deus!!!
Acho que se pode dizer que o gênero que você mais ama e conhece é o noir. Há razões especiais para isso? Alguma forma inconsciente, ou talvez consciente, de identificação? Enfim, o que é que o noir tem que os outros gêneros não têm?

 

O filme noir me proporciona 80, 90 minutos de puro deleite. Sem maiores pretensões (nunca um noir ganhou nada, prêmio algum) o filme tem tiro, bandido, detetive, cabaré, loiras belíssimas, sempre com enredos de fácil percepção e entendimento. Veja bem; os críticos em suas variadas análises, afirmam que ele veio do expressionismo alemão, entre outras complicações. Eu adoro filme noir; não sei o que é expressionismo alemão e nem quero saber…

 

Sobre o problema da adaptação cinematográfica você também tem uma posição bem definida: como leitor assíduo e apaixonado da grande literatura universal, você se recusa a assistir a filmes que adaptaram obras literárias. Fale um pouco sobre essa recusa.

O nosso entrevistado, Joaquim Inácio Brito, aqui visto ao lado do cronista Gonzaga Rodrigues.

O nosso entrevistado, Joaquim Inácio Brito, aqui visto ao lado do cronista Gonzaga Rodrigues.

 

Sua colocação é um tanto radical. Não me recuso a assistir a filmes que adaptaram obras literárias. Alguns romances que considero excepcionais, entretanto, prefiro mantê-los como os pintei na imaginação e guardá-los sem a reprodução de terceiros.

 

Muitas vezes você é pego justificando a boa qualidade de uma interpretação, ou de uma música, ou de uma direção, pela conquista que tiveram do Oscar. O prêmio da Academia de Hollywood é importante mesmo?

 

Vários amigos meus, que sabem ler e escrever, esnobavam a Academia Paraibana de Letras sob as mais diferentes justificativas. No entanto, quando convidados para a imortalidade, raríssimos não aceitaram. Guardado o devido tamanho, suponho que o mesmo se verifica com o prêmio da Academia de Hollywood.

 

Em conversa, você demonstra uma invejável familiaridade com música, inclusive, referindo sempre compositores que musicaram filmes. Como você conceituaria a importância que tem a música no cinema? Pode dar exemplos?

 

Vou responder com uma pergunta. O que seria de “Suplício de uma saudade” sem a canção de Alfred Newman “Love is a many-splendored thing”?
Você pertence a uma geração que foi jovem nos esfuziantes anos sessenta, em João Pessoa. Na época, você deve ter frequentado as famosas sessões de quinta-feira do Cinema de Arte no Cine Municipal, projeto da ACCP – Associação dos Críticos Cinematográficos da Paraíba. Que lucros retirou dessas sessões e desse convívio?

Nenhum.
Uma característica sua enquanto espectador é o desprezo pelo Cânone. Embora sejam do seu conhecimento as listas dos filmes canonizados pela Crítica Internacional, estes nunca conquistaram sua preferência. De alguma maneira, pode se dizer que você passa muito bem sem os “Encouraçado Potemkin”, “A regra do jogo” ou “Cidadão Kane” da vida. Há algo de proposital nesse desprezo, ou ele é apenas uma reação natural? Comente.

 

Diz o cachaceiro que beber é arte e comer é vício. Diz o crítico que cinema é arte e eu vejo cinema como diversão. Como posso, então, engolir “A Regra do jogo”, “Ladrões de bicicletas”, “A Fonte da donzela”? A Nouvelle Vague, o neo realismo e outros desses monstrengos alimentam sempre o meu bem querer pelo cinema americano das décadas de 40/50. Evoé!

 
Você é do tipo de espectador que elegantemente “dispensa” o cinema que se produz e exibe hoje em dia… Algo a dizer sobre esse aparente ´passadismo´ assumido?

Cena de "Pacto de sangue", citado pelo entrevistado.

Cena de “Pacto de sangue”, citado pelo entrevistado.

 

Vou tentar justificar esse “passadismo”. A violência em excesso, os diálogos sempre chulos, a falta de bons roteiros, os maus atores, dentre outras mazelas, mataram o bom filme. Um óbito assinado há dezenas de anos, sem qualquer tentativa de uma ansiada ressurreição.

 Se não lhe for incômodo, gostaria que citasse sete filmes que você, de coração e mente, recomenda a nossos leitores. Se quiser, pode justificar suas escolhas.

É sempre muito difícil listar os melhores. Ficam os três já citados (“Pacto de sangue”, “Casablanca’ e “Tubarão”) e acrescento três diretores: Alfred Hitchcock, Robert Siodmak e Friz Lang.

Essa relação não elenca vários dos mais importantes diretores do cinema americano. Concorda? Por que a omissão?

Realmente, você está certo. No início da nossa conversa sou apresentado como fã do cinema negro. Já agora, no final do papo, vem a pergunta sobre os melhores filmes que vi. Vou manter a coerência e me ater somente ao noir, excetuando Hitchcock, que é o maior dos diretores. Já Lang e Siodmak são os reis desse gênero: “Os assassinos”, “Baixeza”, “Fúria”, “A dama fantasma”, “Espelhos d´alma”, “Os corruptos”, “Um retrato de mulher”, “A gardênia azul”, “Silêncio nas trevas”, “Dúvida”, entre outros, não me deixam mentir.

Na lista dos preferidos de Joaquim Inácio está "Tubarão".

Na lista dos preferidos de Joaquim Inácio está “Tubarão”.

Notas sobre o “Noir”

6 set

 

Eis uma questão em que a crítica diverge: qual o gênero cinematográfico mais autenticamente americano, aquele em que a Hollywood histórica mais deu de si do ponto de vista artístico?

Segundo a crítica Pauline Kael teria sido a “comédia maluca” (´screball comedy´) dos anos trinta; para o crítico André Bazin, teria sido o Western; já na opinião do crítico Roger Ebert teria sido o “noir” (pronuncia-se /nuár/).

Quem tem razão, não sei, porém, conheço de perto tantos cinéfilos apaixonados pelo gênero noir que me inclino a eleger, aqui, a opção de Ebert.

O falcão maltês: considerado o primeiro noir (1940)

O falcão maltês: considerado o primeiro noir (1940)

E, claro, eu mesmo sou um fã incondicional desse gênero onde – o dito mantém – não podem faltar ´arma, mulher e chapéu´. Só isso? Que nada: os ingredientes do noir são muitos e variados.

Formalmente, são filmes em preto-e-branco, cheios de sombras e angulações fora do comum, com ambientações urbanas e música sombria. Na perspectiva do conteúdo, os filmes noir são estórias policiais envolvendo crime, sexo, culpa, mistério, e punição; os protagonistas podem ser detetives particulares, policiais, gangsteres, ou mesmo cidadãos comuns vítimas de ciladas…

Desculpem o cabotinismo, mas gosto da súmula descritiva que eu mesmo inventei para o gênero: “num mundo mau, pessoas más fazendo coisas más e se dando mal.”

Barbara Stanwyck e Fred McMurray em Pacto de sangue.

Barbara Stanwyck e Fred McMurray em Pacto de sangue.

O período áureo do noir foi a vintena que vai de 1940 até os finais dos anos cinquenta. O que se fez depois disso, nos parâmetros do gênero, foi derivação, e, o que se fizera antes tinha sido premonição. Tanto é que “Relíquia macabra” (1940) é dado como sendo inaugural e “A marca da maldade” (1958) é considerado um dos últimos noirs autênticos.

Para historiadores e estudiosos, o gênero noir brotou da combinação estética de duas coisas diferentes: de um lado a literatura policial americana dos tempos da Depressão, tipo: Dashiel Hammet, Raymond Chandler, James M. Cain, etc; de outro, o movimento expressionista alemão dos anos vinte, trazido a Hollywood por imigrantes como Fritz Lang e outros. Da primeira, ele herdou a narrativa hardboiled, pessimista e de final infeliz; do outro, a plástica gótica.

Salvo exceções, eram produções B, ou seja, de orçamentos limitados, mas, o engraçado é que, ao tempo em que se produziam os filmes noir em Hollywood, o termo não existia, pelo menos não na acepção hoje conhecida. Foi o crítico francês Nino Frank quem primeiro o usou com esta acepção, em 1946: “Noir” (´negro´ em francês) era a cor da capa das publicações policiais em que esses filmes eram baseados, e o crítico francês achou que era um termo bem apropriado para definir o gênero. O termo, porém, não pegou logo, pois, segundo consta, os próprios cineastas americanos não gostaram dele. Só veio a pegar muito mais tarde, dos anos 70 em diante, quando os historiadores do cinema passaram a usá-lo de forma retroativa.

Humphrey Bogart e Lauren Bacall em À beira do abismo.

Humphrey Bogart e Lauren Bacall em À beira do abismo.

Dentre os grandes cineastas atuando na Hollywood clássica, poucos são os que não cometeram filmes noir. Como a lista é enorme, prefiro citar atores que encarnaram bem os protagonistas nesses filmes: Humphrey Bogart, Dana Andrews, Edward G. Robinson, Richard Conte, Robert Mitchum, Robert Ryan, Fred McMurray, Alan Ladd, Glenn Ford… foram alguns deles.

Evidentemente, há controvérsias sobre o estatuto de gênero doado ao noir. Para alguns, ele seria só um sub-gênero do filme policial, para outros, trata-se de um gênero sólido, completo, semioticamente definido. Uma coisa é certa, mesmo no período clássico, se todo noir era policial, nem todo policial era noir.

Bem, o assunto é por demais vasto e pretendo a ele retornar em outras ocasiões. Por enquanto, façamos apenas uma lista dos pelo menos dez filmes noir mais ilustrativos do gênero, não os melhores, mas aqueles mais citados pela crítica e historiografia. Se fôssemos nos ater à década de quarenta, os filmes poderiam ser estes:

 

Relíquia macabra (John Huston, 1940)

Um retrato de mulher (Fritz Lang, 1944)

Laura (Otto Preminger, 1944)

Pacto de sangue (Billy Wilder, 1945)

A beira do abismo (Howard Hawks, 1946)

O destino bate a sua porta (Tay Garnett, 1946)

Interlúdio (Alfred Hitchcock, 1946)

Fuga do passado (Jacques Tourneur, 1947)

Amarga esperança (Nicholas Ray, 1948)

O terceiro homem (Carol Reed, 1948)

A marca da maldade (A touch of evil, 1958) direção de Orson Welles.

A marca da maldade (A touch of evil, 1958) direção de Orson Welles.

 

 

 

 

 

Personagens maiores que a vida

11 out

As razões que temos para nunca esquecer os filmes que amamos são muitas, algumas às vezes até inconfessáveis, eu sei. Mas uma das mais determinantes é, com certeza, os seus personagens, em alguns casos especiais tão fortes que parecem maiores que os próprios filmes, ou – por que não? – maiores que a vida.

São personagens complexos, profundos, intensos, que encarnam uma fundamental contradição de natureza estética, a de nos parecerem reais, gente como a gente, e ao mesmo tempo, originais, sem par na ficção ou na realidade. Outra contradição é a de serem iguais a si mesmos e ao mesmo tempo mutáveis.

Os personagens de que falo possuem traços físicos e psicológicos bem definidos, mas não são estáticos: evoluem na proporção do enredo e, a miúde, sofrem – para o bem ou para o mal – grandes transformações. Podem ser vítimas da narrativa, ou feitores dela, não importa, de todo jeito as transformações virão.

É comum que as peripécias do enredo os conduzam a situações-limite em que uma crise não pode deixar de ser enfrentada. Podem começar o filme mais ou menos definidos dentro de uma linha tímica, ou ética, ou ideológica, porém, dificilmente se mantêm nessa mesma linha até o final: normalmente a crise os ambuiguiza e os bons, se for o caso, vão tangenciar o Mal, como os maus vão receber um sopro do Bem.

Fracos ou fortes, covardes ou corajosos, mesquinhos ou magnânimos, perversos ou nobres, patéticos ou trágicos, não importa – são figuras fascinantes que nos encantam pela verdade humana que encarnam.

Aos interpretá-los, os atores ou atrizes dão mais de si que de costume, pois, precisam convencer o espectador da profunda verdade do personagem que encarnam e, quando conseguem, deixam sempre a impressão de que iremos, a partir de então, lembrar mais do personagem que do ator/atriz.

Aqui convido o leitor a considerar quem seriam os seus “personagens maiores que a vida”.

De minha parte, ofereço a sugestão de alguns nomes.

Só para refrescar a memória do leitor, adiciono, com dados do enredo do filme, pequena descrição do personagem, ao que faço seguir, entre parênteses, o nome do ator/atriz que o interpretou, título brasileiro do filme, título original, diretor e ano de produção.

IMMANUEL RATH – Respeitado professor alemão de literatura inglesa se envolve com prostituta e sucumbe. (Emil Jannings em “O anjo azul” / “Der blaue Engel”, Joseph Von Sterberg, 1930).

WALTER NEFF – Empregado de companhia de seguro, junto com a esposa da vítima, planeja golpe perfeito e se dá mal. (Fred McMurray em “Pacto de sangue” / “Double indemnity”, Billy Wilder, 1944).

CATHERINE SLOPER – Solteirona sem dotes físicos aprende com a cruel imparcialidade do pai a ser imparcial. (Olivia De Haviland em “The heiress” / “Tarde demais”, William Wyler, 1949).

CAL TRASK – Filho rebelde tem dificuldades em adentrar o hermético coração paterno. (James Dean em “Vidas amargas” / “East of Eden”, Elia Kazan, 1955).

DR ISAK BORG – Idoso médico sueco vive crise existencial que o remete à infância e a outras dores. (Victor Sjöström em “Morangos silvestres” / “Smutonstrället”, Ingmar Bergman, 1957).

CABÍRIA – Um golpe atrás do outro, a pobre prostituta romana consegue sorrir depois de tudo. (Giulietta Massina em “Noites de Cabíria” / “Notte de Cabiria”, Federico Fellini, 1957).

JUJU – Homem comum de pouca inteligência aprende que amar e matar podem fazer parte do mesmo contexto. (Pierre Brasseur em “Por ternura também se mata” / “Porte de Lilàs”, René Clair, 1957).

GRIMALDI – Durante a II Guerra, cafajeste italiano entra por acaso em território da Resistência e vive uma farsa de consequências trágicas. (Vittorio DeSica em “De crápula a herói” / “Il generale della Rovere”, Roberto Rosselini, 1959).

ANTONIETTA – Simplória dona de casa italiana tem a vida mudada quando o seu passarinho vai pousar na janela de um vizinho subversivo. (Sophia Loren em “Um dia muito especial” / “Una giornatta particolare”, Ettore Scola, 1977).

TRAVIS HENDERSON – Acolhido pelo irmão, homem desmemoriado reencontra o passado em domésticos filmes Super 8, e depois, numa janela de peepshow. (Harry Dean Stanton em “Paris, Texas”, Wim Wenders, 1984).